Dívidas pressionam Corinthians: R$ 11 milhões a Depay e R$ 33,4 milhões ao Santos LagunaPor Thiago Lemos
7 min de leitura
![]() |
O Corinthians vive um momento delicado nas finanças, com negociações intensas para prorrogar o pagamento de R$ 11 milhões em premiações ao atacante Memphis Depay, camisa 10 do clube. A quitação, prevista em contrato para esta quarta-feira, 20 de agosto de 2025, está em risco devido à falta de recursos imediatos. A diretoria, liderada pelo presidente interino Osmar Stabile, também tenta um acordo com o Santos Laguna, do México, para pagar R$ 33,4 milhões e suspender o transfer ban imposto pela Fifa, que impede o registro de novos jogadores. As dificuldades financeiras, agravadas por gestões anteriores, limitam o fluxo de caixa, mesmo após a entrada de R$ 14 milhões pela venda de Kauê Furquim ao Bahia. Além disso, o clube se prepara para desembolsar 1 milhão de euros (R$ 6,3 milhões) até 15 de setembro, referente à segunda parcela das luvas de Depay. A situação expõe a fragilidade financeira do Timão, que busca receitas emergenciais para manter a competitividade no Brasileirão e na Copa do Brasil.
A pressão para cumprir os compromissos financeiros coincide com a necessidade de reforçar o elenco. A punição da Fifa, decorrente da dívida com o Santos Laguna pela contratação do zagueiro Félix Torres, compromete os planos do técnico Dorival Júnior, que solicitou ao menos três reforços para a temporada. Apesar da receita recente, o clube enfrenta dificuldades para equilibrar as contas, agravadas por outras pendências judiciais.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
- Negociações em curso: O Corinthians tenta parcelar a dívida com o Santos Laguna, oferecendo parte à vista.
- Outras dívidas: Casos envolvendo Matías Rojas e Rodrigo Garro podem gerar novas sanções.
- Receitas esperadas: Acordo com a Liga Forte União e renovação com a Nike são alternativas.
O cenário financeiro desafiador reflete problemas herdados da gestão de Augusto Melo, que enfrentou impeachment em agosto de 2025. A administração atual busca soluções para evitar o agravamento da crise.
Negociações com Memphis Depay
O contrato de Memphis Depay prevê o pagamento de R$ 11 milhões em bônus por desempenho, valor que o atacante holandês garantiu em seu primeiro ano no Corinthians. A diretoria negocia com o estafe do jogador para postergar a quitação, originalmente prevista para 20 de agosto. A dificuldade em honrar o compromisso reflete a falta de caixa, mesmo após a entrada de R$ 14 milhões pela transferência de Kauê Furquim. Além disso, o clube precisa pagar 1 milhão de euros em luvas até meados de setembro, aumentando a pressão financeira.
Depay, contratado em 2024, tornou-se peça central no ataque corintiano, mas a instabilidade financeira do clube gera incertezas sobre sua permanência. A diretoria busca um acordo que evite desgastes com o jogador, enquanto tenta manter o foco nas competições.
- Bônus de desempenho: R$ 11 milhões devidos por metas alcançadas em 2024.
- Luvas contratuais: R$ 6,3 milhões a serem pagos até 15 de setembro.
- Impacto no elenco: Atrasos podem afetar a relação com o camisa 10.
A negociação com Depay é vista como estratégica para evitar novos conflitos contratuais, especialmente após casos como o de Matías Rojas, que resultou em uma condenação de R$ 40,4 milhões.
O próximo jogo do Corinthians será fora de casa.#VaiCorinthians pic.twitter.com/mZ7E5cbl0a
— Corinthians (@Corinthians) August 18, 2025
Dívida com Santos Laguna e transfer ban
A dívida de R$ 33,4 milhões com o Santos Laguna, referente à contratação de Félix Torres em janeiro de 2024, é o principal obstáculo do Corinthians. A Fifa aplicou o transfer ban em 12 de agosto de 2025, após o clube descumprir o prazo para quitar o débito, confirmado pela Corte Arbitral do Esporte (CAS). A punição, que pode durar até três janelas de transferências, impede o registro de novos atletas, limitando o planejamento esportivo.
O Corinthians propôs pagar 50% do valor à vista, utilizando os R$ 14 milhões recebidos do Bahia, e parcelar o restante. No entanto, o Santos Laguna rejeitou a oferta, exigindo condições mais vantajosas. A diretoria, sob comando de Osmar Stabile, intensificou as conversas, com a possibilidade de uma viagem ao México para negociar diretamente.
- Valor total: US$ 6,145 milhões (R$ 33,4 milhões) pela compra de Félix Torres.
- Proposta recusada: Entrada de R$ 17 milhões e parcelamento do restante.
- Prazo crítico: Sem acordo, o ban pode se estender até 2026.
A situação com o Santos Laguna é agravada pela postura rígida dos mexicanos, que alegam tentativas frustradas de negociação com a gestão anterior. A devolução de Félix Torres ao clube mexicano chegou a ser cogitada, mas a ideia enfrenta resistência.
Busca por receitas emergenciais
Para enfrentar a crise, o Corinthians busca alternativas para aumentar o fluxo de caixa. Uma das principais negociações envolve a Liga Forte União (LFU), que pode render R$ 57 milhões. O acordo, embora redigido, não foi assinado devido à exigência de renovação por mais um ano, condição rejeitada por Osmar Stabile. A diretoria também espera receber R$ 50 milhões em luvas pela renovação com a Nike, que estende a parceria até 2035.
A venda de jovens jogadores, como Kauê Furquim, trouxe alívio imediato, mas não resolveu o problema estrutural. O clube avalia antecipar outros recebíveis, mas a dependência de acordos externos expõe a fragilidade financeira.
- Liga Forte União: R$ 57 milhões em negociação, com entraves contratuais.
- Contrato com Nike: R$ 50 milhões esperados para reforçar o caixa.
- Venda de jogadores: R$ 14 milhões já recebidos do Bahia por Kauê Furquim.
- Outras alternativas: Empréstimos de R$ 30 milhões estão em estudo.
A administração interina trabalha para estabilizar as finanças, mas a pressão de conselheiros e torcedores aumenta diante da possibilidade de novas sanções.
Riscos de novas punições
Além da dívida com o Santos Laguna, o Corinthians enfrenta processos no CAS que podem agravar a crise. O caso de Matías Rojas, que cobra R$ 40,4 milhões por rescisão contratual, e a disputa com o Talleres, da Argentina, por Rodrigo Garro, com condenação de US$ 4,3 milhões (R$ 23,35 milhões), aguardam decisões finais. Um terceiro processo, envolvendo o Shakhtar Donetsk pelo empréstimo de Maycon, pode custar R$ 6,76 milhões.
Essas pendências, somadas à dívida de Félix Torres, totalizam cerca de R$ 92,8 milhões em condenações. Novas sanções da Fifa podem prolongar o transfer ban, comprometendo ainda mais o planejamento esportivo.
- Matías Rojas: R$ 40,4 milhões por rescisão devido a atrasos salariais.
- Rodrigo Garro: R$ 23,35 milhões exigidos pelo Talleres, com juros.
- Maycon: R$ 6,76 milhões cobrados pelo Shakhtar Donetsk.
- Impacto potencial: Novas punições podem limitar contratações até 2026.
A diretoria corre contra o tempo para evitar que esses casos resultem em mais restrições, enquanto tenta manter a competitividade em campo.
Planejamento esportivo comprometido
A crise financeira impacta diretamente o desempenho do Corinthians nas competições. O técnico Dorival Júnior, contratado em 2025, enfrenta limitações para reforçar o elenco, com apenas duas contratações na temporada: o atacante Vitinho e o lateral-esquerdo Fabrizio Angileri, ambos registrados antes do transfer ban. A impossibilidade de inscrever novos jogadores pode prejudicar o desempenho no Brasileirão e na Copa do Brasil, onde o Timão busca avançar.
A torcida, conhecida por sua paixão, acompanha com apreensão as turbulências administrativas. A recente derrota no clássico contra o Palmeiras, pela Copa Betano do Brasil, aumentou a pressão sobre a diretoria. Osmar Stabile e o departamento jurídico intensificam esforços para resolver as pendências, mas a falta de recursos imediatos dificulta as negociações.
- Contratações limitadas: Apenas Vitinho e Angileri reforçam o elenco em 2025.
- Pressão da torcida: Derrotas amplificam críticas à gestão financeira.
- Copa do Brasil: Clássico contra o Palmeiras expõe fragilidades do time.
- Planejamento de Dorival: Técnico pediu ao menos três reforços.
O Corinthians enfrenta um momento crucial, com a necessidade de equilibrar as finanças e manter a competitividade em campo, enquanto negocia soluções para evitar o agravamento da crise.















