Independiente rejeita eliminação da Sul-Americana e acusa Conmebol de favorecimento e pede devolução de troféusPor Thiago Lemos
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A violência entre torcedores marcou o jogo entre Independiente e Universidad de Chile, em 20 de agosto, no Estádio Libertadores de América, em Avellaneda, Argentina, resultando na exclusão do clube argentino da Copa Sul-Americana 2025. A Conmebol anunciou a decisão em 4 de setembro, classificando a La U para as quartas de final, após uma briga generalizada que deixou 19 feridos e mais de 90 detidos. O Independiente emitiu uma nota contundente contra a entidade, acusando-a de injustiça e exigindo a retirada de referências ao clube em seu museu. A confusão, iniciada no intervalo do jogo, envolveu atos de vandalismo por torcedores chilenos e uma reação violenta dos argentinos, que invadiram o setor visitante. Ambas as equipes receberam punições severas, incluindo multas e jogos sem torcida, enquanto o caso gera debates sobre segurança e justiça no futebol sul-americano.
O confronto, válido pelas oitavas de final, foi suspenso no início do segundo tempo, com o placar em 1 a 1. A La U vencia o agregado por 2 a 1, após vitória por 1 a 0 no jogo de ida, em Santiago. A decisão da Conmebol gerou revolta no Independiente, que classificou a eliminação como um “precedente nefasto”, sugerindo que a violência foi premiada com a classificação dos chilenos.
- Principais desdobramentos do caso:
- Cancelamento do jogo por falta de segurança.
- Eliminação do Independiente e avanço da La U às quartas.
- Multas de US$ 250 mil ao Independiente e US$ 270 mil à La U.
- Sete jogos sem torcida para ambos os clubes em competições da Conmebol.
Reação do Independiente à punição
A nota oficial do Independiente, publicada em 4 de setembro, expressou indignação contra a Conmebol, especialmente contra o presidente Alejandro Domínguez. O clube, maior campeão da Libertadores com sete títulos, acusou a entidade de tomar uma decisão política que favorece estruturas privadas, como a Universidad de Chile, que opera como sociedade anônima. O Independiente argumentou que a punição ignora o mérito esportivo, já que estava em condições de reverter o placar antes da interrupção do jogo.
A instituição também destacou sua história centenária e criticou a Conmebol por desrespeitar os valores do futebol sul-americano. Em um tom firme, exigiu a devolução de itens do clube expostos no Museu da Conmebol, em Assunção, Paraguai, como troféus e memorabilia, afirmando que não aceita a exibição de sua história em um ambiente que contradiz seus princípios.
O Independiente já identificou e baniu permanentemente 25 torcedores envolvidos na confusão, reforçando seu compromisso com a segurança. A diretoria também alega que a organização do jogo seguiu as normas da Conmebol, mas a ausência de policiais no setor visitante, determinada pela entidade, contribuiu para a escalada da violência.
Compartimos con nuestras socias, socios e hinchas la nota que el Club Atlético Independiente le presentó hoy al Presidente de la CONMEBOL, Alejandro Domínguez. pic.twitter.com/CG4WMGM6mZ
— C. A. Independiente (@Independiente) September 5, 2025
Detalhes da confusão em Avellaneda
O confronto entre torcedores começou no intervalo, quando torcedores da Universidad de Chile incendiaram objetos e arremessaram cadeiras contra a torcida local. Em resposta, torcedores do Independiente romperam o cordão de segurança e invadiram o setor visitante, resultando em cenas brutais de agressão. Vídeos divulgados mostram torcedores chilenos encurralados, alguns despidos e outros feridos, com um torcedor caindo da arquibancada ao tentar escapar.
- Impactos imediatos do incidente:
- 19 torcedores feridos, dois em estado grave, internados em hospitais de Avellaneda.
- Mais de 90 detenções, majoritariamente de torcedores chilenos.
- Danos materiais ao Estádio Libertadores de América, incluindo cadeiras quebradas e setores vandalizados.
- Cancelamento definitivo do jogo após uma hora de paralisação.
A Universidad de Chile classificou o episódio como um dos mais violentos da história do futebol, exigindo punições rigorosas aos responsáveis pela organização e aos agressores. O clube chileno também destacou a falta de proteção policial, que deixou seus torcedores vulneráveis.
Punições aplicadas pela Conmebol
A decisão da Conmebol, anunciada após reuniões com representantes dos dois clubes em 2 de setembro, foi baseada no Código Disciplinar da entidade. O Independiente foi eliminado por violar artigos relacionados à segurança e responsabilidade do clube mandante. Além da exclusão, a equipe argentina enfrentará sete jogos com portões fechados como mandante e outros sete sem torcida como visitante em competições futuras da Conmebol. A multa aplicada ao clube totaliza US$ 250 mil, a ser descontada de direitos de transmissão.
A Universidad de Chile, embora classificada para enfrentar o Alianza Lima nas quartas, também recebeu sanções. O clube chileno foi multado em US$ 270 mil e ficará sem torcida por sete jogos em casa e fora, em torneios da Conmebol. Ambos os clubes devem exibir um cartaz com a mensagem “Basta de racismo, discriminação e violência” em seus próximos jogos e publicar o mesmo conteúdo em redes sociais, como parte de uma campanha contra a violência no futebol.
- Sanções detalhadas:
- Independiente: Eliminação, multa de US$ 250 mil, sete jogos sem torcida em casa e fora.
- Universidad de Chile: Multa de US$ 270 mil, sete jogos sem torcida em casa e fora.
- Ambos: Exibição de mensagem contra violência e campanhas nas redes sociais.
- Prazo de sete dias para recurso na Comissão de Apelação da Conmebol.
Repercussão e investigações em curso
A violência em Avellaneda gerou reações além dos clubes. O presidente do Chile, Gabriel Boric, pronunciou-se sobre o caso, lamentando as agressões sofridas por torcedores chilenos e cobrando providências. A promotoria de Buenos Aires, liderada por Mariano Zitto, investiga os incidentes, tratando alguns casos como tentativa de homicídio. Zitto criticou o Independiente por divulgar informações sobre torcedores antes do Ministério Público, o que pode ter comprometido a investigação.
A ausência de policiais no setor visitante, decisão atribuída à Conmebol, foi um ponto central de críticas. O Independiente alega que alertou a entidade sobre a necessidade de suspender o jogo no intervalo, mas a ordem para continuar veio de Assunção. A Agência de Prevenção à Violência no Esporte (Aprevide) solicitou a interdição do Estádio Libertadores de América para exames forenses, impactando jogos do clube no campeonato argentino.
Histórico de violência no futebol sul-americano
Incidentes como o de Avellaneda não são inéditos. Em 2025, a Conmebol já havia enfrentado um caso semelhante, quando o jogo entre Colo-Colo e Fortaleza, pela Libertadores, foi interrompido por conflitos. Na ocasião, o Fortaleza foi declarado vencedor, e o Colo-Colo sofreu punições. A diferença, segundo especialistas, é que o confronto em Avellaneda envolveu culpa compartilhada, dificultando a decisão da Conmebol.
- Casos semelhantes na Conmebol:
- Colo-Colo x Fortaleza (2025): Jogo interrompido, Fortaleza declarado vencedor.
- Boca Juniors x River Plate (2018): Final da Libertadores transferida para Madrid após violência.
- Corinthians x Vasco (2019): Multas e jogos sem torcida por brigas no Brasileirão.
A decisão da Conmebol de excluir apenas o Independiente, mantendo a La U na competição, reacendeu debates sobre a consistência das punições. Especialistas apontam que a entidade busca coibir a violência, mas enfrenta desafios para equilibrar justiça esportiva e segurança.
Próximos passos na competição
Com a eliminação do Independiente, a Universidad de Chile enfrentará o Alianza Lima nas quartas de final, em jogos marcados para 18 e 25 de setembro. A La U, que venceu o jogo de ida por 1 a 0, agora busca avançar no torneio, mas terá que lidar com a ausência de torcida em seus próximos compromissos. O Independiente, por sua vez, foca na possibilidade de recorrer da decisão e na reconstrução de sua imagem após o episódio.
A controvérsia em Avellaneda expõe a fragilidade da segurança em grandes eventos esportivos e reforça a necessidade de medidas mais eficazes para prevenir a violência. A Conmebol, pressionada por clubes e torcedores, enfrenta o desafio de manter a credibilidade enquanto lida com um caso que chocou o futebol sul-americano.







