Economia

Construtoras disparam na B3 após quedas da Selic e miram 2026

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Foto: dinheiro - Foto: Rmcarvalho/iStock.com

As ações de construtoras como Cyrela, Eztec e Moura Dubeux dispararam até 246% na bolsa brasileira após ciclos de corte na taxa Selic, segundo estudo da Rico Investimentos, que analisou o desempenho do setor em períodos de afrouxamento monetário entre 2005 e 2023. Com expectativas de novas reduções de juros a partir de 2026, o mercado imobiliário se prepara para um novo impulso, impulsionado por maior demanda por imóveis e custos de financiamento mais acessíveis. A pesquisa, conduzida pela analista Bruna Sene, destaca a sensibilidade do setor aos juros, com empresas de médio e alto padrão, como Cyrela, liderando os ganhos. No entanto, o cenário de 2023 mostrou perdas, o que levanta questões sobre a consistência dos resultados. O estudo foi divulgado em 28 de agosto de 2025, em São Paulo, e reflete a confiança do mercado em um ambiente de juros mais baixos, que estimula investimentos em renda variável.

O setor de construção civil, altamente dependente do crédito, reage rapidamente às mudanças na política monetária. A expectativa de cortes na Selic, que hoje está em 15%, anima investidores, já que juros menores reduzem o custo de financiamentos imobiliários e impulsionam a procura por imóveis. Especialistas apontam que o programa Minha Casa, Minha Vida e o Plano Empresário, com taxas subsidiadas entre 11% e 12%, têm sustentado o setor mesmo em cenários de juros elevados.

  • Cyrela (CYRE3): Líder em imóveis de médio padrão, com alta de 20,53% em 2025.
  • Eztec (EZTC3): Foco em São Paulo, com vendas 80% maiores no 3º trimestre de 2024.
  • Moura Dubeux (MDNE3): Recordes de vendas no Nordeste, atingindo R$ 1 bilhão.
  • Tenda (TEND3): Forte no segmento de baixa renda, com eficiência operacional.

Desempenho histórico do setor

O estudo da Rico analisou cinco ciclos de cortes na Selic (2005, 2009, 2011, 2016 e 2023) e revelou que o setor imobiliário apresentou ganhos expressivos em quatro deles. Em 2005, as ações de construtoras subiram, em média, 165,7% nos seis meses após o corte, enquanto em 2009 o salto foi de 133,3%. Já em 2011 e 2016, os avanços foram mais modestos, de 13,4% e 16,8%, respectivamente. O ciclo de 2023, no entanto, registrou perdas de 19,82% em seis meses, reflexo de um ambiente macroeconômico desafiador, com inflação persistente e restrições de crédito. Em 12 meses, os números foram ainda mais robustos em anos favoráveis: 246,4% em 2009 e 161,7% em 2005, mas com queda de 21,52% em 2023.

A mediana dos retornos, que reduz o impacto de extremos, confirma a tendência positiva. Em 2009, a mediana foi de 276,5% em 12 meses, enquanto em 2005 alcançou 161,7%. Em 2011 e 2016, os ganhos medianos foram de 27,8% e 21,1%, respectivamente, com 2023 registrando uma mediana negativa de -25,6%. Esses dados mostram que, apesar de oscilações, o setor tende a se beneficiar significativamente de cortes na Selic, especialmente em períodos de estabilidade econômica.

Fatores que impulsionam as construtoras

A relação entre a taxa Selic e o desempenho das construtoras é direta: juros altos encarecem o crédito, reduzem a demanda por imóveis e pressionam as margens das empresas. Quando a Selic cai, o custo de financiamento diminui, estimulando a compra de imóveis e novos lançamentos. Tales Barros, da W1 Capital, destaca que a possível queda de juros em 2026 pode reduzir as taxas médias de crédito, aumentar a procura e reprecificar ativos na bolsa. Além disso, programas governamentais como o Minha Casa, Minha Vida têm garantido fôlego ao setor, especialmente para construtoras voltadas à baixa renda, como Tenda e Cury.

  • Redução de custos: Juros menores diminuem o custo de financiamento das obras.
  • Demanda aquecida: Financiamentos mais acessíveis atraem mais compradores.
  • Reavaliação de ativos: Ações de construtoras ganham valor na bolsa.
  • Programas habitacionais: Subsídios do governo sustentam o segmento de baixa renda.

O Plano Empresário, com taxas entre 11% e 12%, tem sido um diferencial, permitindo que empresas financiem até 85% do custo de suas obras a valores abaixo do mercado. Isso reduz a dependência de empréstimos bancários diretos, que são mais sensíveis à Selic.

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dinheiro – Foto: gustavomellossa/Shutterstock.com

Empresas em destaque no mercado

Cyrela, Eztec e Moura Dubeux são as preferidas de analistas como Malek Zein, da Eleven Financial, devido à baixa alavancagem e margens sólidas. Cyrela, com foco no segmento de médio padrão, registrou alta de 20,53% em suas ações em 2025, beneficiada por uma gestão eficiente e lançamentos estratégicos. Eztec, com forte presença em São Paulo, viu suas vendas crescerem 80% no terceiro trimestre de 2024, impulsionadas por projetos de alto padrão. Moura Dubeux, atuante no Nordeste, alcançou vendas recordes de R$ 1 bilhão, consolidando sua liderança regional.

Tenda, focada em baixa renda, também se destaca pela eficiência operacional e geração de caixa. Apesar de algumas empresas, como MRV, enfrentarem desafios, como perdas de 34,9% em 2024, analistas do Bradesco BBI mantêm recomendações de compra para Tenda, Cury e Direcional, que se beneficiam diretamente do Minha Casa, Minha Vida. A diversificação de portfólio e a gestão de dívidas têm sido cruciais para o desempenho dessas empresas em um cenário de juros elevados.

Cenário para 2026

Com a Selic projetada para cair a partir de 2026, o setor imobiliário pode entrar em um novo ciclo de crescimento. A expectativa de inflação controlada e maior disponibilidade de crédito deve impulsionar a demanda por imóveis, especialmente no segmento de médio e alto padrão, que sofre mais com juros altos. No entanto, analistas alertam que o impacto pode ser menos intenso do que em ciclos anteriores, como 2005 e 2009, devido à maturidade do mercado e à saturação em algumas regiões, como São Paulo.

Malek Zein, da Eleven Financial, observa que o mercado imobiliário de São Paulo já está aquecido, mesmo sem contar os projetos do Minha Casa, Minha Vida. Ele sugere que as construtoras menos alavancadas, como Cyrela e Eztec, estão bem posicionadas para aproveitar o próximo ciclo de cortes, mas alerta que empresas com dívidas elevadas podem enfrentar dificuldades. A estabilidade fiscal e a continuidade de programas habitacionais serão determinantes para o sucesso do setor.

  • Inflação controlada: Reduz a pressão sobre os preços dos imóveis.
  • Crédito acessível: Facilita financiamentos para compradores e construtoras.
  • Gestão eficiente: Empresas com baixa alavancagem lideram o crescimento.
  • Mercado regional: Nordeste e Centro-Oeste mostram forte demanda.

Obstáculos e oportunidades

Apesar das perspectivas positivas, o setor enfrenta desafios. A Selic em 15% em 2025, o maior patamar em quase 20 anos, pressiona os custos de financiamento e reduz a velocidade de vendas, especialmente para imóveis de médio e alto padrão. A redução do saldo da poupança, principal fonte de crédito imobiliário via SBPE, também limita os recursos disponíveis. Em 2024, as cadernetas perderam R$ 100 bilhões, impactando a oferta de crédito.

Por outro lado, programas como o Minha Casa, Minha Vida têm mantido a demanda por imóveis de baixa renda, com construtoras como Tenda e Cury registrando resultados sólidos. A ampliação do prazo de financiamento da Caixa, de 360 para 420 meses, e o aumento do limite de financiamento para R$ 350 mil também impulsionam o segmento. A combinação de subsídios governamentais e uma possível queda de juros em 2026 cria um cenário promissor, mas exige cautela na gestão de estoques e dívidas.

Estratégias das construtoras

As construtoras têm se adaptado ao cenário de juros altos com estratégias de redução de endividamento e aumento de eficiência. Cyrela, por exemplo, reduziu sua dívida em 45% com financiamentos de construção e utiliza CRIs com custo médio de 13%. Eztec mantém estoques controlados, enquanto Moura Dubeux aposta em lançamentos no Nordeste, onde a demanda permanece aquecida. Tenda, por sua vez, foca em projetos rápidos e de alta rotatividade, garantindo margens saudáveis.

  • Controle de dívidas: Empresas reduzem alavancagem para minimizar impactos.
  • Lançamentos estratégicos: Foco em regiões com alta demanda, como o Nordeste.
  • Eficiência operacional: Otimização de custos e prazos de entrega.
  • Diversificação: Projetos para diferentes faixas de renda ampliam o mercado.

A combinação dessas estratégias tem permitido que o setor enfrente os desafios atuais e se prepare para um novo ciclo de crescimento. Com a expectativa de cortes na Selic, as construtoras que souberem equilibrar eficiência e inovação devem liderar o mercado em 2026.