Fortaleza demite Renato Paiva após crise e apenas 20% de aproveitamento

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Renato Paiva Fortaleza Foto: Renato Paiva Fortaleza - Foto: Instagram

O Fortaleza anunciou a demissão do técnico Renato Paiva nesta terça-feira, 2 de setembro de 2025, após uma sequência de resultados ruins na Série A do Campeonato Brasileiro e a eliminação nas oitavas de final da Copa Libertadores. A decisão veio após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio, deixando o time cearense na 19ª posição da tabela, com apenas 15 pontos em 21 jogos. Paiva, que assumiu o comando em julho substituindo Juan Pablo Vojvoda, teve apenas uma vitória em 10 partidas, resultando em um aproveitamento de 20%. A crise no clube, marcada por protestos da torcida e dificuldades defensivas, culminou na saída do treinador português. A diretoria ainda não oficializou o anúncio, mas a informação foi confirmada por fontes próximas ao clube. O próximo jogo do Fortaleza será contra o Vitória, em casa, no dia 13 de setembro, pela 23ª rodada da Série A.

O Leão do Pici vive um momento delicado na temporada. A equipe, que já passou 11 rodadas na zona de rebaixamento, enfrenta a pressão de escapar da queda para a Série B. Paiva, contratado com a missão de reerguer o time, não conseguiu implementar um sistema de jogo eficiente, mesmo com reforços pedidos por ele, como o meia Lucas Crispim e o colombiano Yeison Guzmán. A decisão de afastar cinco jogadores, incluindo nomes como Deyverson e Zé Welison, também gerou controvérsias, mas não trouxe os resultados esperados em campo.

A torcida, insatisfeita com o desempenho, já havia protestado no aeroporto e na sede do clube após a eliminação na Libertadores para o Vélez Sarsfield. A diretoria, liderada por Marcelo Paz, agora busca um novo comandante para tentar reverter o cenário antes que a situação se torne irreversível. O Fortaleza tem 17 jogos restantes para alcançar a pontuação necessária para permanecer na elite do futebol brasileiro.

Reação da torcida e pressão no Pici

A saída de Renato Paiva reflete o momento de instabilidade no Fortaleza. A torcida, conhecida por sua paixão, demonstrou insatisfação em diversos momentos. Após a derrota para o Vélez, faixas e gritos de protesto marcaram a chegada do elenco ao aeroporto de Fortaleza.

  • Protestos no Pici: Torcedores organizados foram à sede do clube cobrar resultados e mudanças.
  • Clima tenso: As redes sociais do clube registraram críticas à diretoria e ao desempenho do time.
  • Apoio condicional: Apesar da pressão, alguns torcedores pediram união para evitar o rebaixamento. A relação de Paiva com a torcida nunca foi sólida. Mesmo com a promessa de trabalho intenso, o treinador enfrentou dificuldades para conquistar a confiança dos tricolores, especialmente após decisões como o afastamento de jogadores experientes.

A pressão sobre a diretoria também cresceu. Marcelo Paz, CEO da SAF do Fortaleza, enfrenta questionamentos sobre a escolha de Paiva e a demora em reagir à crise. A demissão de Juan Pablo Vojvoda, considerado um ídolo, já havia gerado críticas, e a falta de resultados com o novo treinador ampliou o descontentamento.

Desempenho de Paiva em números

O aproveitamento de Renato Paiva no Fortaleza foi um dos piores da história recente do clube. Em 10 jogos, o técnico acumulou apenas uma vitória, contra o Red Bull Bragantino, por 3 a 1, na Arena Castelão.

  • Estatísticas: Uma vitória, três empates e seis derrotas em 10 partidas.
  • Gols marcados: Apenas sete, média de 0,7 por jogo.
  • Gols sofridos: 16, média de 1,6 por partida, evidenciando fragilidade defensiva.
  • Aproveitamento: 20%, um dos mais baixos entre os técnicos da Série A em 2025. A defesa tricolor foi um dos principais problemas. O time sofreu gols em praticamente todos os jogos, com falhas recorrentes em bolas paradas e desatenção em momentos cruciais, como no pênalti cometido contra o Internacional. No ataque, a baixa eficiência em cruzamentos, com apenas 20,3% de acerto, dificultou a criação de jogadas ofensivas.

Decisões polêmicas e reformulação do elenco

Renato Paiva tentou impor sua filosofia de jogo, baseada em posse de bola e transições rápidas, mas enfrentou obstáculos. A decisão de afastar cinco jogadores — Deyverson, Zé Welison, Emmanuel Martínez, Rodrigo Santos e o goleiro Magrão — foi um marco de sua passagem.

  • Motivo do afastamento: Reduzir o elenco para facilitar treinamentos e dar espaço a novos reforços.
  • Impacto: A saída de jogadores experientes gerou críticas, mas Paiva negou que fosse por indisciplina.
  • Reforços: Chegadas de Lucas Crispim e Yeison Guzmán visavam fortalecer o meio-campo. Apesar das contratações, o time não encontrou consistência. Jogadores como Adam Bareiro, contratado por quase R$ 10 milhões, não renderam o esperado, enquanto Lucero, artilheiro em temporadas anteriores, viveu má fase. A falta de coordenação entre setores, especialmente nas laterais e no meio-campo, comprometeu o desempenho.

Contexto da crise tricolor

O Fortaleza já vivia um 2025 turbulento antes da chegada de Paiva. A demissão de Vojvoda, após mais de quatro anos de conquistas históricas, como classificações para a Libertadores, foi um choque. O time acumulava apenas 13 vitórias em 45 jogos na temporada, com a segunda pior defesa da Série A. A pressão por resultados imediatos caiu sobre Paiva, que enfrentou desfalques por lesões, como Moisés e Pochettino, e um elenco em baixa confiança. A eliminação na Libertadores, com uma derrota por 2 a 0 para o Vélez, agravou a crise, deixando o Brasileirão como única competição restante.

A diretoria tentou reforçar o elenco com nomes pedidos por Paiva, mas as contratações não surtiram efeito imediato. O Fortaleza agora enfrenta uma tabela desafiadora, com jogos contra adversários diretos na luta contra o rebaixamento, como Vitória e Sport. A projeção da UFMG aponta 74,5% de chance de queda, o que torna a missão do próximo técnico ainda mais complexa.

Próximos passos do Fortaleza

Com a saída de Paiva, o Fortaleza busca um novo treinador para liderar a reação na Série A. A diretoria ainda não anunciou nomes, mas especula-se que o clube possa optar por um técnico com experiência em reverter cenários de crise.

  • Jogo decisivo: O duelo contra o Vitória, no dia 13, é visto como uma “final” para sair do Z-4.
  • Interino: Léo Porto, do Sub-20, pode assumir temporariamente, como fez após a saída de Vojvoda.
  • Reforços: A janela de transferências, que fecha em breve, pode trazer novos jogadores. A torcida espera uma resposta rápida da diretoria. O Fortaleza tem 17 rodadas para alcançar cerca de 45 pontos, número considerado seguro contra o rebaixamento. A união entre elenco, comissão técnica e torcida será crucial para evitar a queda à Série B, algo que o clube não enfrenta desde 2018.

Perspectiva para o restante da temporada

O Fortaleza agora enfrenta um momento de reconstrução. A escolha do próximo treinador será determinante para definir o futuro do clube na elite. A diretoria, pressionada por resultados, deve agir com rapidez para evitar que a crise se aprofunde. O jogo contra o Vitória, na Arena Castelão, é uma oportunidade para recuperar a confiança da torcida e iniciar uma sequência positiva.

  • Foco imediato: Melhorar a organização defensiva e a eficiência no ataque.
  • Apoio da torcida: Paiva destacou a importância da união, mas vitórias são essenciais para lotar o Castelão.
  • Tabela acessível: Jogos contra adversários diretos podem definir a permanência na Série A. A história do Fortaleza em 2022, quando saiu da lanterna para a Libertadores, serve como inspiração. No entanto, o cenário atual exige mudanças drásticas e um trabalho coletivo para reverter as chances de rebaixamento.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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