Empate chocante do Botafogo com Mirassol expõe problemas de mentalidade, diz Davide Ancelotti em coletiva pós-jogoPor Thiago Lemos
10 min de leitura
![]() |
Davide Ancelotti, técnico do Botafogo, enfrentou uma noite de intensas emoções no Estádio Nilton Santos. O time carioca dominou o primeiro tempo contra o Mirassol, mas viu tudo desmoronar na etapa final, resultando em um empate de 3 a 3 que ampliou as críticas ao seu trabalho. A partida, válida por uma rodada atrasada do Brasileirão, destacou as fragilidades defensivas e a falta de consistência do Alvinegro em momentos decisivos.
A torcida, inicialmente animada com os gols de Savarino, Chris Ramos e Montoro, transformou a frustração em vaias ao final do jogo. Ancelotti saiu de campo sob gritos de “burro” e pedidos de demissão, ecoando o descontentamento crescente após eliminações recentes em outras competições. O italiano, no entanto, manteve a compostura e apontou para questões internas como raiz do problema.
- O Botafogo marcou três vezes em menos de 30 minutos no primeiro tempo, explorando falhas do adversário.
- O Mirassol reagiu com velocidade, anotando o primeiro gol em apenas 35 segundos do segundo tempo.
- A defesa alvinegra sofreu três gols em 15 minutos, expondo lapsos de concentração.
- A partida teve apenas 6.724 torcedores presentes, o menor público do Botafogo no Brasileirão este ano.
- Ancelotti destacou a necessidade de análise detalhada para entender o colapso.
O confronto expôs padrões recorrentes no desempenho do Botafogo, com uma primeira etapa de alto nível contrastando com uma segunda de total descontrole. O técnico enfatizou que o time precisa manter o ritmo inicial por mais tempo, especialmente em jogos em casa onde a pressão da torcida pode ser um fator duplo.
Desempenho dominante no primeiro tempo
O Botafogo iniciou a partida com uma postura agressiva, pressionando o Mirassol desde os minutos iniciais. Savarino abriu o placar aos 12 minutos, aproveitando uma jogada rápida pela direita e finalizando com precisão. Chris Ramos ampliou logo em seguida, aos 25, após receber cruzamento de Alex Telles e cabecear para o fundo das redes. Montoro selou o 3 a 0 aos 42, em rebote de uma defesa incompleta do goleiro Walter.
Essa etapa inicial mostrou o melhor do Alvinegro sob o comando de Ancelotti, com trocas de passes fluidas e exploração das laterais. O time carioca teve 62% de posse de bola e criou pelo menos cinco chances claras de gol, forçando o adversário a recuar. Jogadores como Marlon Freitas e Danilo controlaram o meio-campo, distribuindo bolas para os atacantes internacionais que se destacaram.
No entanto, o intervalo trouxe uma mudança abrupta. Ancelotti optou por substituir Danilo por Newton devido a uma sobrecarga muscular no volante, uma decisão que alterou o equilíbrio da equipe. O Mirassol, treinado por Rafael Guanaes, ajustou sua marcação e explorou a desorganização alvinegra logo no retorno.
Dando as cartas na partida 🃏💎 #VamosBOTAFOGO
— Botafogo F.R. (@Botafogo) September 17, 2025
📸 Vítor Silva/ BFR pic.twitter.com/7RGdWDC9rW
A reação paulista começou com Chico, que marcou aos 35 segundos do segundo tempo, após erro de saída de bola de Barboza. Jemmes empatou aos 10 minutos, cobrando falta com precisão, e Lucas Ramon completou a virada parcial aos 15, de cabeça em cobrança de escanteio. Esses lances rápidos desestabilizaram o Botafogo, que não conseguiu recompor a defesa a tempo.
Ancelotti, em sua análise imediata, evitou culpar indivíduos, mas apontou para uma perda coletiva de foco. O time, que havia vencido o Internacional por 4 a 1 em maio com público similar, agora enfrentava o fantasma de jogos mal resolvidos. A partida contra o Mirassol reforçou a necessidade de maior solidez nas bolas paradas, um ponto fraco recorrente em confrontos recentes.
- Savarino: velocidade e finalização decisivas no gol inicial.
- Chris Ramos: posicionamento perfeito na área para o segundo tento.
- Montoro: oportunismo no rebote que definiu o intervalo.
- Danilo: controle no meio antes da saída por sobrecarga.
- Barboza: erro na saída que custou o primeiro gol sofrido.
Reação do Mirassol e falhas defensivas
O Mirassol, recém-promovido à Série A, demonstrou resiliência ao reverter o placar em tão pouco tempo. A equipe paulista, que ocupa a quarta posição com 39 pontos, usou sua organização tática para pressionar alto e explorar contra-ataques. Guanaes, em sua coletiva, elogiou a maturidade de seus jogadores, destacando que o time não se abateu com o 3 a 0 e manteve a crença na recuperação.
No lado do Botafogo, as falhas defensivas foram evidentes. Alexander Barboza, peça fundamental na zaga, ainda não recuperou o nível de jogos anteriores, com posicionamento equivocado em dois dos três gols sofridos. Alex Telles, substituído aos 18 minutos do segundo tempo, discutiu com torcedores ao sair de campo, refletindo a tensão no elenco. O lateral ouviu xingamentos e reclamou com o treinador, que ignorou a provocação.
A bola parada se tornou um calcanhar de Aquiles para o Alvinegro. Dois dos gols vieram de faltas laterais e escanteios, semelhantes a um lance sofrido contra o Bragantino em rodada anterior. Ancelotti admitiu que a concentração defensiva diminuiu, contrastando com a solidez inicial da temporada, quando o time sofreu apenas 12 gols em 10 jogos.
O VAR interveio em um momento crucial aos 44 minutos, quando o Mirassol pediu pênalti em João Victor. O árbitro Bruno Pereira Vasconcelos revisou e anulou por impedimento prévio, evitando uma possível virada. Essa decisão manteve o empate, mas não aliviou a pressão sobre o Botafogo, que terminou o jogo com 36 pontos e na quinta posição, ultrapassando o Bahia no desempate.
Jogadores como Kaio Pantaleão e Vitinho tentaram recompor a lateral direita, mas o desgaste físico e a falta de substituições efetivas limitaram as opções. Newton, que entrou no meio, não conseguiu ditar o ritmo como Danilo, e as mudanças ofensivas, como a entrada de Mastriani e Jeffinho, vieram tarde para reverter o cenário.
Críticas de Ancelotti à mentalidade do elenco
Ancelotti foi direto em sua coletiva pós-jogo, atribuindo o empate a uma questão de mentalidade. Ele comparou o desempenho à derrota por 4 a 3 para o Palmeiras em 2023, no mesmo estádio, onde o Botafogo também cedeu uma vantagem inicial. “Oscilar tanto é uma questão de mentalidade, nas adversidades não soubemos reagir bem”, declarou o técnico, enfatizando a necessidade de ler o jogo e priorizar a defesa em momentos de pressão.
O italiano pediu tempo para analisar os erros, mas já identificou o relaxamento como fator principal. “Três gols em 17 minutos não acontecem se você está concentrado”, disse, referindo-se ao colapso entre os minutos 1 e 16 do segundo tempo. Ele elogiou a primeira etapa como o “melhor futebol” do time, mas lamentou a incapacidade de manter o nível por 90 minutos.
Perguntado sobre a motivação do elenco, Ancelotti reforçou o profissionalismo dos jogadores. “Somos profissionais, e classificar para a Libertadores é fundamental”, afirmou, mencionando que o Brasileiro é a única competição restante após saídas da Copa do Brasil e Libertadores. Sobre Danilo, esclareceu que não há lesão, apenas uma sobrecarga que levou à substituição no intervalo.
A pressão sobre o treinador é palpável. Ancelotti, filho de Carlo Ancelotti, assumiu o cargo com expectativas altas, mas acumula quatro derrotas e quatro empates em 16 jogos. Ele reconheceu as vaias: “Pressão é normal, meu trabalho é julgado pelos resultados”. O técnico prometeu continuidade no time titular, mas admitiu possíveis mudanças se necessário.
- Mentalidade: falta de reação às adversidades, como no gol inicial do segundo tempo.
- Concentração: relaxamento que permitiu três gols rápidos.
- Leitura de jogo: necessidade de priorizar defesa em momentos críticos.
- Profissionalismo: motivação intrínseca para brigar por vagas em torneios continentais.
- Análise: tempo necessário para revisar vídeos e treinos.
Repercussão entre torcida e jogadores
A torcida do Botafogo manifestou insatisfação imediata. Ao final do jogo, faixas e gritos pediram a demissão de Ancelotti, com o apelido “burro” ecoando pelas arquibancadas. O baixo público, o menor do ano no Brasileirão, reflete o desencanto após eliminações para Vasco na Copa do Brasil e na Libertadores há um mês. Redes sociais explodiram com críticas, comparando o empate a outros tropeços recentes.
Marlon Freitas, meio-campista alvinegro, defendeu o treinador e apontou para erros coletivos como “inadmissíveis”. O jogador destacou que a pressão afeta todos, inclusive os atletas, e chamou por união. Savarino, autor do primeiro gol, evitou polêmicas, focando na recuperação para o próximo jogo.
O Mirassol, por sua vez, celebrou a resiliência. Com 10 vitórias em 21 jogos, o time paulista se consolida como surpresa do campeonato, marcando em 14 partidas seguidas. Guanaes elogiou seus laterais, como Lucas Ramon, que foi decisivo no empate.
Ancelotti, ao ser questionado sobre motivar a torcida, foi pragmático: “Com resultados e não com palavras. Jogando bem nos 90 minutos, como na primeira etapa, o apoio volta”. Ele mencionou o retorno de Barrera da seleção sub-20, que pode reforçar as pontas após o Mundial.
O episódio reforça debates sobre a gestão de elenco no Botafogo. Com 35 pontos antes do jogo, o time agora tem 36, mas perdeu chance de entrar no G-4. A sequência inclui Atlético-MG no sábado, um teste para a recuperação.
Preparação para o próximo desafio
O Botafogo volta a campo no sábado, às 18h30, contra o Atlético-MG no Nilton Santos. Ancelotti planeja dar continuidade ao time, conhecendo melhor o elenco após meses de trabalho. Ele indicou que poupará menos, priorizando vitórias na reta final do Brasileirão.
Treinos focarão em bolas paradas e transições defensivas, pontos expostos contra o Mirassol. O técnico espera que o elenco reaja às críticas internas, usando o episódio como lição. “Esse time sabe defender bem, mas precisa de solidez em adversidades”, reiterou.
O Mirassol, com moral alto, enfrenta o Juventude no domingo, em casa. A equipe paulista soma 39 pontos e mira o pódio, com eficiência ofensiva de 1,8 gol por jogo em média.
No Botafogo, a ausência de lesões graves permite foco total no nacional. Ancelotti, apesar da turbulência, mantém otimismo: “Ganhar jogos e jogar bem reconquista tudo”. O elenco, com reforços como Danilo do Nottingham Forest, tem potencial para brigar pelo topo.
- Atlético-MG: confronto direto pela parte alta da tabela.
- Treinos: ênfase em defesa e manutenção de ritmo.
- Elenco: retorno de Barrera pode adicionar velocidade nas pontas.
- Motivação: foco na Libertadores via Brasileirão.
- Público: expectativa de maior comparecimento após o alerta.







