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Drex na terceira fase: Como o Banco Central reformula o real digital

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Foto: DREX - foto: Saulo Ferreira Angelo/shutterstock.com

O Banco Central do Brasil, em evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) no dia 29 de agosto de 2025, detalhou os avanços do Drex, o real digital, que abandonou a tecnologia blockchain em sua terceira fase de desenvolvimento. Fábio Araújo, diretor do BC e responsável pelo projeto, destacou que a instituição optou por uma nova abordagem de tokenização de ativos, desvinculada da tecnologia de registro distribuído (DLT), para atender às exigências regulatórias e de privacidade do país. O movimento reflete a busca por uma solução que combine inovação com conformidade à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao sigilo bancário. A mudança gerou debates no mercado cripto, mas o BC reforça que o projeto está vivo e adaptado às necessidades brasileiras. O evento da ABBC, realizado em São Paulo, reuniu especialistas do setor financeiro para discutir o futuro das moedas digitais. A decisão de abandonar a blockchain visa oferecer maior controle e proteção de dados, mantendo a funcionalidade da moeda digital.

A reformulação do Drex marca um momento crucial para o projeto, que agora explora tecnologias alternativas para viabilizar transações seguras e eficientes. A terceira fase do projeto, iniciada em 2025, foca em testes práticos e ajustes na arquitetura tecnológica. Araújo enfatizou que o objetivo é criar um produto útil e acessível à população, respeitando as normas de privacidade já consolidadas no Brasil.

Nova abordagem do Drex

A decisão de abandonar a blockchain, segundo Fábio Araújo, foi motivada pela necessidade de alinhar o Drex às regulamentações brasileiras, especialmente a LGPD e as leis de sigilo bancário. A tecnologia DLT, embora segura, apresenta desafios relacionados à transparência excessiva, já que todas as transações são registradas em um sistema acessível a múltiplos participantes. O Banco Central busca uma alternativa que permita tokenização de ativos sem comprometer a privacidade dos usuários.

  • Privacidade como prioridade: A LGPD estabelece padrões rigorosos para proteção de dados, e o Drex deve garantir que informações pessoais não sejam expostas.
  • Sigilo bancário: A legislação brasileira impede a divulgação de transações financeiras sem autorização, o que exige uma tecnologia menos transparente que a blockchain.
  • Inovação tecnológica: O BC está desenvolvendo uma nova arquitetura que mantém as vantagens da tokenização, como agilidade e segurança, sem depender da DLT.

Essa mudança estratégica foi recebida com curiosidade pelo mercado, que agora aguarda detalhes sobre a nova tecnologia adotada. A tokenização, que permite representar ativos digitais de forma segura, é vista como o futuro das finanças, e o Brasil quer liderar essa tendência com uma solução própria.

Por que abandonar a blockchain?

A blockchain, amplamente associada às criptomoedas como o Bitcoin, é conhecida por sua segurança e descentralização. No entanto, sua transparência foi um obstáculo para o Drex. Durante as fases iniciais do projeto, iniciadas em 2022, o Banco Central identificou que a tecnologia DLT não atendia plenamente às exigências regulatórias brasileiras. A “caixa de vidro” da blockchain, como descrita por Araújo, tornava difícil garantir a privacidade exigida pela LGPD.

O diretor do BC explicou que a nova abordagem busca equilibrar inovação e conformidade. A tokenização fora da DLT permite maior controle sobre os dados, o que é essencial em um país com regulações robustas. Além disso, a mudança reduz a complexidade operacional, já que a blockchain exige infraestrutura descentralizada e consome recursos significativos.

  • Testes iniciais revelaram limitações: As duas primeiras fases do Drex, entre 2022 e 2024, mostraram que a blockchain não era ideal para o contexto brasileiro.
  • Custo operacional: A manutenção de uma rede DLT é cara e complexa, especialmente para um sistema de escala nacional.
  • Adaptação às normas: A nova tecnologia visa atender às exigências de sigilo e proteção de dados sem perder eficiência.

A decisão do BC também reflete uma tendência global. Outros bancos centrais, como os da Zona do Euro e da China, estão explorando soluções híbridas para suas moedas digitais, combinando elementos de blockchain com sistemas centralizados.

Terceira fase do Drex: O que esperar

O Drex está agora em sua terceira fase, com foco em testes práticos e no desenvolvimento de uma arquitetura que integre privacidade, segurança e funcionalidade. O Banco Central planeja realizar pilotos com instituições financeiras e fintechs para avaliar o desempenho da nova tecnologia. Esses testes, iniciados em 2025, devem durar até 2026, quando o BC espera lançar uma versão funcional do real digital.

Araújo destacou que o Drex será uma ferramenta complementar ao Pix, sistema de pagamentos instantâneos que já revolucionou o mercado financeiro brasileiro. Enquanto o Pix facilita transações rápidas, o Drex permitirá a tokenização de ativos, como contratos e títulos, abrindo novas possibilidades para o mercado financeiro.

  • Integração com o Pix: O Drex será projetado para operar em conjunto com o sistema de pagamentos instantâneos, ampliando suas funcionalidades.
  • Aplicações práticas: A tokenização pode ser usada em setores como agronegócio, imobiliário e finanças, permitindo a digitalização de ativos.
  • Testes com o mercado: Bancos e fintechs participarão de pilotos para garantir que o Drex atenda às necessidades do setor financeiro.
  • Cronograma: O BC planeja lançar uma versão inicial do Drex até o final de 2026, após os testes da terceira fase.

O projeto também busca engajar a população, oferecendo uma moeda digital que seja prática e acessível. A integração com carteiras digitais e aplicativos bancários será um dos focos, garantindo que o Drex seja fácil de usar no dia a dia.

Banco Central, economia
Banco Central – Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

Impacto no mercado financeiro

A reformulação do Drex tem gerado debates no setor financeiro, especialmente entre entusiastas de criptomoedas, que viam na blockchain uma oportunidade de descentralização. No entanto, o Banco Central argumenta que a nova abordagem é mais adequada ao contexto brasileiro, onde a regulação é um fator determinante. A tokenização sem DLT pode facilitar a adoção por instituições financeiras, que já operam sob normas estritas de compliance.

A mudança também abre espaço para inovações no mercado de ativos digitais. Com o Drex, o Brasil pode atrair investidores interessados em tokenização, especialmente em setores como o agronegócio, onde a digitalização de títulos pode agilizar transações. Além disso, a nova tecnologia pode reduzir custos operacionais para bancos e fintechs, que não precisarão manter redes descentralizadas.

  • Atração de investimentos: O Drex pode posicionar o Brasil como líder em inovação financeira na América Latina.
  • Facilidade para fintechs: A nova tecnologia deve ser mais simples de integrar aos sistemas existentes.
  • Competitividade global: O Brasil acompanha a tendência de moedas digitais, competindo com países como China e Suécia.

Desafios e próximos passos

A transição para uma nova tecnologia não está isenta de desafios. O Banco Central precisa garantir que a arquitetura do Drex seja robusta o suficiente para lidar com milhões de transações diárias, mantendo a segurança e a privacidade. Além disso, a comunicação com o público será essencial para explicar os benefícios do real digital e evitar desconfiança, especialmente após a mudança de tecnologia.

Outro desafio é a interoperabilidade com sistemas internacionais. Como o Drex será uma moeda digital soberana, o BC precisará alinhar sua tecnologia com padrões globais para facilitar transações internacionais. Parcerias com outros bancos centrais e instituições financeiras globais serão cruciais.

  • Escalabilidade: O sistema deve suportar o volume de transações de um país com mais de 200 milhões de habitantes.
  • Educação financeira: O BC planeja campanhas para esclarecer o público sobre o uso do Drex.
  • Interoperabilidade: A integração com sistemas globais é essencial para transações internacionais.

O Banco Central também está atento às inovações no mercado cripto. Embora o Drex não utilize blockchain, a experiência acumulada com a tecnologia DLT pode ser aplicada em outros projetos do BC, como a regulamentação de stablecoins e ativos digitais privados.

O futuro do real digital

O Drex representa um passo ousado do Brasil rumo à modernização do sistema financeiro. A decisão de abandonar a blockchain, embora controversa, reflete a prioridade do Banco Central em alinhar inovação com as exigências regulatórias do país. A nova tecnologia de tokenização promete oferecer uma solução segura, eficiente e acessível, que pode transformar a forma como os brasileiros lidam com dinheiro e ativos digitais.

O projeto está alinhado com a visão de um sistema financeiro mais digital e inclusivo. Com o sucesso do Pix, que já é usado por mais de 140 milhões de brasileiros, o Drex tem o potencial de consolidar o Brasil como líder em inovação financeira na América Latina. A terceira fase de testes será decisiva para definir o futuro do real digital e sua adoção em larga escala.