Atlético-MG: coletiva de Cuca aumenta tensão e põe cargo do treinador em risco após derrota para o Cruzeiro na Copa do BrasilPor Thiago Lemos
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A derrota do Atlético-MG por 2 a 0 para o Cruzeiro, na Arena MRV, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil de 2025, intensificou a pressão sobre o técnico Cuca. O revés, ocorrido na noite de 27 de agosto, diante de mais de 44 mil torcedores, marcou a quarta derrota do Galo em casa em jogos de mata-mata na temporada. Em uma coletiva de imprensa marcada por tom desanimado e respostas curtas, o treinador admitiu dificuldades em extrair o melhor do elenco e não garantiu prazo para melhoras, gerando incômodo na diretoria e entre torcedores. O jogo de volta, marcado para 11 de setembro no Mineirão, tornou-se decisivo para o futuro do treinador no clube. A crise se agravou com críticas veladas de Cuca aos jogadores e a percepção de desgaste em seu comando, reacendendo debates sobre sua permanência.
O Atlético dominou o primeiro tempo, com maior posse de bola e chances criadas, mas falhou nas finalizações. O Cruzeiro, com um gol de Fabrício Bruno e outro de Kaio Jorge no segundo tempo, aproveitou erros defensivos do Galo. A atuação abaixo do esperado, somada às declarações de Cuca, colocou o treinador no centro das críticas.
- Principais pontos da derrota:
- Domínio no primeiro tempo, mas sem efetividade nas finalizações.
- Gols sofridos no segundo tempo, com falhas defensivas em bola parada.
- Substituições questionadas, como a saída de Gustavo Scarpa.
Repercussão negativa da coletiva
A coletiva de Cuca após o clássico gerou desconforto interno. O treinador, visivelmente abatido, declarou: “Não tenho um prazo para te dizer, eu faço meu melhor. Eu não tenho um prazo e nem uma certeza de que as coisas vão melhorar.” A fala, interpretada como sinal de desânimo, não caiu bem na diretoria. Segundo fontes próximas ao clube, o presidente Sérgio Coelho foi visto em ligações telefônicas intensas após o jogo, um indicativo de preocupação com o momento do time. O tom de autocrítica de Cuca, aliado a críticas indiretas ao elenco, reforçou a percepção de que a relação entre treinador e jogadores está desgastada.
O técnico apontou que o elenco “pode jogar muito mais” e que não está conseguindo extrair a “essência de cada jogador”. Essa declaração foi vista como uma tentativa de dividir responsabilidades, mas acabou ampliando a pressão sobre ele. A diretoria, que esperava uma postura mais confiante, considera a entrevista um ponto de inflexão no ciclo de Cuca no clube.
🎥 #GaloTVAoVivo: confira a entrevista coletiva com o técnico Cuca: https://t.co/dxAIeOgxTr#CAMxCRU 🏴🏳️
— Atlético (@Atletico) August 28, 2025
Críticas ao desempenho do Atlético
O Atlético enfrentou dificuldades para converter sua superioridade em gols no primeiro tempo. Cuca destacou que o time criou chances, mas pecou na finalização: “Poderíamos ter saído na frente, criamos oportunidade de fazer o gol, pecamos nas finalizações.” O Cruzeiro, por outro lado, foi eficiente. Fabrício Bruno marcou um golaço de fora da área, descrito por Cuca como “atípico”, e Kaio Jorge aproveitou um escanteio para ampliar.
As falhas defensivas em bolas paradas voltaram a ser um problema recorrente. Cuca lamentou: “Mais uma vez, tomamos gol de bola parada, igual ao gol sofrido contra o Grêmio.” A torcida, frustrada, criticou jogadores como Júnior Alonso, apontado como responsável por uma falha no primeiro gol. As substituições também geraram polêmica, especialmente a saída de Gustavo Scarpa, que Cuca justificou pela necessidade de um jogador com maior chegada na área.
- Mudanças táticas questionadas:
- Saída de Scarpa para entrada de Reinier, buscando mais presença ofensiva.
- Retirada de Alan Franco para reforçar o meio-campo com Igor Gomes.
- Falta de opções no banco para reverter o placar.
- Pouca efetividade nas bolas paradas defensivas.
Histórico de dificuldades em casa
A derrota para o Cruzeiro marcou a quarta vez que o Atlético perdeu em casa em jogos de mata-mata na temporada, um contraste com o passado, quando o time era “imbatível” na Arena MRV, segundo Cuca. “O que acontecia no passado, quando éramos praticamente imbatíveis em casa, hoje estamos muito atrás nisso”, admitiu o treinador. Além do Cruzeiro, o Galo foi derrotado em casa pelo Grêmio e em outras competições, o que aumenta a pressão por resultados no jogo de volta.
O desempenho em casa tem sido um ponto de preocupação para a torcida. Nos últimos cinco jogos de mata-mata na Arena MRV, o Atlético venceu apenas uma vez. A falta de aproveitamento em momentos decisivos tem gerado críticas à preparação tática e à postura do time em jogos de alta intensidade.
Reações da torcida e diretoria
A torcida do Atlético manifestou insatisfação nas redes sociais, com críticas direcionadas a Cuca e a jogadores como Júnior Alonso. A hashtag #ForaCuca ganhou força após a coletiva, refletindo o descontentamento com o desempenho e as declarações do treinador. Alguns torcedores questionaram a falta de reforços no elenco, especialmente na zaga e no meio-campo, posições que Cuca já havia apontado como carências.
Nos bastidores, a diretoria avalia o cenário com cautela. A saída de Sérgio Coelho do vestiário em ligações telefônicas foi interpretada como um sinal de que decisões importantes podem estar próximas. Apesar disso, o clube ainda não se pronunciou oficialmente sobre o futuro de Cuca, mas o jogo de volta contra o Cruzeiro será crucial para definir sua permanência.
- Fatores que aumentam a pressão:
- Quatro derrotas em cinco jogos de mata-mata em casa.
- Declarações de Cuca que sugerem falta de confiança no elenco.
- Insatisfação da torcida com o desempenho em clássicos.
- Falta de reforços em posições-chave, como zaga e volância.
Confronto com o Cruzeiro no jogo de volta
O Atlético agora enfrenta o desafio de reverter a desvantagem de 2 a 0 no Mineirão, em 11 de setembro. O Cruzeiro, comandado por Leonardo Jardim, demonstrou organização tática e eficiência nas oportunidades criadas. Cuca reconheceu a força do adversário: “O Cruzeiro fez um golaço, gol atípico de zagueiro, numa bola despretensiosa.” A missão do Galo será neutralizar jogadores como Matheus Pereira e Kaio Jorge, que foram decisivos no primeiro jogo.
O histórico recente de Cuca contra o Cruzeiro não é favorável. Em 12 confrontos pelo Atlético, o treinador soma apenas três vitórias, três empates e seis derrotas. Apesar disso, jogadores como Guilherme Arana e Júnior Alonso expressaram confiança na possibilidade de reverter o placar, destacando a importância de corrigir erros defensivos e melhorar a finalização.
Perspectivas para o próximo jogo
Antes do confronto decisivo, o Atlético enfrenta o Vitória pelo Brasileirão, em 31 de agosto, em um jogo que pode servir para recuperar a confiança do elenco. Cuca destacou a necessidade de administrar o desgaste físico, já que o time disputa três competições simultâneas: “Temos que ter equilíbrio, calma, pensar bem no que fazer para domingo, na quarta temos uma decisão contra o Cruzeiro.” A pausa para a Data Fifa, após o jogo contra o Vitória, pode ser uma oportunidade para ajustes táticos e recuperação de jogadores lesionados, como Gabriel Menino e Guilherme Arana.
O treinador também mencionou a importância de encontrar a formação ideal: “Eu não tenho vergonha de dizer que ainda não encontrei a equipe titular.” A busca por um esquema tático eficiente será essencial para o jogo de volta, especialmente em um clássico onde a pressão será ainda maior.
- Estratégias para o jogo de volta:
- Reforçar a marcação em bolas paradas defensivas.
- Aproveitar a velocidade de jogadores como Tomás Cuello e Hulk.
- Ajustar o meio-campo para conter Matheus Pereira.
- Buscar maior efetividade nas finalizações.
- Gerenciar o desgaste físico com rodízio no elenco.
Clima nos bastidores e polêmicas
Além do desempenho em campo, o clássico foi marcado por um episódio extracampo. Após o jogo, Cuca discutiu com o dirigente do Cruzeiro, Paulo Pelaipe, no caminho para os vestiários. O treinador minimizou o ocorrido: “Pessoal tava comemorando com grito de Cruzeiro. Falei para tomarem cuidado, porque aquilo poderia desandar.” A rusga, embora breve, reflete o clima acirrado do confronto, que também envolveu provocações entre jogadores e torcidas ao longo da temporada.
O Atlético enfrenta um momento delicado, com a pressão sobre Cuca se intensificando. A combinação de resultados ruins, declarações controversas e a percepção de desgaste no comando técnico coloca o treinador em uma posição vulnerável. O jogo de volta no Mineirão será um teste decisivo não apenas para a campanha na Copa do Brasil, mas também para o futuro de Cuca no clube.







