Inter demite funcionários após fiasco de papéis picados na LibertadoresPor Beatriz
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Um incidente inusitado marcou o jogo entre Internacional e Flamengo, pelas oitavas de final da Conmebol Libertadores, no Beira-Rio, em Porto Alegre, na noite de 20 de agosto de 2025. A chuva de papéis picados prateados, planejada para animar a torcida colorada, cobriu o gramado e atrasou o início da partida em 21 minutos, gerando constrangimento e uma crise interna no clube. O Inter, eliminado após a derrota por 2 a 0, demitiu dois funcionários após investigações e agora teme multas da Conmebol. O episódio expôs falhas de planejamento e execução, levantando questionamentos sobre a organização do evento.
A ação, que deveria ser um espetáculo vibrante, tornou-se um problema quando o volume excessivo de papéis prateados, lançado de um setor não autorizado, inviabilizou o início do jogo. Funcionários do clube correram para limpar o campo, enquanto jogadores aguardavam. O caso gerou reações mistas, desde críticas da torcida até provocações do Flamengo nas redes sociais. A diretoria do Internacional, liderada por Alessandro Barcellos, abriu uma investigação para apurar responsabilidades.
- Motivo do atraso: Excesso de papéis picados prateados no gramado.
- Consequências iniciais: Demissões e risco de sanções financeiras.
- Reação do clube: Investigação interna e nota oficial admitindo erros.
O episódio dos papéis picados não apenas prejudicou a atmosfera do jogo, mas também intensificou a pressão sobre a gestão do clube, que já enfrenta críticas pela eliminação na Libertadores e na Copa do Brasil.
O planejamento que virou caos
A chuva de papéis picados foi planejada como parte da ambientação do jogo, uma prática comum para engajar a torcida em partidas decisivas. O Internacional informou que a ação estava dentro das normas da Conmebol, mas falhas graves na execução transformaram o evento em um fiasco. O material prateado, que não deveria ter sido usado, foi lançado em volume muito acima do planejado e a partir de um setor errado do estádio, a passarela sob a cobertura, conhecida como catwalk.
A ideia era criar um espetáculo visual para recepcionar o time, com elementos como CO², balões tubulares e bandeirões das torcidas organizadas. No entanto, decisões não autorizadas, conforme apurado pelo clube, levaram ao uso de papel prateado, que grudou no gramado molhado, dificultando a limpeza. Funcionários usaram sopradores, vassouras e até redes improvisadas para retirar o material, enquanto o árbitro Esteban Ostojich aguardava.
- Planejamento original: Uso de papel branco em menor quantidade.
- Local correto: Outro setor do estádio, fora do gramado.
- Material inadequado: Papel prateado aderiu ao campo molhado.
- Tempo de limpeza: Aproximadamente 20 minutos no início e no intervalo.
O incidente comprometeu a empolgação inicial da torcida, que lotou o Beira-Rio com cerca de 48 mil pessoas, e gerou desconforto no departamento de futebol, que via na atmosfera vibrante um fator motivacional para o time.
Reações e consequências internas
Após o jogo, o presidente Alessandro Barcellos enfrentou questionamentos na zona mista do estádio. Inicialmente, ele alegou desconhecimento sobre os detalhes do ocorrido, mas prometeu apurar as responsabilidades. Na quinta-feira, 21 de agosto, o clube realizou reuniões para esclarecer o caso, resultando na demissão de dois funcionários cujos nomes e setores não foram divulgados. A investigação revelou que diferentes áreas, como marketing, comunicação e operação de jogo, tinham ciência da ação, mas falhas de coordenação levaram ao erro.
A nota oficial do Inter, publicada na noite de quinta-feira, reconheceu que a ação foi mal executada. O clube destacou que as decisões não autorizadas foram tomadas por indivíduos específicos, e medidas disciplinares já foram aplicadas. A diretoria também busca entender como torcedores acessaram a passarela do estádio para lançar os papéis, o que aumentou a gravidade do incidente.
- Áreas envolvidas: Marketing, comunicação, relacionamento social e operação de jogo.
- Medidas tomadas: Demissão de dois funcionários e investigação interna.
- Questões levantadas: Acesso não autorizado à passarela do estádio.
A torcida, apesar do apoio inicial com a “rua de fogo” na chegada do time, demonstrou insatisfação nas redes sociais, cobrando maior organização do clube.
Risco de punição da Conmebol
O atraso de 21 minutos no início da partida pode custar caro ao Internacional. O regulamento da Conmebol prevê multas por atrasos em jogos da Libertadores, com um valor mínimo de US$ 20 mil para atrasos de até 15 minutos. Para atrasos superiores, como no caso do Inter, a multa pode ser ainda mais alta, chegando a US$ 50 mil em casos de reincidência. O clube, que já enfrenta dificuldades financeiras, teme o impacto nos cofres.
A Conmebol considera atrasos uma infração grave, especialmente em fases de mata-mata, como as oitavas de final. Além da multa, o clube pode enfrentar outras sanções disciplinares, dependendo da avaliação da entidade. O Inter agora monitora os desdobramentos junto à Conmebol, enquanto busca evitar que episódios semelhantes se repitam em jogos futuros.
- Valor mínimo da multa: US$ 20 mil (cerca de R$ 110 mil) para até 15 minutos.
- Punição em reincidência: Até US$ 50 mil (cerca de R$ 274 mil).
- Impacto financeiro: Preocupação com os cofres já fragilizados.
- Outras sanções: Possíveis penalidades disciplinares da Conmebol.
O episódio também gerou preocupação entre os torcedores, que temem que a punição agrave a crise financeira do clube, eliminado precocemente de duas competições importantes em 2025.
Impacto no ambiente do jogo
O atraso causado pelos papéis picados teve reflexos diretos no desempenho do Internacional em campo. A torcida, que criou uma atmosfera vibrante com a “rua de fogo” e cânticos antes do jogo, perdeu parte do ímpeto com a interrupção. Jogadores do Flamengo, como Bruno Henrique e Léo Pereira, ajudaram na limpeza do gramado, enquanto o Inter aguardava a retomada. O clima de “caldeirão” esperado no Beira-Rio foi prejudicado, e o time colorado não conseguiu impor pressão nos minutos iniciais.
O Flamengo, por sua vez, aproveitou a situação para manter a concentração. Com gols de Arrascaeta e Pedro, o time carioca venceu por 2 a 0, consolidando a eliminação do Inter com um placar agregado de 3 a 0. A superioridade técnica do Flamengo, aliada ao incidente dos papéis, evidenciou as dificuldades do Internacional, que agora foca apenas no Brasileirão até o fim da temporada.
- Efeito no jogo: Redução da pressão inicial da torcida colorada.
- Desempenho do Inter: Apatia em campo, sem chances reais de reação.
- Aproveitamento do Flamengo: Manutenção do foco e vitória tranquila.
O caso também gerou provocações nas redes sociais, com o Flamengo fazendo trocadilhos sobre a “chuva de Plata”, referência ao jogador equatoriano do time carioca.
Ações para evitar novos incidentes
O Internacional já começou a revisar seus protocolos para eventos no Beira-Rio. A diretoria planeja reforçar a comunicação entre os departamentos e estabelecer diretrizes mais rígidas para ações de ambientação. A liberação de materiais como papéis picados será reavaliada, com maior controle sobre o tipo de material e os locais de lançamento. O clube também pretende melhorar a coordenação com a Conmebol para garantir que todas as ações estejam em conformidade com o regulamento.
A investigação interna continua, com foco em identificar possíveis falhas sistêmicas. O Inter busca evitar que o episódio se torne um precedente negativo, especialmente em jogos decisivos. A torcida, por sua vez, cobra maior transparência e eficiência na gestão do clube.
- Revisão de protocolos: Maior controle sobre materiais e locais.
- Coordenação com a Conmebol: Alinhamento com as regras da entidade.
- Demandas da torcida: Exigência de transparência e organização.
O caso dos papéis picados, embora pareça um incidente isolado, reflete a pressão sobre a diretoria do Internacional em um momento de resultados esportivos aquém do esperado.
Repercussão além do campo
O episódio ganhou destaque nas redes sociais e na imprensa, com reações variadas. Enquanto alguns torcedores lamentaram o erro, outros criticaram a gestão do clube, apontando o incidente como mais um sinal de desorganização. Vídeos mostrando torcedores na passarela do estádio aumentaram a polêmica, levantando questões sobre a segurança e o controle de acesso no Beira-Rio.
Além disso, a eliminação do Inter foi marcada por episódios de violência contra jornalistas, com comunicadores do Canal do Baldasso sendo agredidos por torcedores. A Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG) classificou os ataques como um “crime contra a liberdade de expressão”. O clube prometeu colaborar com as autoridades para identificar os responsáveis.
- Reações nas redes: Críticas à gestão e provocações do Flamengo.
- Violência contra jornalistas: Agressões a comunicadores no estádio.
- Posicionamento da ACEG: Repúdio aos ataques e cobrança por punições.
O Internacional agora enfrenta o desafio de reconstruir a confiança da torcida e melhorar sua imagem, enquanto lida com as consequências financeiras e esportivas do episódio.







