Marcelo Gleiser propõe espiritualidade secular em 9 aulas sobre cosmologia e preservação na CasaFolha

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Cientistas reunidos, pesquisa - Gorodenkoff/shutterstock.com Foto: Cientistas reunidos, pesquisa - Gorodenkoff/shutterstock.com

A sobrevivência da espécie humana depende da combinação entre o avanço tecnológico de ponta e o resgate de práticas ancestrais de conservação da natureza. Essa é a tese central apresentada pelo físico e astrônomo Marcelo Gleiser nas gravações de “Mistérios do Universo: Big Bang, multiverso e outras teorias”, formação disponibilizada pela plataforma de streaming CasaFolha, sediada em São Paulo.

Na avaliação do cientista, a civilização atual atravessa uma contradição severa em sua própria trajetória evolutiva. O planeta Terra reúne parâmetros biológicos raros no espaço, condição que permitiu o surgimento da única sociedade conhecida com capacidade intelectual para reconstruir e narrar a história do Universo. Apesar dessa singularidade, a ação humana acelera a destruição dos recursos naturais por meio de sistemas contínuos de exploração predatória.

Ao analisar esse comportamento autodestrutivo, o pesquisador alertou que o modelo vigente ameaça interromper a própria existência da consciência na Terra. “A gente está contando uma história linda, mas talvez seja a última história que seja contada por causa de nós mesmos”, disse Gleiser. O professor acrescentou que a velocidade da degradação ambiental compromete o futuro da espécie no espaço: “Isso faz com que a gente seja uma voz cósmica que está se condenando à morte”, declarou.

Princípios pré-agrários e a proposta de uma nova ética planetária

A saída para evitar um colapso ambiental em larga escala não exige o abandono das conquistas acumuladas pelas revoluções científicas ao longo dos séculos. Segundo a linha de raciocínio exposta nas aulas, o caminho passa por somar a capacidade técnica contemporânea aos valores de equilíbrio que guiavam os agrupamentos humanos no período anterior à expansão da agricultura extensiva.

Cientista, pesquisa, microscópio, laboratório
Foto: Cientista, pesquisa, microscópio, laboratório – New Africa/shutterstock.com

De acordo com o acadêmico, os povos pré-agrários tinham clareza sobre a relação direta entre a estabilidade dos ecossistemas e a manutenção da vida em comunidade. Recuperar essa percepção sobre os limites físicos da biosfera preserva os avanços da computação, da biologia molecular e da física moderna, mas redireciona essas ferramentas para a defesa da vida no planeta e para a criação de uma nova base moral.

Para sintetizar essa mudança de postura diante dos recursos terrestres, o professor defendeu a adoção de um conceito voltado à responsabilidade coletiva. “Chegou o momento da gente usar a ciência de ponta casada com essa sabedoria ancestral”, afirmou o astrônomo. Ele detalhou na sequência como essa união deve orientar a rotina humana: “Imagina a ciência de ponta com essa sabedoria ancestral para redefinir como a gente se comporta nesse planeta, abraçando o que eu chamo de uma espiritualidade secular [não religiosa].”

Da Antiguidade grega ao multiverso no programa de nove aulas

Dividido em nove encontros temáticos no catálogo da CasaFolha, o conteúdo programático percorre a evolução do pensamento físico e das teorias sobre o cosmos. A linha cronológica parte das primeiras formulações elaboradas na Grécia durante a Antiguidade clássica e avança pelas rupturas teóricas promovidas por cientistas como Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Isaac Newton e Albert Einstein.

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O roteiro pedagógico também examina temas abertos da investigação astronômica contemporânea, incluindo a origem do cosmos pelo Big Bang e os modelos que sustentam a hipótese do multiverso. Na etapa final das exposições, o professor conecta os dados da observação empírica a questões filosóficas sobre a origem da autoconsciência, o propósito da vida e o dever ético de proteger a biosfera terrestre.

Essas reflexões refletem a carreira acadêmica construída pelo pesquisador fora e dentro do país. Docente de física e astronomia no Dartmouth College, instituição de ensino superior localizada nos Estados Unidos, desde o ano de 1991, Marcelo Gleiser é autor de livros de divulgação científica premiados no mercado editorial brasileiro, como a obra “A Dança do Universo”, vencedora do Prêmio Jabuti. Em 2019, o físico tornou-se o primeiro latino-americano laureado com o Prêmio Templeton, distinção internacional concedida a pesquisadores e lideranças que aproximam a produção científica de temas ligados à dimensão espiritual.

Funcionamento da plataforma digital e ficha de inscrição

O curso de astronomia e filosofia faz parte do acervo digital da CasaFolha, iniciativa criada pelo jornal Folha de S.Paulo com direção editorial do jornalista e repórter Uirá Machado. O ambiente online concentra formações conduzidas por pesquisadores, artistas e pensadores sobre temas de história, ciência, filosofia e questões contemporâneas, com reprodução compatível com diferentes aparelhos conectados à internet.

Lançada oficialmente no catálogo em 17 de junho de 2026, a série de aulas de Gleiser teve suas bases conceituais detalhadas em publicação editorial às 04h00 de 8 de outubro de 2026. Os dados completos sobre a estrutura da formação e os valores cobrados pelo serviço estão detalhados nos itens a seguir:

  • Título da formação: Mistérios do Universo: Big Bang, multiverso e outras teorias
  • Docente responsável: Marcelo Gleiser, professor titular no Dartmouth College
  • Carga estrutural: 9 aulas teóricas em vídeo
  • Serviço de transmissão: plataforma digital CasaFolha
  • Coordenação editorial do projeto: jornalista Uirá Machado
  • Lançamento no catálogo: 17 de junho de 2026
  • Plano anual promocional para novos usuários: parcelas mensais de R$ 19,90, valor que aplica 67% de abatimento sobre a mensalidade padrão de R$ 59,90
  • Modalidade complementar para quem já assina o jornal: acréscimo mensal de R$ 10,00 sobre o contrato ativo

O cadastro para acompanhar os nove módulos permanece aberto ao público geral tanto pela adesão ao pacote anual com redução de 67% quanto pela ativação da taxa extra destinada aos assinantes regulares da publicação impressa ou digital.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

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