O Brasil alcançou um marco significativo na vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) em 2024, atingindo 82,83% de cobertura entre meninas de 9 a 14 anos, superando a média global de 12%, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre meninos da mesma faixa etária, o índice chegou a 67,26%, um avanço expressivo em relação aos 45,46% registrados em 2022. A vacina, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), protege contra diversos tipos de câncer, como os de colo do útero, ânus, pênis, garganta e pescoço, além de verrugas genitais. Esse progresso resulta da retomada do Programa Nacional de Imunizações (PNI), com estratégias como vacinação em escolas, campanhas educativas e parcerias com o Ministério da Educação. A adoção da dose única para jovens de 9 a 14 anos, implementada em 2024, ampliou o alcance da imunização, alinhando o Brasil ao compromisso global de eliminar o câncer de colo do útero até 2030. O SUS já distribuiu mais de 75 milhões de doses desde 2014, consolidando uma das políticas de vacinação mais robustas do mundo.
A ampliação da cobertura vacinal reflete esforços para superar barreiras históricas, como a desinformação e a resistência de alguns grupos. O Ministério da Saúde intensificou ações para alcançar jovens de até 19 anos não vacinados, especialmente em regiões com menores índices, como o Norte.
- Principais avanços da campanha:
- Cobertura de 82,83% entre meninas, ante 78,42% em 2022.
- Aumento de 22% na vacinação de meninos em dois anos.
- Distribuição de 75 milhões de doses pelo SUS desde 2014.
- Estratégias regionais e vacinação em escolas como fatores de sucesso.
Novo esquema vacinal amplia proteção
Desde abril de 2024, o Brasil adotou o esquema de dose única contra o HPV para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, seguindo recomendações da OMS e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Estudos indicam que uma única dose oferece proteção semelhante às duas ou três doses em indivíduos sem imunossupressão, simplificando a logística e aumentando a adesão. A mudança permitiu dobrar a capacidade de imunização com o estoque existente, beneficiando mais jovens.
Para grupos específicos, como pessoas imunocomprometidas, vítimas de violência sexual e usuários de PrEP, o esquema de duas ou três doses permanece, dependendo da faixa etária. A vacinação é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual, reforçando a importância de atingir crianças e adolescentes.
- Públicos prioritários do programa:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos: dose única.
- Imunossuprimidos (HIV, transplantados, pacientes oncológicos): três doses.
- Vítimas de violência sexual de 9 a 45 anos: duas ou três doses, conforme idade.
- Usuários de PrEP de 15 a 45 anos: três doses.
O foco em escolas tem sido crucial para alcançar o público-alvo, com equipes de saúde aplicando vacinas diretamente nas instituições, o que reduz barreiras de acesso e aumenta a conscientização.
Barreiras históricas à imunização
Apesar dos avanços, a cobertura vacinal ainda enfrenta desafios, especialmente em regiões como o Norte e Nordeste, onde os índices são mais baixos. A desinformação, incluindo fake news sobre a segurança da vacina, tem sido um obstáculo significativo. Casos amplificados na mídia, como reações adversas no Acre em 2014, que estudos confirmaram serem psicogênicas e não relacionadas ao imunizante, contribuíram para a hesitação vacinal.
O Ministério da Saúde tem combatido esses problemas com campanhas educativas e parcerias com sociedades científicas. A vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, é segura e previne cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero e 90% das verrugas genitais.
Benefícios da vacina para ambos os sexos
A inclusão de meninos na campanha, iniciada em 2017, ampliou a proteção contra cânceres como os de pênis, ânus e orofaringe, além de reduzir a transmissão do vírus às parceiras. A OMS estima que 80% da população sexualmente ativa será exposta ao HPV em algum momento, o que reforça a importância da imunização precoce.
A vacinação de meninos também contribui indiretamente para a proteção das meninas, ao diminuir a circulação do vírus. Em 2023, foram aplicadas 6,1 milhões de doses, o maior número desde 2018, evidenciando a retomada do PNI.
- Impactos da vacinação em meninos:
- Prevenção de cânceres de pênis, ânus e orofaringe.
- Redução da transmissão do HPV para parceiras.
- Contribuição para a meta de eliminação do câncer de colo do útero.
Estratégias regionais e busca ativa
A busca ativa de jovens não vacinados, especialmente na faixa de 15 a 19 anos, tem sido uma prioridade. Até agosto de 2025, mais de 106 mil adolescentes nessa faixa etária receberam a vacina. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro intensificaram ações para alcançar esse público, com campanhas em escolas e unidades de saúde.
A Região Norte, que apresenta as menores coberturas e as maiores taxas de mortalidade por câncer de colo do útero, é um foco especial. O Ministério da Saúde planeja estratégias específicas, como a ampliação de salas de vacinação e parcerias com lideranças comunitárias.
- Ações para aumentar a cobertura:
- Vacinação em escolas públicas e privadas.
- Campanhas de conscientização contra fake news.
- Busca ativa de jovens de até 19 anos.
- Parcerias com o Ministério da Educação e ONGs.
Compromisso global com a saúde pública
O Brasil alinha-se à estratégia 90-70-90 da OMS, que visa 90% de cobertura vacinal em meninas até 15 anos, 70% de rastreamento em mulheres aos 35 e 45 anos e 90% de tratamento para casos diagnosticados até 2030. A adoção da dose única e a inclusão de meninos posicionam o país como referência na prevenção do HPV.
A vacina, disponível gratuitamente pelo SUS, é aplicada em 35 mil salas de vacinação, coordenadas por equipes de enfermagem. A meta é atingir 90% de cobertura em meninas até 2030, com avanços significativos já em 2024.
- Metas da estratégia 90-70-90:
- 90% de meninas vacinadas até 15 anos.
- 70% de mulheres rastreadas aos 35 e 45 anos.
- 90% de casos de câncer de colo do útero tratados.
Avanços na prevenção de câncer
O câncer de colo do útero é a quarta maior causa de morte entre mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos anuais. A vacinação, aliada ao rastreamento por exames como o Papanicolau, pode reduzir significativamente essa incidência. Países como a Austrália, com altas taxas de cobertura, já projetam a eliminação desse câncer nas próximas décadas.
No Brasil, a combinação de vacinação em massa e rastreamento precoce tem potencial para salvar milhares de vidas. A tecnologia nacional para rastreamento, anunciada em 2025, reforça o compromisso com a saúde pública.
