Gasolina no Brasil: alta de 88% desde 2015 e novo ICMS em 2026

Posto de combustível

Posto de combustível - Foto: dusanpetkovic/ Istockphoto.com

O preço médio da gasolina no Brasil atingiu R$ 6,17 em setembro de 2025, um aumento de 88,1% em relação aos R$ 3,29 praticados em 2015, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Motoristas enfrentarão mais um desafio a partir de janeiro de 2026, quando o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aplicará um novo reajuste no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), elevando a alíquota da gasolina em R$ 0,10 por litro e a do diesel em R$ 0,05. O aumento, anunciado no Diário Oficial da União em 8 de setembro de 2025, ocorre em um cenário de alta persistente nos combustíveis, impactando consumidores e a economia nacional. A escalada de preços, que superou a inflação de 69% no período, reflete fatores como a política de preços da Petrobras, variação do dólar e cotações internacionais do petróleo.

A composição do preço da gasolina revela a complexidade do setor. Segundo a Petrobras, 32,4% do valor final corresponde à sua parcela, enquanto impostos estaduais e federais representam 34,8%. A distribuição, revenda e o custo do etanol anidro completam o preço nas bombas. Esse cenário preocupa motoristas e setores dependentes de combustíveis, como transporte e logística, que enfrentam custos crescentes.

  • Fatores que impulsionam a alta: política de preços da Petrobras, câmbio e petróleo internacional.
  • Impacto no consumidor: aumento do custo de vida e pressão sobre orçamentos familiares.
  • Setores afetados: transportes, agricultura e comércio sentem o peso dos combustíveis mais caros.

Novo reajuste do ICMS em 2026

O Confaz confirmou que a alíquota do ICMS sobre a gasolina passará de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro a partir de janeiro de 2026. Para o diesel, o imposto subirá de R$ 1,12 para R$ 1,17. A medida reflete a necessidade de estados ajustarem suas arrecadações, mas amplia a pressão sobre os consumidores. Em fevereiro de 2025, o ICMS já havia sido elevado, contribuindo para o preço médio da gasolina alcançar R$ 6,35, o maior desde o início do governo atual. A nova alta pode elevar o custo médio da gasolina para cerca de R$ 6,27, considerando repasses parciais.

O aumento do ICMS não é isolado. Estados enfrentam desafios fiscais, e o imposto sobre combustíveis é uma fonte significativa de receita. No entanto, a decisão gera críticas de motoristas e entidades do setor, que apontam a falta de medidas para mitigar o impacto no bolso. A ANP monitora preços semanalmente, mas a redução no número de municípios pesquisados, devido a cortes orçamentários, pode limitar a transparência dos dados.

  • Gasolina: alíquota sobe de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro.
  • Diesel: ICMS passa de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro.
  • Impacto fiscal: estados buscam equilíbrio nas contas com aumento de arrecadação.
  • Críticas: consumidores questionam ausência de alívio nos preços dos combustíveis.

Comparação com a inflação

Entre 2015 e 2025, o preço da gasolina subiu 88,1%, enquanto a inflação, medida pelo IPCA do IBGE, foi de 69%. Corrigindo o valor de R$ 3,29 de 2015, o preço equivalente em 2025 seria R$ 5,56, indicando que a gasolina subiu além da desvalorização da moeda. Esse descolamento reflete custos adicionais, como a política de paridade internacional da Petrobras, que atrela preços ao mercado global de petróleo e ao dólar.

Em 2015, o petróleo Brent custava cerca de US$ 50 por barril, enquanto em 2025 ultrapassou US$ 80 em alguns momentos. A variação cambial também pesou: o dólar, que era R$ 3,90 em 2015, chegou a R$ 5,60 em 2025. Esses fatores explicam parte da alta, mas não amenizam o impacto para o consumidor. A diferença de R$ 0,61 entre o preço corrigido (R$ 5,56) e o atual (R$ 6,17) representa um custo extra de 10,9%.

Combustível, gasolina – Foto: denizbayram/ Istockphoto.com

Fatores por trás da alta dos combustíveis

Vários elementos contribuem para a escalada dos preços. A política de preços da Petrobras, que segue o mercado internacional, é um dos principais. Desde 2016, a estatal ajusta valores com base no petróleo Brent e no câmbio, o que gera volatilidade. Em 2025, a Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,17 no preço da gasolina A nas refinarias, mas o repasse ao consumidor foi de apenas R$ 0,12, devido a margens de distribuidoras e postos.

Além disso, o custo do etanol anidro, que compõe 30% da gasolina C, também influencia. Em 2025, o etanol teve alta de 5% em relação a 2024, pressionado pela demanda e por condições climáticas que afetaram a safra de cana-de-açúcar. Impostos federais, como PIS/Cofins, e estaduais, como o ICMS, representam uma fatia significativa do preço final, agravando o impacto de qualquer ajuste.

  • Política de preços: atrelada ao petróleo Brent e ao dólar.
  • Etanol anidro: alta de 5% em 2025 pressiona gasolina C.
  • Impostos: ICMS e PIS/Cofins compõem 34,8% do preço final.
  • Repasse parcial: reduções nas refinarias nem sempre chegam às bombas.

Impacto nos motoristas e na economia

O aumento contínuo dos combustíveis afeta diretamente o custo de vida. Famílias brasileiras destinam uma parcela maior do orçamento para transporte, reduzindo o poder de compra para outros bens. Setores como agricultura, logística e comércio enfrentam custos operacionais mais altos, que muitas vezes são repassados aos consumidores, alimentando a inflação.

Motoristas de aplicativos, por exemplo, relatam dificuldades para manter a rentabilidade. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o preço da gasolina já ultrapassa R$ 7,00 em alguns postos, a pressão é ainda maior. Dados da ANP mostram que o Norte do Brasil enfrenta os maiores preços, com médias acima de R$ 7,00, enquanto Sul e Sudeste registram valores mais baixos, próximos de R$ 6,00.

  • Custo de vida: combustíveis mais caros reduzem renda disponível.
  • Setores impactados: agricultura, logística e comércio repassam custos.
  • Regiões: Norte tem preços mais altos; Sul e Sudeste, mais baixos.

Histórico de preços do diesel

O diesel também enfrenta aumentos. Em julho de 2025, o preço médio do diesel S10 foi de R$ 6,03, segundo a ANP, com variações entre R$ 5,29 e R$ 8,99. Nos últimos meses, o combustível apresentou estabilidade, mas a nova alíquota do ICMS em 2026 deve elevar os custos. O diesel é essencial para o transporte de cargas, e qualquer alta impacta diretamente a cadeia produtiva, desde alimentos até bens industriais.

Entre abril e julho de 2025, o preço do diesel caiu 0,79%, mas a tendência de longo prazo é de alta, impulsionada pelos mesmos fatores que afetam a gasolina. A dependência do transporte rodoviário no Brasil amplifica o impacto, já que 60% das mercadorias são transportadas por caminhões, segundo o IBGE.

  • Preço médio: R$ 6,03 para diesel S10 em julho de 2025.
  • Variação: queda de 0,79% entre abril e julho de 2025.
  • Impacto: alta do diesel eleva custos de transporte e preços de produtos.
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