O salário mínimo nacional está fixado em R$ 1.621 por mês desde 1º de janeiro de 2026, após o encerramento do ciclo de projeções que havia estimado o piso em R$ 1.631 no segundo semestre do ano anterior sobre a base antiga de R$ 1.518. Com o valor atual em vigor nos contracheques de trabalhadores formais e nos pagamentos de aposentados, o governo federal já estabeleceu as estimativas para 2027 no Congresso Nacional. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), conjunto de regras que orienta a elaboração das contas públicas, previu inicialmente um piso de R$ 1.717, cifra que foi atualizada para R$ 1.741 no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027.
As atualizações das peças orçamentárias são coordenadas pelo Ministério do Planejamento e Orçamento e pelo Ministério da Fazenda, afetando a renda de 59,9 milhões de pessoas que têm seus vencimentos vinculados ao piso nacional. Na proposta da LDO entregue ao Legislativo em 15 de abril de 2026, o cálculo indicava um acréscimo mensal de R$ 96, equivalente a 5,9% sobre os atuais R$ 1.621. Já a revisão enviada em 31 de agosto de 2026 no PLOA pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e detalhada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, ampliou a previsão de reajuste para R$ 120 por mês, o que representa alta nominal de 7,4%.
O pagamento com o valor vigente em 2026 começou a ser depositado nos salários de fevereiro, referentes aos dias trabalhados em janeiro, mesmo cronograma que será aplicado quando o novo piso de 2027 entrar em vigor. A política federal de recomposição da renda mínima tem três objetivos centrais na administração pública:
- Preservar a estabilidade do poder de compra das famílias de baixa renda;
- Impulsionar a atividade econômica por meio da ampliação da massa salarial;
- Definir a base de pagamento para benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas.
Fórmula da lei de valorização e limites do arcabouço fiscal
A definição dos valores anuais segue a regra permanente da Lei de Valorização do Salário Mínimo, sancionada em agosto de 2023 e combinada às normas do arcabouço fiscal estabelecidas em 2024. O modelo determina que a correção anual incorpore a inflação acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador que calcula o custo de vida para famílias com renda de um a cinco salários mínimos.
Ao índice inflacionário soma-se a taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, consolidada dois anos antes. Pela limitação do arcabouço fiscal, o ganho real acima da inflação fica restrito ao teto de 2,5% ao ano, e, caso o PIB registre retração, o reajuste repõe apenas o INPC.
Participação do Produto Interno Bruto e metas inflacionárias
O resultado positivo da atividade econômica é o componente que assegura o ganho real aos trabalhadores, fazendo com que o piso evolua acima da simples recomposição de preços. Enquanto o planejamento para o exercício de 2026 utilizou o crescimento do PIB de 2024 sob o limite de 2,5% e previu expansão econômica de 2,44% com inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,60%, o cálculo de 2027 adota novos parâmetros.
Para chegar à estimativa de R$ 1.741 em 2027, a equipe econômica contabilizou o crescimento de 2,3% do PIB registrado em 2025 somado a uma projeção de 4,93% para o INPC no período de referência. Na mesma peça orçamentária, o Executivo projeta que a economia crescerá 2,46% em 2027, com inflação oficial estimada também em 3,6% ao ano.
Despesas do INSS e impacto nas contas da União
A alteração anual do salário mínimo repercute diretamente nas despesas obrigatórias da União, sobretudo nos pagamentos realizados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Aposentadorias, pensões por morte, auxílio-doença e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, não podem ter valor inferior ao piso nacional de R$ 1.621 em 2026.
De acordo com os cálculos orçamentários do governo federal, cada R$ 1 acrescentado ao salário mínimo gera uma despesa adicional de aproximadamente R$ 413,2 milhões por ano aos cofres públicos. Com isso, a elevação da estimativa de R$ 1.717 na LDO para R$ 1.741 no PLOA — uma diferença de R$ 24 — representa uma pressão extra de R$ 9,9 bilhões nos gastos obrigatórios previstos para 2027.
Diferenças entre as estimativas e a consulta aos valores
A variação entre os R$ 1.631 projetados em 31 de outubro de 2025 — quando se estimava alta de R$ 113 ou 7,44% — e os R$ 1.621 efetivados em janeiro de 2026 ocorreu porque o cálculo final depende do índice real de inflação fechado no fim do ano. O mesmo procedimento vale para a diferença entre a LDO e o PLOA de 2027, que pode sofrer novo ajuste antes da assinatura do decreto presidencial.
- Salário mínimo em vigor em 2026: R$ 1.621,00;
- Estimativa inicial da LDO para 2027: R$ 1.717,00 (aumento de R$ 96,00 ou 5,9%);
- Projeção revisada no PLOA para 2027: R$ 1.741,00 (aumento de R$ 120,00 ou 7,4%).
Parâmetros de juros, câmbio e resultado primário no Orçamento
Para acomodar o crescimento das despesas obrigatórias dentro das regras fiscais, o planejamento de 2026 foi estruturado com meta de superávit primário de 0,25% do PIB, taxa básica de juros (Selic) projetada em 13,11% e câmbio médio de R$ 5,76. Já na proposta orçamentária enviada para 2027, o governo trabalha com receitas líquidas de R$ 2,849 trilhões e despesas totais de R$ 2,83 trilhões, prevendo superávit primário de R$ 18,6 bilhões no Governo Central, ou R$ 83,4 bilhões para fins de cumprimento da meta após as exclusões legais de R$ 64,8 bilhões.
O texto de 2027 estima ainda uma taxa Selic média de 12,53% ao ano e dólar médio de R$ 5,22. O valor definitivo do salário mínimo que substituirá os atuais R$ 1.621 será oficializado apenas em dezembro de 2026, após a divulgação do INPC acumulado até novembro, e segurados podem consultar os extratos atualizados pelo aplicativo Meu INSS ou pela central telefônica 135.
