Negociação com Zubeldía emperra no Inter e abre portas para Ramón Díaz como novo treinador coloradoPor Thiago Lemos
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Internacional enfrenta turbulência na busca por treinador após a demissão de Roger Machado, que ocorreu logo após a derrota no clássico Gre-Nal por 3 a 2. A direção colorada, pressionada pelo calendário apertado do Campeonato Brasileiro, intensificou contatos com profissionais estrangeiros para preencher a vaga o mais rápido possível. O nome de Luis Zubeldía, ex-São Paulo, aparecia como favorito nos bastidores, mas uma nova rodada de negociações nesta terça-feira revelou um imprevisto que freou o avanço. Dirigentes evitam detalhes sobre o obstáculo, mas fontes próximas indicam que interesses internacionais pesam na decisão do argentino.
O clube gaúcho precisa de estabilidade imediata, com o time posicionado na parte intermediária da tabela e sob risco de aproximação da zona de rebaixamento. Roger Machado, que assumiu em 2024 e renovou até 2026, deixou o cargo com uma multa rescisória estimada entre 6 e 7 milhões de reais, valor que o Inter arcou para liberar o treinador. Agora, a prioridade é anunciar o substituto antes do fim da semana, permitindo que o novo comandante conheça o elenco e estruture os treinos para o confronto direto contra o Juventude, marcado para sábado às 18h30 no Estádio Alfredo Jaconi.
- Principais motivos para a demissão de Roger: sequência de quatro jogos sem vitórias, incluindo eliminação na Copa do Brasil e tropeço na Libertadores.
- Pressão da torcida: protestos nas redes sociais cresceram após o Gre-Nal, com pedidos por um técnico experiente em crises.
- Custo da transição: além da multa, o Inter gasta cerca de 1,2 milhão de reais mensais com a comissão técnica do novo contratado.
- Calendário apertado: apenas três dias de preparação antes do jogo fora de casa, exigindo decisão rápida.
Percurso de Zubeldía no futebol brasileiro
Luis Zubeldía chegou ao Brasil com bagagem sólida do futebol argentino, onde comandou times como Lanús e Racing, conquistando títulos e admiração por seu estilo tático moderno. No São Paulo, assumiu em 2024 e permaneceu até junho de 2025, dirigindo 85 partidas com 38 vitórias, 27 empates e 20 derrotas, o que representa um aproveitamento de cerca de 53%. Seus números incluem campanhas consistentes na Libertadores e no Brasileirão, com ênfase em transições rápidas e pressão alta, características que atraíram a atenção do Internacional.
O argentino, de 44 anos, viajou com uma comissão técnica completa, incluindo dois auxiliares, um preparador físico e um analista de desempenho. No São Paulo, nomes como Maxi Cuberas e Carlos Gruezo integraram sua equipe, contribuindo para um trabalho estruturado que o Inter via como ideal para remotivar o elenco atual. Contudo, o entrave surgiu em conversas recentes, possivelmente ligado a sondagens da Federação Peruana de Futebol, que avalia opções para o ciclo da Copa do Mundo de 2030. Zubeldía apareceu na lista de cotados peruanos nas últimas semanas, o que pode ter gerado hesitação no argentino sobre um compromisso de longo prazo no Brasil.
📸 Equipe se reapresentou na manhã desta terça-feira e deu início na preparação para enfrentar o Juventude. #VamoInter 🇦🇹 pic.twitter.com/O78WqOrNmN
— Sport Club Internacional (@SCInternacional) September 23, 2025
Apesar do recuo, o Inter mantém canais abertos com o representante de Zubeldía, Gustavo Lescovich, que confirmou contatos iniciais mas negou acertos formais. A preferência do treinador, segundo relatos, inclina-se para um clube brasileiro em detrimento de uma seleção nacional, devido ao calendário mais previsível e à oportunidade de títulos imediatos. Ainda assim, a diretoria colorada adota postura cautelosa, evitando euforia prematura enquanto avalia cláusulas contratuais e ajustes salariais.
Alternativa Ramón Díaz ganha tração
Ramón Díaz emerge como plano reserva sólido, com histórico comprovado no futebol brasileiro e laços pessoais que facilitam o acerto. O argentino de 65 anos, que deixou o Olimpia do Paraguai em agosto após apenas sete jogos, já foi oferecido ao Inter há cerca de um mês, quando Roger ainda comandava o time. Sua amizade com o diretor esportivo Andrés D’Alessandro, forjada no River Plate e no San Lorenzo nos anos 2000, pesa a favor: D’Alessandro atuou sob o comando de Díaz em momentos cruciais de sua carreira, o que cria confiança mútua na diretoria.
Díaz chega ao radar colorado com currículo de salvador de crises, tendo evitado rebaixamentos no Vasco em 2020 e no Corinthians em 2024, onde ainda conquistou o Campeonato Paulista. No Brasil, ele dirigiu 78 jogos pelo Corinthians, com 42 vitórias, e 56 pelo Vasco, somando 32 triunfos, números que destacam sua capacidade de extrair resultados em cenários adversos. O pacote inclui o filho Emiliano como auxiliar, residente no Brasil, e uma comissão que domina o português, facilitando a adaptação rápida ao vestiário do Beira-Rio.
- Conquistas recentes de Díaz: título paraguaio com Olimpia em 2024, apesar da saída precoce; vice-campeonato argentino com San Lorenzo em 2001.
- Estilo de jogo: ênfase em contra-ataques velozes e motivação coletiva, com média de 1,8 gols por partida em passagens brasileiras.
- Vínculos com o Inter: parceria com D’Alessandro inclui troféus no River Plate, como a Libertadores de 1996.
- Pedidos contratuais: salário na faixa de 800 mil reais mensais, mais bônus por metas de classificação em torneios continentais.
- Idade como fator: aos 65, traz experiência, mas diretoria avalia se o perfil atende à visão de renovação de médio prazo.
A negociação com Díaz avança paralelamente, com contatos diretos estabelecidos para alinhar detalhes até o fim do dia. O Inter prioriza um contrato até dezembro de 2026, alinhado ao mandato do presidente Alessandro Barcellos, para evitar instabilidades futuras. Enquanto isso, emissários colorados sondam disponibilidade imediata, garantindo que o treinador esteja em Porto Alegre na quarta-feira para observações iniciais do grupo.
Histórico de trocas no comando colorado
A gestão de Alessandro Barcellos, iniciada em 2022 e prorrogada até 2026, já registra sete treinadores, um ciclo de rotatividade que reflete desafios internos e pressões externas no Internacional. Tudo começou com Miguel Ángel Ramírez, espanhol que assumiu em março de 2021 mas durou apenas quatro meses, deixando o cargo após desentendimentos com a diretoria. Seu auxiliar, Martín Anselmi, assumiu interinamente e impressionou, mas optou por retornar à Argentina, abrindo espaço para Diego Aguirre em 2022.
Aguirre, uruguaio experiente, comandou por um ano e meio, levando o time à final da Copa do Brasil em 2022, mas saiu em meio a uma crise de resultados no Brasileirão. Eduardo Coudet, o “Chacho”, voltou em 2023 para uma segunda passagem curta, de seis meses, marcada por um título gaúcho mas tropeços na Libertadores. Roger Machado, o sétimo na lista, chegou em dezembro de 2023 e ergueu o Gauchão de 2024, mas uma sequência irregular culminou na demissão após o Gre-Nal de setembro de 2025.
Essa rotatividade custou ao clube cerca de 15 milhões de reais em multas e rescisões desde 2022, segundo dados internos. O oitavo nome, seja Zubeldía ou Díaz, carrega a missão de quebrar o padrão, com foco em planejamento de longo prazo. A diretoria estuda cláusulas de permanência ligadas a metas como vaga na Sul-Americana e semifinais na Copa do Brasil.
O Inter, fundado em 1909, acumula 45 títulos gaúchos e três mundiais, mas vive fase de reconstrução financeira após dívidas herdadas. A troca atual ocorre em momento delicado: o time soma 28 pontos no Brasileirão após 23 rodadas, com seis vitórias em casa e apenas três fora, números que demandam ajustes táticos urgentes.
Reações da torcida e expectativas imediatas
Torcedores colorados manifestam divisão nas redes sociais sobre as opções em pauta, com debates acalorados sobre perfis e urgências. Muitos elogiam a estrutura de Zubeldía por sua juventude e inovação tática, mas criticam o risco de mais um estrangeiro sem raízes no clube. Já Díaz recebe apoio por sua resiliência em cenários brasileiros, embora sua idade gere preocupações sobre adaptação a um elenco jovem, com médias de 26 anos no meio-campo.
O jogo contra o Juventude representa não só três pontos cruciais na luta contra o Z-4, mas também o batismo do novo treinador. O Alfredo Jaconi, casa do adversário em Caxias do Sul, guarda memórias mistas para o Inter, com vitórias recentes mas derrotas que custaram caro na tabela. A diretoria planeja uma coletiva de imprensa conjunta com o contratado, detalhando o projeto para 2025, incluindo contratações pontuais no mercado de inverno.
- Opiniões divididas: 45% dos fãs preferem Díaz pela experiência local, segundo enquetes informais em fóruns colorados.
- Preparação física: elenco retorna de folga coletiva nesta quarta, com testes para avaliar fadiga pós-Gre-Nal.
- Apoio da gestão: Barcellos reforça compromisso com estabilidade, prometendo autonomia total ao novo comandante.
- Rivalidade local: vitória sobre o Juventude impulsiona moral antes do clássico contra o Grêmio em outubro.
Enquanto o anúncio pende, o auxiliar Gustavo Berton assume interinamente os treinos leves, mantendo a rotina do grupo. O Inter, com elenco avaliado em 180 milhões de euros pela Transfermarkt, aposta na escolha certa para resgatar o brilho de uma torcida que lota o Beira-Rio em 95% dos jogos.
Detalhes contratuais e visão de longo prazo
Os termos propostos ao próximo treinador incluem salário base de 1 milhão de reais mensais para Zubeldía, caindo para 800 mil no caso de Díaz, com variáveis atreladas a classificações continentais. O vínculo até 2026 permite alinhamento com a eleição presidencial, evitando interrupções. A comissão técnica, ponto sensível nas negociações, envolverá até cinco profissionais, com ênfase em analistas de vídeo para contrapor rivais como o Grêmio, que investe em tecnologia similar.
No contexto do Brasileirão 2025, o Inter mira pelo menos o oitavo lugar para garantir Sul-Americana, competição onde Zubeldía tem 62% de aproveitamento em fases eliminatórias. Díaz, por sua vez, soma 14 jogos invictos em mata-matas brasileiros. A diretoria, liderada por Barcellos e D’Alessandro, prioriza perfis que integrem jovens como Gabriel Mercado e veteranos como Enner Valencia, formando um equilíbrio tático.
A transição ocorre em meio a outras movimentações: o clube negocia renovações com laterais e enfrenta multas da Conmebol por incidentes como o caso do papel picado em jogo da Libertadores. Com 12 rodadas restantes no Nacional, cada decisão pesa na meta de 50 pontos para segurança.







