Atlético-MG avalia saída de Cuca após derrota para o Cruzeiro na Copa do Brasil na Arena MRVPor Thiago Lemos
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A derrota do Atlético-MG por 2 a 0 para o Cruzeiro, na Arena MRV, na noite de 27 de agosto de 2025, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, intensificou a crise no clube e colocou o técnico Cuca sob forte pressão. O revés no clássico mineiro, diante de mais de 44 mil torcedores, marcou a quarta derrota do time em casa em jogos de mata-mata na temporada. A diretoria alvinegra, liderada por Sérgio Coelho, Paulo Bracks e Victor Bagy, realizou reuniões na manhã seguinte para avaliar o desempenho do treinador e discutir sua permanência. O clima nos bastidores é de tensão, com torcedores pedindo mudanças e o próprio Cuca admitindo dificuldades em melhorar o rendimento da equipe. O jogo de volta, marcado para 11 de setembro no Mineirão, tornou-se decisivo para o futuro do comandante e do clube na competição.
O desempenho irregular do Atlético-MG na temporada tem gerado insatisfação generalizada. Apesar da classificação para as quartas de final da Copa Sul-Americana, o time enfrenta dificuldades no Campeonato Brasileiro, ocupando a 12ª posição com 24 pontos, a apenas cinco do Z-4. A derrota para o Cruzeiro ampliou a sequência negativa, com seis derrotas em 11 jogos recentes. A torcida, frustrada, vaiou o time ao fim do clássico e pediu a saída de Cuca, além de jogadores como Rony e Junior Santos.
- Fatores que intensificam a crise:
- Quatro derrotas em cinco jogos de mata-mata em casa na temporada.
- Apenas 41,17% de aproveitamento em 2025 sob o comando de Cuca.
- Declarações desanimadas do treinador, sugerindo falta de perspectiva.
- Desgaste com o elenco, com críticas veladas de Cuca aos jogadores.
A pressão sobre o técnico não é nova, mas o clássico contra o Cruzeiro elevou o tom das críticas. A diretoria avalia opções, e a pausa para a Data Fifa pode ser usada para definir o futuro do comando técnico.
Reações da torcida e bastidores
A insatisfação da torcida atleticana foi evidente na Arena MRV. Após o apito final, gritos de “sem vergonha” e vaias ecoaram nas arquibancadas. Entrevistas concedidas a veículos locais, como O Tempo, revelaram pedidos de saída não apenas de Cuca, mas também de jogadores como Rony e Junior Santos, considerados abaixo do esperado. A torcedora Carol Leandro, em depoimento à imprensa, atribuiu a derrota diretamente às escolhas táticas do treinador, criticando a falta de consistência da equipe.
Nos bastidores, o clima é igualmente tenso. Sérgio Coelho, presidente da associação, foi visto em ligações telefônicas intensas após o jogo, o que alimentou especulações sobre decisões iminentes. A ausência de declarações públicas de Paulo Bracks e Victor Bagy, executivo e diretor de futebol, reforça a percepção de cautela na condução do caso. A relação entre Cuca e o elenco também parece abalada, com o treinador apontando que “não está conseguindo tirar a essência” dos jogadores, o que foi interpretado como uma crítica indireta ao grupo.
- Principais críticas da torcida:
- Falta de padrão tático e apatia em jogos decisivos.
- Substituições questionáveis, como a saída de Gustavo Scarpa no clássico.
- Desempenho irregular de reforços, como Dudu e Rony.
- Perdas frequentes em casa, contrastando com a força histórica do Galo na Arena MRV.
A diretoria, ciente da pressão, deve pesar o histórico vitorioso de Cuca, que inclui a tríplice coroa de 2021 (Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Mineiro), contra os resultados recentes.
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— Atlético (@Atletico) August 28, 2025
Desempenho em campo no clássico
O Atlético-MG começou o jogo contra o Cruzeiro com ímpeto, dominando a posse de bola no primeiro tempo e criando chances com Hulk e Gustavo Scarpa. A escalação inicial surpreendeu, com Dudu no lugar de Rony e Cuello atuando por dentro, mas as trocas de posição entre Scarpa e Cuello não resultaram em gols. O Cruzeiro, bem organizado taticamente sob o comando de Leonardo Jardim, aproveitou falhas defensivas do Galo. Aos quatro minutos do segundo tempo, Fabrício Bruno acertou um chute de rara precisão no ângulo, abrindo o placar. Kaio Jorge, livre na área, ampliou após uma cobrança de falta, explorando a desatenção da zaga alvinegra.
Cuca tentou reagir com substituições, como a entrada de Reinier no lugar de Scarpa, mas a equipe perdeu organização após o segundo gol. O treinador justificou a saída de Scarpa, afirmando que precisava de um jogador com mais chegada na área para apoiar Hulk, mas a alteração não surtiu efeito. A defesa, composta por Victor Hugo e Junior Alonso, foi criticada por erros de posicionamento, enquanto Hulk teve uma atuação apagada, bem marcado pelo adversário.
- Pontos fracos do Atlético no clássico:
- Falhas defensivas em bolas paradas e jogadas aéreas.
- Falta de efetividade nas finalizações, apesar da posse de bola.
- Substituições que desorganizaram o meio-campo.
- Isolamento de Hulk, sem apoio ofensivo consistente.
O jogo de volta no Mineirão exigirá uma vitória por pelo menos três gols de diferença para o Atlético avançar diretamente, ou dois gols para levar a decisão aos pênaltis. A tarefa é vista como desafiadora, diante do momento positivo do Cruzeiro.
Histórico de Cuca no Atlético-MG
Cuca está em sua quarta passagem pelo Atlético-MG, iniciada em janeiro de 2025. O treinador é um ídolo no clube, com conquistas marcantes, como a Libertadores de 2013 e a tríplice coroa de 2021. Em 244 jogos pelo Galo, acumula 134 vitórias, 55 empates e 55 derrotas, com aproveitamento de 62,4%. No entanto, a temporada atual registra apenas 41,17% de aproveitamento, o pior desempenho do técnico em suas passagens pelo clube.
A comparação com anos anteriores é inevitável. Em 2021, Cuca liderou um time dominante, com estrelas como Hulk, Nacho Fernández e Diego Costa. Em 2025, apesar de contratações como Dudu e Deyverson, o elenco não encontrou o mesmo equilíbrio. Lesões, como a de Lyanco, e a saída de Igor RABello para o Fluminense, enfraqueceram a defesa, enquanto o meio-campo não conseguiu consistência. O técnico também enfrenta críticas por insistir em formações que não rendem, como a escalação de Dudu como titular no clássico.
- Momentos marcantes de Cuca no Atlético:
- Libertadores de 2013, com Ronaldinho Gaúcho e Diego Tardelli.
- Tríplice coroa em 2021 (Brasileiro, Copa do Brasil e Mineiro).
- Bicampeonato mineiro (2012 e 2013).
- Empate por 0 a 0 com o Cruzeiro na FC Series, em janeiro de 2025.
A história vitoriosa, porém, não tem sido suficiente para conter as críticas atuais, com a torcida e parte da imprensa apontando falta de evolução tática.
Próximos passos e desafios
Com a pausa para a Data Fifa, o Atlético-MG ganha tempo para reorganizar a casa. O próximo compromisso é contra o Vitória, no domingo, 31 de agosto, pelo Campeonato Brasileiro, no Barradão. A partida é crucial para afastar o risco de aproximação da zona de rebaixamento. No horizonte, o jogo de volta contra o Cruzeiro, no dia 11 de setembro, definirá não apenas a continuidade na Copa do Brasil, mas também o futuro de Cuca no clube.
A diretoria já avalia nomes para uma possível sucessão. Fernando Diniz, recém-dispensado pelo Cruzeiro, e Luís Castro, sondado no início do ano, estão entre os cotados. O auxiliar Guilherme Dalla Déa deve comandar a equipe interinamente caso Cuca seja demitido antes do próximo jogo. A busca por reforços também está em pauta, com o zagueiro Ruan Tressoldi em negociações, embora ele não possa atuar na Copa do Brasil por já ter jogado pelo São Paulo na competição.
- Desafios imediatos do Atlético-MG:
- Reverter o placar de 2 a 0 contra o Cruzeiro no Mineirão.
- Melhorar a posição no Brasileirão, onde está a cinco pontos do Z-4.
- Recuperar a confiança da torcida e do elenco.
- Definir a situação de Cuca antes do fim da Data Fifa.
O momento é delicado, e o Atlético-MG precisa de decisões rápidas para evitar uma crise ainda maior. A paixão da torcida, conhecida por sua exigência, mantém a esperança de uma reviravolta, mas o caminho exige união e mudanças táticas.
Legado e pressão no clássico mineiro
O clássico mineiro sempre carrega uma carga emocional única, e a derrota de 27 de agosto reforçou a rivalidade. O Cruzeiro, comandado por Leonardo Jardim, demonstrou organização e eficiência, com gols de Fabrício Bruno e Kaio Jorge. O Atlético, por outro lado, viu sua invencibilidade em casa ser abalada, algo que contrasta com sua história de força na Arena MRV. A troca de provocações entre as equipes, como as alusões ao anúncio de Dudu e à final da Libertadores, adicionou ainda mais tensão ao confronto.
Cuca, que já enfrentou o Cruzeiro 13 vezes pelo Atlético, com três vitórias, três empates e seis derrotas, sabe da importância do clássico para a torcida. Sua declaração de que “tudo dá certo para eles” reflete o momento oposto vivido pelos rivais. Enquanto o Cruzeiro vive uma fase ascendente, o Galo busca reencontrar o caminho das vitórias. A pressão sobre Cuca é agravada pelo histórico de eliminações em mata-matas contra o rival, com o Cruzeiro levando a melhor em 12 de 19 confrontos no século XXI.
- Números do clássico no século XXI:
- 37 jogos em mata-matas, com 13 vitórias do Cruzeiro, 12 do Atlético e 12 empates.
- Cruzeiro marcou 49 gols, contra 42 do Atlético.
- Último confronto em 2024, com vitória do Atlético por 5 a 3 no agregado no Mineiro.
- Derrota de 2 a 0 em 2025, a terceira do Galo em casa contra o Cruzeiro na Arena MRV.
O jogo de volta será um teste de fogo para o Atlético-MG, que precisará superar não apenas o placar, mas também o peso emocional do clássico.







