Em entrevista no GNT, Cissa Guimarães desabafa sobre drogas, julgamentos e morte do filho Rafael

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Cissa Guimarães Foto: Cissa Guimarães - Foto: Instagram

Cissa Guimarães, atriz e apresentadora de 68 anos, abriu o coração em entrevista ao programa Admiráveis Conselheiras, do canal GNT, exibido em 5 de setembro de 2025, no Rio de Janeiro. Comandada por Astrid Fontenelle, a conversa ocorreu no apartamento da artista na Gávea, zona sul da cidade, e abordou experiências pessoais profundas, como o uso de substâncias na juventude, os julgamentos sofridos após a prisão de seu ex-marido Paulo César Pereio em 1994 por inadimplência de pensão alimentícia, e a morte trágica de seu filho caçula, Rafael Mascarenhas, atropelado aos 18 anos em 2010. A atração, que celebra mulheres acima de 60 anos, destacou a resiliência de Cissa ao transformar dores em lições de vida, motivada pela busca por autoconhecimento e pela memória afetiva de familiares. O episódio, disponível também no Globoplay, gerou repercussão imediata nas redes sociais, com espectadores elogiando a franqueza da apresentadora do Sem Censura, da TV Brasil.

Astrid Fontenelle iniciou o papo explorando a juventude de Cissa, período marcado por experimentações que moldaram sua visão interior. A atriz, nascida em 1957 no Rio, cresceu em uma era de efervescência cultural, onde o rock e as contraculturas influenciavam gerações. Ela descreveu como essas vivências a ajudaram a navegar por questionamentos pessoais, sem romantizar ou julgar o passado.

  • A maconha surgiu como a substância mais recorrente, levando a reflexões profundas dependendo do contexto e da companhia.
  • Drogas lisérgicas, usadas aos 17 anos, proporcionaram “viagens” internas intensas, com a maioria das experiências positivas e transformadoras.
  • Uma única ocasião negativa, ou “bad”, destacou os riscos, mas reforçou a importância da juventude para tais explorações.
  • Hoje, Cissa enfatiza que o autoconhecimento vem da fé em si mesmo, sem necessidade externa, permitindo encarar “monstros internos”.

Cissa, que começou a carreira no teatro em 1977 com a peça Dor de Amor e ganhou fama no Vídeo Show da Globo entre 1986 e 2001, usou essas revelações para ilustrar sua evolução. Formada em Química pela UFRJ, ela equilibrou a vida artística com responsabilidades familiares, incluindo a criação de três filhos como mãe solo após separações.

Experiências com substâncias e lições de autodescoberta

A conversa mergulhou nos anos 1970, quando Cissa, ainda adolescente, experimentava o mundo ao redor. O Rio de Janeiro fervilhava com movimentos culturais, e a atriz integrou-se a esse cenário, buscando respostas para inquietações pessoais. Ela explicou que a maconha, em particular, facilitava um olhar introspectivo, variando conforme o ambiente e as pessoas envolvidas. “Dependendo do momento e com quem você esteja fazendo”, disse, destacando como isso a conectava a camadas emocionais profundas.

Na adolescência, as drogas lisérgicas entraram em cena, aos 17 anos, promovendo jornadas internas que ela descreveu como “viagens reais”. Essas experiências, repetidas várias vezes, foram em grande parte benéficas, ajudando a processar questões existenciais. Cissa admitiu uma farra isolada que saiu errada, mas atribuiu isso à imaturidade, comum na juventude. O episódio serviu de alerta, sem amargura.

Com o tempo, sua perspectiva mudou. Aos 68 anos, Cissa afirma que mergulhos internos não demandam auxílios externos. A fé própria e a coragem para enfrentar sombras pessoais bastam, eliminando a necessidade de substâncias. Essa visão reflete sua maturidade, influenciada por terapia e espiritualidade, especialmente após perdas familiares. Ela, que posou nua para a Playboy em 1994 e para a Sexy em 2005, sempre defendeu a liberdade corporal e mental, mas prioriza agora a clareza emocional.

Astrid explorou como essas vivências impactaram a carreira de Cissa, que atuou em novelas como O Clone (2001) e Salve Jorge (2012), além de apresentar o É de Casa de 2015 a 2021. A atriz creditou parte de sua empatia profissional a essas explorações passadas, que a tornaram mais aberta em entrevistas no Sem Censura.

Julgamentos e hostilidade após a prisão de Pereio

Paulo César Pereio, casado com Cissa de 1975 a 1990, foi preso em 1994 por não pagar pensão aos filhos Tomás e João Velho, então com 12 e 10 anos. A atriz, que sustentava sozinha os três filhos – incluindo Rafael, do segundo casamento com Raul Mascarenhas –, enfrentou repercussão negativa intensa. Ela detalhou como segurou despesas por anos, enquanto Pereio, ator icônico em filmes como O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1979), priorizava projetos pessoais e uma nova relação.

Cissa viajou para o interior para pagar mensalidades escolares atrasadas em quatro meses, só para ver Pereio bebendo uísque em um bar com a companheira grávida. Isso a levou a acionar a Justiça via advogada, sua prima. “Ele estava trabalhando, podia ajudar com os dois filhos dele”, justificou, negando ter colocado alguém na cadeia diretamente. A polícia o prendeu, e Cissa sofreu ataques: quase agredida por mulheres nas ruas, criticada por uma colunista que a acusou de prender um “ícone cultural”, e vaiada por fãs de Pereio na porta da prisão.

Esses episódios expuseram o machismo da época, onde mães solo lutavam por direitos básicos. Cissa, contratada pela Globo, equilibrou carreira e família, mas o julgamento social a marcou. Pereio, falecido em 2024 aos 83 anos, manteve contato esporádico; Cissa o homenageou como pai dos filhos e mentor cultural.

A atriz refletiu sobre o estigma das pensões, raro nos anos 1990, e como isso fortaleceu sua independência. Tomás, nascido em 1982, e João Velho, ator em produções como A Força do Querer (2017), cresceram sob sua orientação, inspirando sua resiliência.

  • Mulheres a hostilizaram nas ruas, vendo-a como vilã por cobrar responsabilidades paternas.
  • Uma jornalista influente publicou críticas, questionando sua atitude contra um símbolo artístico.
  • Fãs de Pereio protestaram na prisão, gritando seu nome e ignorando o contexto familiar.
  • Cissa enfatizou ser mãe solo de três, segurando tudo sozinha apesar dos contratos dele.

A dor da perda de Rafael e mensagens espirituais

Rafael Mascarenhas, nascido em 1991 do casamento com Raul Mascarenhas (1990-1994), morreu em 20 de julho de 2010, atropelado no Túnel Acústico, na Gávea, enquanto skatava com amigos. O local, interditado para manutenção, foi palco de um racha; Rafael de Souza Bussamra, 25 anos, dirigia a mais de 100 km/h e fugiu sem socorro. Seu pai, Roberto Bussamra, subornou PMs por R$ 10 mil para adulterar provas, levando à condenação em 2015 – reduzida após recursos, com prisão em 2023.

Cissa rejeita o termo “perda”, dizendo: “Eu nunca perdi. Perdi só o físico”. Para ela, Rafael ensinou lições eternas de amor e aceitação. Ela recebe “mensagens” dele em situações inusitadas: fotos de desconhecidos em shows antigos, ou DMs no Instagram como “Eu tirei uma foto sua com seu filho”. Essas sincronicidades a emocionam, reforçando sua presença espiritual.

O luto transformou Cissa; ela visita o Túnel Rafael Mascarenhas semanalmente há 15 anos, deixando flores. Em 2023, celebrou a prisão dos Bussamras como vitória contra impunidade, mas lamentou a falta de pedido de perdão. “Queria um perdão, acho que perdoaria”, disse ao Fantástico. O Instituto Rafael Mascarenhas promove cultura e segurança no trânsito, honrando seu legado como músico promissor.

A família, incluindo netos José, Aurora e Filipa, e os filhos Tomás e João, apoia Cissa. Ela credita a eles a força para seguir, transformando dor em gratidão pelos 18 anos compartilhados.

Reflexões sobre maternidade solo e legado familiar

Sustentar três filhos após divórcios moldou Cissa como mulher forte. Do primeiro casamento, Tomás e João; do segundo, Rafael. O terceiro, com médico João Baptista Figueira de Mello (1994-2000), não gerou filhos. Como mãe solo, enfrentou atrasos financeiros, mas priorizou educação e afeto.

  • Tomás, nascido em 1982, seguiu carreira discreta, apoiando a mãe em eventos.
  • João Velho, 1984, ator em novelas como Amor à Vida (2013), herdou o talento familiar.
  • Rafael, guitarrista talentoso, inspirou o instituto que beneficia jovens artistas.

Cissa, desligada da Globo em 2021 após 41 anos, encontrou propósito no Sem Censura. Sua peça Doidas e Santas, em turnê há 15 anos, reflete empoderamento feminino. A entrevista no GNT reforçou seu papel como voz inspiradora, misturando vulnerabilidade e otimismo.

Astrid Fontenelle anotou conselhos de Cissa em um caderno, como abraçar o tempo sem brigas. A segunda temporada de Admiráveis Conselheiras inclui Irene Ravache e Regina Casé, celebrando trajetórias semelhantes.

Influências culturais e carreira na televisão

A juventude de Cissa coincidiu com o rock nacional, influenciando suas experimentações. Casada com Pereio, ícone do cinema novo, ela absorveu lições artísticas. No Vídeo Show, ganhou o apelido “garota que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia” de Miguel Falabella, marcando sua alegria televisiva.

Novelas como Direito de Amar (1987) e Caminho das Índias (2009) mostraram sua versatilidade. Após a Globo, migrou para TV Brasil, onde discute temas profundos. A entrevista no GNT, gravada em seu lar simbólico, humanizou sua imagem, conectando gerações.

Cissa enfatiza que o passado, incluindo drogas e julgamentos, contribuiu para sua empatia. Pereio, apesar das tensões, foi parceiro cultural; sua morte em 2024 trouxe reflexões sobre perdão.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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