Vitória do Palmeiras por 2 a 1 eleva Abel a herói invicto em jogos sul-americanos fora do BrasilPor Beatriz
9 min de leitura
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vitória do Palmeiras sobre o River Plate por 2 a 1 no Monumental de Núñez marcou um momento decisivo nas quartas de final da Libertadores. O jogo ocorreu na noite de quarta-feira, 17 de setembro, com o time paulista abrindo vantagem fora de casa graças a uma atuação eficiente no primeiro tempo. Abel Ferreira, técnico do Verdão, ampliou sua marca pessoal ao completar mais um duelo sem derrota em território argentino, consolidando um retrospecto que impressiona no continente.
Gustavo Gómez abriu o placar aos cinco minutos, aproveitando cobrança de escanteio de Andreas Pereira, enquanto Vitor Roque ampliou aos 40, após passe de Flaco López. O River descontou nos acréscimos com Lucas Martínez Quarta, mas o resultado deixa o Palmeiras em posição favorável para a volta, marcada para o dia 24 no Allianz Parque.
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- Destaque para a escalação surpresa com Andreas Pereira como titular, que ditou o ritmo no meio-campo.
- O time paulista controlou 58% da posse de bola e finalizou 12 vezes, contra nove do adversário.
- A torcida argentina lotou o estádio com 83 mil presentes, criando pressão constante após o intervalo.
O reencontro entre Abel Ferreira e Marcelo Gallardo adicionou emoção ao confronto, revivendo memórias de 2021, quando o português eliminou o argentino na semifinal da competição.
Abel assumiu o Palmeiras em novembro de 2020 e rapidamente transformou o time em potência continental. Sua chegada coincidiu com uma reformulação tática que prioriza solidez defensiva e transições rápidas. Desde então, o Verdão conquistou duas Libertadores, em 2020 e 2021, além de outros títulos nacionais que reforçaram a confiança do elenco.
O triunfo recente reflete essa evolução. Em 2025, o Palmeiras já acumula 18 vitórias como visitante em todas as competições, superando o Paris Saint-Germain como o clube com mais triunfos fora de casa no ano. Essa marca demonstra a consistência sob o comando de Abel, que equilibra juventude e experiência no grupo.
Estratégias que definiram o jogo em Buenos Aires
A partida começou com o Palmeiras pressionando alto, forçando erros na saída de bola do River. Abel optou por um 4-2-3-1 com ênfase nas laterais, explorando a velocidade de Piquerez pela esquerda e Khellven pela direita. Essa configuração permitiu ao time paulista avançar com qualidade, gerando o primeiro gol em uma jogada ensaiada de bola parada.
No segundo tempo, o River ajustou com a entrada de Juanfer Quintero, que trouxe criatividade e aumentou a posse para 62%. Apesar da pressão, o Palmeiras se fechou em bloco médio, priorizando contra-ataques. Weverton fez três defesas cruciais, enquanto Murilo e Gómez bloquearam tentativas de infiltração.
Abel destacou a importância da adaptação. Durante a coletiva, ele mencionou que o time treinou cenários de sufoco defensivo, algo que se provou vital nos minutos finais. A vitória não veio sem custo: o desgaste físico foi evidente, com substituições como a de Felipe Anderson por Raphael Veiga para manter o equilíbrio.
- Cobranças de falta precisas de Andreas Pereira geraram duas chances claras.
- O River finalizou 14 vezes no segundo tempo, mas apenas quatro foram no alvo.
- Vitor Roque completou 90% de passes certos e criou três oportunidades.
Essa abordagem tática reforça o estilo de Abel, que mescla pragmatismo com ousadia em mata-matas.
Retrospecto invicto de Abel na terra do tango
Desde sua estreia em solo argentino, Abel Ferreira registra seis jogos pela Libertadores sem revés, com quatro vitórias e dois empates. A sequência começou em 2021, com o 3 a 0 sobre o River na semifinal de 2020, que pavimentou o título continental. Naquele duelo, o Palmeiras explorou falhas defensivas e selou a classificação com autoridade.
Em seguida, veio o 2 a 1 contra o Defensa y Justicia, na fase de grupos de 2021, onde o Verdão virou o placar com gols de Viña e Deyverson. Mais tarde, na Recopa Sul-Americana do mesmo ano, outro 2 a 1 sobre o mesmo adversário, com Breno Lopes e Rony decidindo.
O empate sem gols com o Boca Juniors, em 2023, nas semifinais, mostrou resiliência em La Bombonera, apesar da pressão da torcida. Em 2024, o 1 a 1 com o San Lorenzo na fase de grupos manteve o Palmeiras vivo na competição.
Essa invencibilidade vai além da Argentina. Abel não perde para times estrangeiros na Libertadores há mais de dois anos, desde a derrota por 3 a 1 para o Bolívar em La Paz, em abril de 2023. São 23 partidas nesse período, com 17 triunfos e seis igualdades, um aproveitamento de 81%.
O técnico português atribui o sucesso à preparação mental do grupo. Em entrevistas, ele enfatiza a importância de tratar cada viagem como uma final, com foco em recuperação e análise de vídeos. Essa mentalidade transformou o Palmeiras em um dos times mais temidos fora de suas fronteiras.
Admiração mútua entre rivais no banco de reservas
Marcelo Gallardo, ídolo do River com 14 títulos em oito anos, retornou ao clube em 2025 buscando resgatar a glória continental. Abel, que se inspira no argentino desde jovem, não escondeu o respeito após o apito final. Na coletiva, o português chamou Gallardo de referência sul-americana, lembrando a final única no Bernabéu em 2018, que marcou o início da era de confrontos diretos.
Abel revelou que, antes de treinar, admirava a intensidade do River-Boca e via Gallardo como exemplo de liderança. Ele até mencionou lições de um livro sobre o ex-meio-campista, que influenciaram sua filosofia de jogo. Apesar da vitória, o treinador evitou euforia, reforçando que os protagonistas são os jogadores e que o espetáculo beneficia o futebol.
Gallardo, por sua vez, reconheceu a superioridade inicial do Palmeiras. Ele elogiou a compactação defensiva e a efetividade nos 30 primeiros minutos, mas manteve a confiança para a volta. O argentino destacou que o gol tardio mantém o River vivo, e que o Monumental sempre cobra seu preço em decisões.
Essa troca de elogios humaniza o duelo. Ambos enfrentaram críticas ao longo das carreiras, mas provam com resultados que a memória curta do futebol não os abala. Abel ironizou o tema, dizendo que ignora detratores e foca no processo.
- Gallardo venceu 72% dos jogos em casa pelo River em sua primeira passagem.
- Abel tem 75% de aproveitamento em mata-matas da Libertadores.
- Os dois se reencontraram pela terceira vez, com o português levando vantagem em duas.
O respeito mútuo eleva o nível do confronto, atraindo olhares de todo o continente.
Destaques individuais que iluminaram a noite
Andreas Pereira, escalado como surpresa, foi o maestro do meio-campo. O meia completou 85% de passes e distribuiu quatro assistências potenciais, incluindo o escanteio para o gol de Gómez. Sua visão de jogo desmontou a marcação do River, forçando ajustes no intervalo.
Gustavo Gómez, capitão e zagueiro, brilhou nos dois lados do campo. Além do gol de cabeça, ele venceu 12 duelos e interceptou cinco bolas, consolidando-se como o defensor com mais gols na história da Libertadores, agora com 12. Sua liderança vocal manteve o time coeso sob pressão.
Vitor Roque, o jovem atacante de 20 anos, mostrou faro de gol ao ampliar com frieza. Ele dedicou a rede à mãe, Hercília, em meio a polêmicas familiares recentes, mas em campo foi decisivo. Com hat-trick recente contra o Internacional, Roque soma sete gols em 2025 pela Libertadores.
Felipe Anderson, no flanco direito, criou três chances e correu 11 quilômetros, enquanto Joaquín Piquerez neutralizou Acuña, limitando o lateral argentino a um cruzamento preciso. Weverton, no gol, evitou o empate com defesas em chutes de Fernández e Driussi.
Esses nomes exemplificam a profundidade do elenco palmeirense. Abel rotaciona com maestria, preservando peças para o calendário apertado, que inclui o Brasileirão e a Copa do Brasil.
Preparação para o desafio da partida de volta
O Palmeiras retorna ao Brasil com moral elevada, mas Abel cobra foco imediato. O próximo compromisso é contra o Fortaleza, sábado à noite no Allianz Parque, pelo Brasileirão, onde o Verdão ocupa o terceiro lugar com 46 pontos e dois jogos em atraso. Uma vitória lá pode encostar o time na liderança.
Para a Libertadores, a comissão técnica planeja recuperação física intensiva. Com lesões recentes como a de Raphael Veiga, Abel testa variações no meio-campo, possivelmente com Zé Rafael ou Maurício. O treinador enfatiza que o 2 a 1 não garante nada, e que o River virá com tudo em São Paulo.
Gallardo, do lado argentino, ajusta o ataque com mais mobilidade. Ele planeja intensificar treinos de finalização, visando explorar espaços nas costas da defesa palmeirense. O Monumental viu o River classificar nos pênaltis contra o Libertad nas oitavas, mostrando resiliência em casa, mas agora o palco muda.
A torcida palmeirense já sonha com semifinais, onde o Verdão pode pegar São Paulo ou LDU. Com 50 vitórias fora do país na Libertadores, o Palmeiras entra para a história como pioneiro entre brasileiros. Abel, com 374 jogos no clube, soma 217 triunfos, aproximando-se de recordes eternos.
- Recuperação: Fisioterapia e análise de GPS para monitorar fadiga.
- Ajustes táticos: Ênfase em bolas paradas, arma letal do Verdão.
- Motivação: Reunião coletiva para reforçar que 90 minutos separam da glória.
O equilíbrio entre celebração e preparação define a era Abel no Palmeiras.















