Chapecoense perde seu presidente de 1978, Edney Moraes de Carvalho, aos 88 anosPor Maria
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Edney Moraes de Carvalho, figura emblemática do esporte e da administração pública em Chapecó, faleceu nesta terça-feira, 9 de setembro de 2025, aos 88 anos, vítima de pneumonia, deixando um vazio na comunidade local que ele ajudou a moldar por décadas. O ex-presidente da Associação Chapecoense de Futebol, que assumiu a liderança do clube em 1978, cinco anos após sua fundação, foi responsável por inserir o time catarinense no cenário nacional ao participar da Taça de Prata, primeira competição de porte do país para o Verdão do Oeste. Natural de Chapecó, onde atuou como chefe de gabinete do prefeito Milton Sander entre 1977 e 1983, Edney dedicou grande parte de sua vida ao serviço público e ao futebol amador e profissional da região Oeste de Santa Catarina. O velório ocorre no Stürmer Memorial, na própria Chapecó, e o sepultamento está marcado para quarta-feira, 10 de setembro, às 10h, no Cemitério Ecumênico Municipal João Paulo II.
Sua morte, anunciada pela família e pelo clube, gerou comoção imediata entre torcedores, ex-jogadores e autoridades, que destacam sua dedicação incansável à estruturação inicial da agremiação alviverde. Casado com Virgínia e pai de dois filhos, Flávio e a falecida Vanize, Edney representava a essência de uma geração que ergueu o futebol local do zero, com esforço coletivo e visão estratégica, em um período em que o esporte ainda buscava raízes firmes no interior do estado. A pneumonia, que o acometeu nos últimos dias, evoluiu rapidamente, levando-o a óbito no hospital local, onde recebia cuidados intensivos. Essa perda chega em momento simbólico para a Chapecoense, que em 2025 completa 52 anos de história, e reforça o quanto pioneiros como ele foram fundamentais para transformar um projeto modesto em referência nacional.
A trajetória de Edney Moraes de Carvalho no futebol de Chapecó começou cedo, alinhada ao nascimento do clube que ele viria a presidir. Fundada em 10 de maio de 1973, a Chapecoense surgiu da fusão de times locais como Atlético e Guarani, com apoio de empresários e líderes comunitários, em resposta à ausência de um representante forte na cidade. Edney, já envolvido na política municipal, viu no esporte uma oportunidade de unir a população e fortalecer a identidade regional.
Sua gestão à frente da presidência, em 1978, coincidiu com o primeiro acesso à elite do Campeonato Brasileiro, graças ao título catarinense de 1977. Sob sua liderança, o time disputou 12 partidas na Taça de Prata, somando vitórias modestas mas históricas, como contra o SER Caxias por 1 a 0.
Além do esporte, Edney contribuiu para a fundação do Automóvel Clube de Chapecó em 1984, promovendo eventos que impulsionaram a economia local através de corridas e atividades motorizadas.
Gestão pioneira na Chapecoense de 1978
Edney Moraes de Carvalho assumiu a presidência da Chapecoense em um ano pivotal, logo após o primeiro título estadual, que abriu portas para o nacional. Sua visão estratégica ajudou a organizar o elenco, composto por jogadores locais e regionais, muitos dos quais equilibravam o futebol com profissões cotidianas, como agricultura e comércio. Durante sua gestão, o clube enfrentou desafios logísticos, como viagens longas para jogos fora de Santa Catarina, mas conseguiu uma campanha digna na Taça de Prata, terminando em 51º lugar geral entre 62 equipes. Essa participação marcou a estreia do Verdão em uma competição de âmbito nacional, expondo o time a adversários tradicionais como Internacional e Grêmio.
O impacto de Edney ia além dos resultados em campo; ele fomentou parcerias com empresários chapecoenses, garantindo recursos para uniformes, treinamentos e deslocamentos. Em entrevistas antigas, ex-jogadores recordam sua abordagem acessível, sempre presente nos treinos e vestiários, incentivando a disciplina e o espírito coletivo.
- A Chapecoense jogou 12 partidas na Taça de Prata, com 3 vitórias, 2 empates e 7 derrotas, marcando 10 gols e sofrendo 18.
- Destaques da campanha incluíam vitórias sobre times paranaenses e gaúchos, consolidando a presença do Oeste catarinense no mapa do futebol.
- Edney priorizou a formação de jovens atletas, investindo em categorias de base que dariam frutos nos anos seguintes.
- Sua gestão coincidiu com o início das obras do Estádio Regional Índio Condá, que se tornaria o lar do clube.
- O apoio da torcida local cresceu exponencialmente, com médias de público acima de 5 mil torcedores por jogo em casa.
Esses elementos estruturais plantados por Edney pavimentaram o caminho para futuras conquistas, como o bicampeonato estadual em 1996.
Contribuições na administração pública de Chapecó
Antes e após sua passagem pela Chapecoense, Edney Moraes de Carvalho dedicou-se intensamente ao serviço público, atuando como chefe de gabinete do prefeito Milton Sander de 1977 a 1983. Nesse período, Chapecó vivia um boom econômico impulsionado pela agroindústria, e Edney coordenou projetos de infraestrutura que beneficiaram diretamente a comunidade esportiva, como melhorias em estradas para facilitar viagens do time. Sua proximidade com o executivo municipal facilitou a liberação de verbas para o esporte amador, incluindo investimentos em campos de treinamento.
Como figura política discreta mas influente, Edney mediou diálogos entre o poder público e entidades privadas, promovendo eventos que uniam esporte e desenvolvimento local. Sua atuação no Automóvel Clube, fundado em 1984, estendeu-se a competições regionais que atraíam turistas e geravam empregos temporários.
Em Chapecó, ele era conhecido por sua integridade e compromisso com causas sociais, participando de iniciativas de saúde e educação que indiretamente apoiavam o futebol de base.
A família de Edney, especialmente o filho Flávio, sempre destacou seu equilíbrio entre vida pessoal e profissional, com Virgínia como pilar de suporte em todos os empreendimentos.
Reações da comunidade e do clube ao falecimento
A notícia da morte de Edney Moraes de Carvalho espalhou-se rapidamente por Chapecó, gerando tributos de torcedores nas redes sociais e na Arena Condá. O clube emitiu nota oficial lamentando a perda, enfatizando sua dedicação nos primeiros capítulos da instituição e a participação inédita na Taça de Prata. Autoridades municipais, como o atual prefeito, decretaram luto esportivo de um dia, com bandeiras a meio mastro no estádio.
Ex-jogadores da era de 1978 compartilharam memórias em coletivas informais, descrevendo Edney como um líder paternal que motivava o grupo em momentos difíceis, como derrotas fora de casa.
A solidariedade estendeu-se a amigos e familiares, com mensagens de força de entidades esportivas de Santa Catarina, reconhecendo seu papel na unificação do futebol regional.
- O velório no Stürmer Memorial atraiu centenas de pessoas, incluindo ex-dirigentes e atletas.
- O sepultamento às 10h de quarta-feira contará com honras do clube e da prefeitura.
- Torcedores organizam uma carreata simbólica até o cemitério para prestar últimas homenagens.
- A Chapecoense planeja uma homenagem permanente, como placa na entrada da Arena Condá.
- Familiares agradecem o apoio e pedem privacidade no momento de dor.
Essas reações sublinham o quanto Edney era visto como um pilar da identidade chapecoense.
Legado no esporte catarinense além da presidência
Além da gestão na Chapecoense, Edney Moraes de Carvalho influenciou o automobilismo local ao cofundar o Automóvel Clube em 1984, organizando corridas que popularizaram o esporte motor no Oeste. Essas iniciativas atraíram pilotos regionais e nacionais, fomentando uma cultura de competição saudável e gerando renda para a cidade através de eventos.
No futebol, seu exemplo inspirou gerações de dirigentes, mostrando como um líder comunitário pode elevar um clube modesto a patamares nacionais. A participação na Taça de Prata de 1978, sob sua batuta, foi um marco que motivou investimentos posteriores, levando à construção da Arena Condá em 2009.
Edney também apoiou ligas amadoras, garantindo que jovens de Chapecó tivessem oportunidades em torneios estaduais.
Sua vida familiar, marcada pela perda precoce da filha Vanize, demonstrou resiliência, qualidades que ele levava para o campo e a administração.
Atletas contemporâneos da Chapecoense citam Edney como referência em palestras internas, destacando sua ética de trabalho.
Início da consolidação do futebol em Chapecó
A fundação da Chapecoense em 1973 representou um turning point para o futebol local, e Edney Moraes de Carvalho esteve presente desde os primeiros passos. Com o apoio de Plínio Arlindo de Nês e outros empresários, o clube absorveu atletas de equipes extintas, criando um elenco unido. Em 1977, o título catarinense veio com 26 vitórias em 46 jogos, saldo de 42 gols, preparando o terreno para 1978.
Edney, como presidente, lidou com orçamentos apertados, mas conseguiu patrocínios locais que cobriram despesas básicas.
A Taça de Prata incluiu confrontos memoráveis, como o 2 a 1 sobre o Brasil de Pelotas, que energizou a torcida.
- O primeiro jogo nacional foi contra o Atlético-PR, terminando em 2 a 0 para o adversário, mas serviu de aprendizado.
- Edney negociou viagens em ônibus fretados, economizando para investir em contratações pontuais.
- A torcida média cresceu para 4 mil por partida, um recorde na época para o interior.
- Sua gestão viu o surgimento de ídolos como Jandir Moreira dos Santos, o Janga, artilheiro do estadual anterior.
- Parcerias com prefeituras vizinhas facilitaram treinos conjuntos.







