Yago Dora brilha em Fiji e conquista título mundial da WSL em 2025
Molly Picklum, australiana de 22 anos, e Yago Dora, brasileiro de 29, sagraram-se campeões mundiais de surfe na WSL Finals 2025, realizada em Cloudbreak, Fiji, no dia 1º de setembro. Picklum venceu a americana Caroline Marks em uma emocionante melhor de três, enquanto Dora superou Griffin Colapinto em uma única bateria decisiva. O evento, marcado por ondas desafiadoras de até 12 pés, coroou a consistência de ambos, que lideraram o ranking da temporada regular. A conquista de Dora reforça a hegemonia brasileira, com oito títulos em 11 anos, enquanto Picklum se torna a primeira australiana campeã desde 2022. A competição destacou o talento de uma nova geração e a força do surfe em condições extremas.
A final feminina foi um espetáculo de resiliência. Picklum, após perder a primeira bateria, encontrou seu ritmo e dominou as duas seguintes com tubos impressionantes. No masculino, Dora aproveitou a prioridade como líder do ranking para escolher as melhores ondas, garantindo a vitória com um surfe técnico e agressivo.
- Destaques da competição:
- Picklum venceu com scores de 15.83 e 16.93 nas baterias finais.
- Dora assegurou o título com um 8.33 em uma esquerda memorável.
- Italo Ferreira, outro brasileiro, foi eliminado na segunda rodada.
- Condições em Cloudbreak variaram entre 8 e 12 pés, testando os atletas.
Desempenho dominante de Yago Dora
Yago Dora, nascido em Curitiba e radicado em Florianópolis, chegou a Fiji como favorito, vestindo a lycra amarela de líder do ranking. Sua trajetória na temporada regular foi marcada por consistência, com destaque para uma semifinal em Pipeline e uma vitória no Surf Abu Dhabi Pro. Na final contra Griffin Colapinto, Dora demonstrou controle absoluto, escolhendo ondas com potencial para manobras de alto impacto. Sua nota de 8.33, conquistada em uma esquerda longa e bem trabalhada, foi o ponto alto da bateria, que terminou com um somatório de 15.66 contra 12.33 do americano.
O brasileiro, que já havia enfrentado lesões graves no passado, celebrou a conquista ao lado da família e da namorada, em uma embarcação próxima ao pico de Cloudbreak. A vitória não apenas marcou sua primeira coroação mundial, mas também consolidou o Brasil como potência no surfe profissional, com mais um título para a “Brazilian Storm”. Dora destacou a energia especial que sentiu em Fiji, um local conhecido por suas ondas perfeitas e desafiadoras.
- Momentos-chave da final masculina:
- Dora abriu com uma nota 7.33, estabelecendo ritmo.
- Colapinto respondeu com 6.33, mas não encontrou a onda decisiva.
- A estratégia de Dora focou em tubos e manobras aéreas.
- Condições de maré cheia favoreceram o brasileiro.
Sras E Srs: OS CAMPEÕES MUNDIAIS DE 2025! 🤩🏆
— WSL Brasil 🇧🇷 (@WSLBrasil) September 2, 2025
Yago Dora e Molly Picklum 👏🏼💛#WSLBrasil #BrasilNoWSLFinals #WSLFinalsFiji pic.twitter.com/48H6Nj31Mw
Molly Picklum reverte desvantagem
Molly Picklum, de Gosford, Austrália, enfrentou um desafio maior em sua campanha. Como número 1 do ranking, ela tinha a vantagem de entrar diretamente na final, mas foi surpreendida por Caroline Marks na primeira bateria, com um placar de 12.50 a 10.50. A australiana, no entanto, mostrou resiliência. Na segunda bateria, encontrou um tubo perfeito, garantindo um 8.83 que a levou a uma vitória de 15.83 contra 8.03. Na bateria decisiva, Picklum não deu chances à adversária, postando um somatório de 16.93 com outro tubo de 8.83, enquanto Marks, exausta após sete baterias no dia, marcou apenas 6.24.
A virada de Picklum foi celebrada como um marco para o surfe feminino australiano, que não via uma campeã mundial desde Stephanie Gilmore em 2022. Sua habilidade em tubos, desenvolvida nas ondas pesadas da costa de Nova Gales do Sul, foi determinante para o sucesso em Cloudbreak.
Caminho até a final
O formato do WSL Finals, disputado em um único dia, coloca os cinco melhores ranqueados em uma série de confrontos eliminatórios. No masculino, Italo Ferreira abriu o dia derrotando Jack Robinson por 14.33 a 5.83, com uma combinação de manobras aéreas e tubos. Na segunda rodada, porém, Ferreira foi superado por Colapinto, que avançou até a final após vencer Jordy Smith. No feminino, Caroline Marks enfrentou uma maratona, eliminando Bettylou Sakura Johnson, Caitlin Simmers e Gabriela Bryan antes de chegar à decisão contra Picklum.
- Estrutura do WSL Finals:
- Top 5 masculino e feminino competem em confrontos diretos.
- O número 1 do ranking entra direto na final.
- Outros competidores disputam rodadas eliminatórias.
- A final é decidida em uma única bateria (homens) ou melhor de três (mulheres).
Impacto para o surfe brasileiro
A vitória de Yago Dora reforça a força da “Brazilian Storm”, movimento que transformou o Brasil em uma potência do surfe mundial. Desde 2014, o país conquistou oito dos últimos 11 títulos masculinos, com nomes como Gabriel Medina, Filipe Toledo, Adriano de Souza e Italo Ferreira. Dora, com seu estilo técnico e progressivo, representa a evolução dessa geração, combinando tubos profundos com manobras aéreas.
A conquista também tem um peso emocional. O pai de Yago, Leandro Dora, técnico de surfe, optou por não treinar adversários do filho durante o evento, demonstrando apoio incondicional. A celebração em Fiji, com a presença da família, destacou o lado humano do atleta, que superou uma grave lesão no pé em 2017 para alcançar o topo.
Ascensão de Molly Picklum
Molly Picklum, aos 22 anos, consolidou-se como uma das maiores promessas do surfe feminino. Sua temporada foi marcada por duas vitórias no circuito (Rio Pro e Tahiti Pro) e apenas um resultado fora do top 5. Em Cloudbreak, ela demonstrou versatilidade, alternando entre tubos profundos e manobras agressivas no lip da onda. Sua vitória sobre Caroline Marks, atual medalhista olímpica, reforça seu potencial para dominar o circuito nos próximos anos.
A australiana também é um símbolo de renovação. Após a aposentadoria temporária de Stephanie Gilmore e Carissa Moore, o surfe feminino precisava de novas estrelas. Picklum, junto com Caitlin Simmers e Bettylou Sakura Johnson, representa essa nova geração, capaz de competir em ondas pesadas como Pipeline e Teahupo’o.
- Fatores do sucesso de Picklum:
- Consistência com dois títulos na temporada regular.
- Habilidade em tubos, desenvolvida em ondas pesadas.
- Estratégia agressiva nas baterias finais.
- Apoio do técnico Mitch Ross entre as baterias.
Cloudbreak como palco ideal
Cloudbreak, com suas esquerdas longas e tubulares, foi o cenário perfeito para o WSL Finals 2025. A previsão de ondas de 8 a 12 pés, com períodos de 14 a 16 segundos, entregou condições épicas, especialmente na maré seca, quando as ondas ganharam formação ideal. A escolha do local, após anos em Lower Trestles, favoreceu surfistas com experiência em tubos, como Dora e Picklum.
O evento também marcou o retorno de Fiji ao calendário da WSL após sete anos. A decisão de realizar o Finals em Cloudbreak foi elogiada por atletas e fãs, que destacaram a emoção de competir em um dos picos mais icônicos do mundo. A transmissão ao vivo, com imagens aéreas e comentários de Kelly Slater, elevou a experiência para o público global.
- Características de Cloudbreak:
- Esquerdas longas com seções tubulares e paredes para manobras.
- Ondas de 8 a 12 pés durante o evento.
- Melhor formação na maré seca.
- Desafio técnico para leitura de linha e escolha de ondas.
Reações e celebrações
A conquista de Yago Dora foi celebrada com entusiasmo no Brasil. Em Florianópolis, onde o surfista vive, eventos comunitários reuniram fãs para assistir à final. Nas redes sociais, mensagens de apoio vieram de nomes como Gabriel Medina e Neymar, que destacaram a importância do título para o esporte brasileiro. Em Gosford, o North Shelly Boardriders, clube onde Picklum começou, organizou uma festa para homenagear a nova campeã.
A vitória dupla de Dora e Picklum também reacendeu o debate sobre o futuro do surfe profissional. Com novos talentos emergindo e locais como Cloudbreak voltando ao circuito, a WSL parece estar entrando em uma nova era de competitividade e espetáculo.
Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.
