A consultoria Global Citizen Solutions apontou o Uruguai como o melhor destino internacional para aposentados no estudo 2026 Global Retirement Report & Index, publicado em 30 de setembro de 2026. O país sul-americano alcançou a nota máxima de 99,9 pontos em uma análise comparativa que examinou as condições de moradia e tributação em 46 países. Na mesma classificação, o Brasil terminou no 15º lugar geral, somando 91,4 pontos.
Elaborado pela equipe da consultoria em São Paulo, o levantamento mede a aplicação prática das normas de imigração voltadas a cidadãos com renda passiva e pensionistas que buscam transferir residência para o exterior. A diretora-executiva da Global Citizen Solutions, Patricia Casaburi, afirmou que a procura por vistos de aposentadoria fora do país de origem registra expansão contínua no cenário internacional. “Com a população mundial de 65 anos ou mais prevista para quase dobrar, chegando a 1,6 bilhão até 2050, estamos diante de uma geração de aposentados que viverá mais, será mais numerosa e terá mais mobilidade do que nunca”, declarou a executiva.
Indicadores gerais e metodologia do relatório internacional
Para definir a nota de cada território, os pesquisadores cruzaram informações divididas em cinco categorias centrais de avaliação. Os critérios englobam a facilidade para obter documentos legais, a carga de impostos sobre pensões e o custo de manutenção dos moradores estrangeiros.
- Data de divulgação do estudo: 30 de setembro de 2026
- Total de territórios avaliados: 46 países divididos em cinco pilares de pontuação
- Maior nota do índice: 99,9 pontos alcançados pelo Uruguai
- Desempenho nacional no ranking: 15ª colocação geral com 91,4 pontos
- Exigência financeira do visto VITEM XIV: renda passiva mensal de US$ 2.000
Nações mais bem avaliadas nos cinco critérios do índice
O cálculo do índice geral distribuiu pesos entre os pilares de Qualidade de Vida, Mobilidade e Cidadania, Otimização Tributária, Custos e Processo. Os países que apresentaram exigências financeiras mais baixas somadas a trâmites claros de regularização imigratória ocuparam as cinco primeiras posições da tabela mundial.
- 1ª colocação: Uruguai, com índice geral de 99,9 pontos
- 2ª colocação: Ilhas Maurício
- 3ª colocação: Espanha
- 4ª colocação: Costa Rica
- 5ª colocação: Portugal
Regras do Tax Holiday 2.0 e facilidades de residência no Uruguai
A liderança uruguaia foi sustentada por pontuações elevadas nos recortes específicos do relatório, registrando 97 pontos em Mobilidade, 96 em Custos, 84 em Processo e 78 em Qualidade de Vida. Para quem sai do Brasil, a transferência de domicílio conta com as regras do Acordo de Residência do Mercosul, bloco econômico sul-americano que permite a regularização migratória sem obrigar o requerente a realizar investimentos prévios ou apresentar contrato de trabalho local.
Somado à curta distância geográfica e à proximidade do idioma, o governo uruguaio aplica um modelo de incentivo tributário chamado Tax Holiday 2.0. Esse dispositivo legal garante até 11 anos de isenção de impostos sobre rendimentos de capital gerados fora do território uruguaio, o que preserva o valor integral de benefícios e aposentadorias depositados a partir de instituições no Brasil.
Regras do visto VITEM XIV e cobrança de até 27,5% no Imposto de Renda
O 15º lugar obtido pelo Brasil na tabela geral teve influência direta da baixa burocracia exigida na emissão do VITEM XIV, modalidade oficial de visto temporário de residência voltada a aposentados e pensionistas estrangeiros. Na análise específica do pilar de Processo, a legislação nacional ficou na 4ª posição entre os 46 países verificados, além de figurar no 6º lugar no indicador de Mobilidade e Cidadania.
Para ter o pedido do VITEM XIV aprovado pelas autoridades migratórias, o solicitante precisa comprovar o recebimento mensal de US$ 2.000 em renda passiva, montante que corresponde a cerca de R$ 10 mil. As normas em vigor dispensam a exigência de uma faixa etária mínima para dar entrada na documentação e também não obrigam a compra de propriedades imobiliárias em território nacional.
Em sentido oposto, as regras da Receita Federal derrubaram o desempenho do país no quesito de Otimização Tributária, deixando a jurisdição brasileira na 35ª colocação desse recorte. Quem passa à condição de residente fiscal no país fica sujeito à tabela progressiva do Imposto de Renda com alíquota máxima de 27,5% sobre ganhos originados em qualquer nação do mundo, agravada pela ausência de tratados bilaterais para evitar a bitributação com países como Estados Unidos e Reino Unido.
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A pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions, Laura Madrid, analisou o contraste entre a facilidade de entrada e o peso dos impostos locais. “O visto VITEM XIV é um dos programas mais acessíveis das Américas — barreira de renda baixa, sem idade mínima e um caminho claro para a cidadania —, mas quem tem renda global significativa precisa avaliar com atenção a tributação sobre a renda mundial antes de decidir. A escolha certa depende menos do clima e mais das regras fiscais e de residência de cada país”, afirmou.
Prazos para passaporte europeu e carga de impostos na Península Ibérica
Destinos procurados com frequência por quem deixa a América do Sul, os dois países da Península Ibérica registraram contrastes acentuados entre os indicadores de bem-estar e os de cobrança de impostos. Portugal somou 99 pontos em Mobilidade e 94 pontos em Qualidade de Vida, garantindo ainda o direito de solicitar a naturalização depois de sete anos de moradia regular, mas seu regime tributário recebeu nota de 58 pontos no estudo.
No caso da Espanha, a avaliação atingiu 94 pontos no pilar de Qualidade de Vida, com o diferencial jurídico de liberar o pedido de cidadania após dois anos de residência legal para cidadãos nascidos em países ibero-americanos. A pesquisadora Laura Madrid apontou como esse prazo interfere na decisão dos imigrantes. “Em alguns países, com dois anos de residência, aquela pessoa pode iniciar um processo de naturalização e adquiri-la. A gente analisa a força do passaporte. Se, por exemplo, eu for morar na Espanha, com dois anos posso solicitar a nacionalidade espanhola. Para quantos países posso viajar sem necessitar de visto? Essa é uma questão relacionada à mobilidade”, explicou.
Apesar da rapidez para a obtenção do passaporte europeu, o sistema tributário espanhol recebeu 50 pontos, a menor nota fiscal entre todas as alternativas mapeadas para o perfil de aposentados brasileiros. O fisco da Espanha aplica alíquotas progressivas sobre a totalidade da renda mundial de seus moradores e não dispõe de programas de redução de impostos para valores oriundos de pensões estrangeiras.
Funcionamento da isenção sobre renda externa na Costa Rica e no Paraguai
Na América Central, a Costa Rica conquistou 95 pontos no critério de Custos, 95 em Mobilidade e 88 na área fiscal por adotar o sistema de tributação territorial, modelo em que o Estado cobra impostos apenas sobre o dinheiro ganho dentro de suas próprias fronteiras. Apesar dessas vantagens financeiras, o país centro-americano ficou com 64 pontos no pilar de Processo devido à demora verificada na análise dos pedidos de residência.
O Paraguai também obteve notas altas nos indicadores de custo de vida e de otimização fiscal, impulsionado tanto pelos prazos rápidos de regularização via Mercosul quanto pelo regime de cobrança territorial, que isenta de impostos locais as aposentadorias pagas a partir do Brasil. A desvantagem paraguaia no levantamento apareceu no critério de Qualidade de Vida, item em que o país registrou sua pontuação mais baixa, fechando com 70 pontos.
