Athirson revela lesão e salto alto na derrota do Flamengo para o Santo André em 2004Por Beatriz
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Há 21 anos, o Flamengo viveu um dos momentos mais dolorosos de sua história ao perder a final da Copa do Brasil de 2004 para o Santo André, um time da Série B, no Maracanã lotado com mais de 70 mil torcedores. Em entrevista ao podcast da FlamengoTV, o ex-lateral-esquerdo Athirson, ídolo rubro-negro, trouxe à tona detalhes inéditos sobre o vexame, conhecido como Maracanazo. Ele admitiu que jogou a partida decisiva machucado, revelou um ambiente de “oba-oba” que prejudicou o foco do time e apontou a autoconfiança excessiva como fator determinante para a derrota por 2 a 0. O jogo, que poderia ter garantido o título com um simples empate, marcou a torcida e os jogadores, deixando lições amargas para o clube.
Athirson, que havia retornado ao Flamengo após passagem pela Juventus, da Itália, entrou no segundo tempo da finalíssima, substituindo Roger Guerreiro. Apesar de ter sido herói no primeiro jogo, marcando um gol de falta no empate por 2 a 2 em São Paulo, o lateral confessou que não estava em condições físicas ideais para atuar no Maracanã. A derrota, segundo ele, foi agravada por um clima de euforia desmedida no clube, com filas na Gávea por ingressos e distrações extracampo. O Santo André, bem organizado e com jogadores que mais tarde se destacariam, aproveitou a desatenção rubro-negra para conquistar o título.
- Principais revelações de Athirson:
- Jogou a final machucado, sem condições plenas.
- O Flamengo subestimou o adversário da Série B.
- O ambiente de “oba-oba” tirou o foco do time.
Bastidores da final de 2004
O Flamengo entrou na decisão da Copa do Brasil de 2004 como grande favorito. Após o empate no Palestra Itália, onde Athirson marcou um gol crucial de falta, o time precisava apenas de um empate sem gols ou por 1 a 1 no Maracanã para levantar a taça. No entanto, o Santo André, comandado pelo técnico Péricles Chamusca, surpreendeu. Com gols de Sandro Gaúcho e Osmar, a equipe do ABC Paulista venceu por 2 a 0, silenciando o estádio. Athirson destacou a organização tática do adversário, que contava com jogadores como Elvis e Marcelinho Carioca, que mais tarde brilharam em clubes maiores.
O ex-lateral revelou que o clima no Flamengo antes da partida era de excesso de confiança. A semana da final foi marcada por uma atmosfera festiva, com torcedores lotando a sede do clube na Gávea em busca de ingressos. Essa euforia, segundo ele, desviou a atenção dos jogadores, que se preocupavam com questões logísticas, como garantir entradas para familiares e amigos. “Você perdia o foco com isso. Era uma preocupação a mais”, afirmou Athirson, apontando que a falta de concentração foi fatal.
Lesão escondida e impacto no jogo
Athirson surpreendeu ao confessar que não deveria nem estar em campo na final devido a uma lesão não detalhada. Embora a imprensa da época não tenha noticiado problemas físicos antes do jogo, ele revelou que sua condição era precária. Curiosamente, entre os dois jogos da final, o lateral se casou no Rio de Janeiro, em uma cerimônia marcada com antecedência, mas sem lua de mel, já que jogou no dia seguinte pelo Brasileirão. Oito dias após a derrota, foi diagnosticado com um estiramento muscular na coxa, que o afastou por cerca de um mês.
- Detalhes sobre a lesão de Athirson:
- Não especificou o tipo de problema físico na final.
- Lesão na coxa foi confirmada dias após o jogo.
- Jogou sob pressão, mesmo sem condições ideais.
- Casamento entre os jogos pode ter influenciado a rotina.
O fato de Athirson ter entrado no segundo tempo, com o Flamengo já perdendo, evidencia a dificuldade de reverter o placar em um cenário de desvantagem física e emocional. A torcida, que inicialmente apoiava, passou a vaiar, o que, segundo o ex-jogador, abalou ainda mais a confiança do time.
O “oba-oba” e a pressão da torcida
O termo “oba-oba” usado por Athirson reflete o ambiente de excesso de otimismo que tomou conta do Flamengo antes da final. A expectativa de uma vitória fácil contra um adversário de menor expressão criou uma armadilha. A Gávea, sede do clube, virou ponto de peregrinação de torcedores em busca de ingressos, e os jogadores, segundo o ex-lateral, se envolveram em questões extracampo que comprometeram a preparação. “Você queria levar a família toda, mas só tinha dois ingressos. Isso tirava o foco”, explicou.
A pressão da torcida no Maracanã, com mais de 70 mil pessoas, também teve um papel ambíguo. Embora o apoio inicial fosse um trunfo, as vaias após o primeiro gol do Santo André desestabilizaram o time. Athirson, que viveu a experiência de ser ídolo rubro-negro, reconheceu que a impaciência da arquibancada pode prejudicar o desempenho em momentos críticos. “Quando o jogo não vai bem, a torcida começa a vaiar, e isso tira a confiança”, disse.
Legado de Athirson no Flamengo
Revelado nas categorias de base do Flamengo, Athirson é um dos grandes nomes da história do clube. Com 253 jogos e 37 gols em três passagens (1996-2000, 2002 e 2004), ele conquistou quatro títulos: a Copa Ouro de 1996, a Mercosul de 1999 e os Campeonatos Cariocas de 1999 e 2000. Sua habilidade como lateral-esquerdo ofensivo, com chutes potentes e cobranças de falta precisas, o tornou ídolo de torcedores como Filipe Luís, hoje técnico do clube.
- Conquistas de Athirson no Flamengo:
- Copa Ouro de 1996.
- Mercosul de 1999.
- Carioca de 1999 e 2000.
- 37 gols em 253 partidas.
Apesar do vice em 2004, Athirson segue sendo uma figura respeitada. Sua sinceridade ao relembrar o Maracanazo trouxe uma nova perspectiva sobre um dos episódios mais marcantes do Flamengo, reforçando a importância de manter o foco em decisões.
Lições do Maracanazo de 2004
A derrota para o Santo André permanece como um alerta para o Flamengo. O episódio é frequentemente citado como exemplo de como a soberba pode custar caro no futebol. Athirson destacou que o Santo André, apesar de estar na Série B, tinha um time bem estruturado, com jogadores que depois se destacaram em clubes como Corinthians e Palmeiras. A organização tática e a disciplina do adversário contrastaram com a desatenção rubro-negra.
O ex-lateral também refletiu sobre a importância de gerenciar a pressão extracampo. A logística de ingressos, a euforia da torcida e até eventos pessoais, como seu casamento, influenciaram o ambiente do time. Para ele, o equilíbrio entre a paixão dos torcedores e a concentração dos jogadores é essencial para evitar novos tropeços.
- Fatores que contribuíram para a derrota:
- Subestimação do Santo André.
- Falta de foco devido a questões extracampo.
- Lesões não divulgadas, como a de Athirson.
- Pressão da torcida após o primeiro gol adversário.
Impacto do vice na história rubro-negra
O Maracanazo de 2004 não apenas frustrou a nação rubro-negra, mas também marcou uma geração de torcedores e jogadores. A derrota foi amplamente criticada pela imprensa, com manchetes como as do jornal O Globo chamando o resultado de “vexame”. Para Athirson, o episódio foi uma lição dolorosa, mas necessária, sobre a imprevisibilidade do futebol e a importância de respeitar qualquer adversário.
O Flamengo, desde então, conquistou outros títulos da Copa do Brasil (2006, 2013 e 2022), mas a final de 2004 segue como uma cicatriz. A revelação de Athirson sobre sua lesão e o clima de “oba-oba” adiciona camadas a essa história, mostrando como fatores internos e externos moldaram o desfecho. O ex-jogador espera que sua experiência sirva de aprendizado para as novas gerações do clube.







