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O anúncio da contratação de Jair Ventura pelo Vitória surge em meio a uma sequência de derrotas que expôs fragilidades no elenco rubro-negro. A diretoria baiana, pressionada pela proximidade do rebaixamento, optou pelo técnico de 46 anos para comandar os treinos a partir desta semana. Essa mudança representa a quarta alteração no comando técnico ao longo da temporada, refletindo instabilidades que marcaram o ano do clube na elite do futebol brasileiro.

A saída de Rodrigo Chagas, ex-jogador e ídolo local, ocorreu após três partidas sem vitórias, culminando na derrota para o Fluminense no Barradão. Chagas assumira interinamente, mas não conseguiu reverter o jejum de resultados positivos. Agora, Ventura chega com contrato até o fim do ano e uma multa rescisória paga ao Avaí, garantindo sua liberação imediata.

O Rubro-Negro ocupa a 17ª posição na tabela do Campeonato Brasileiro, com apenas 22 pontos em 24 rodadas disputadas. Essa pontuação coloca o time dois pontos abaixo da linha de segurança, em uma zona de risco que exige reações rápidas nos confrontos restantes. A torcida, dividida entre otimismo e ceticismo, acompanha de perto os movimentos da diretoria para evitar o retorno à Série B.

  • Ponto atual: 17º lugar, com 22 pontos e saldo negativo de gols.
  • Jogos restantes: 14 partidas, incluindo duelos contra Grêmio e Vasco.
  • Aproveitamento atual: cerca de 30% de vitórias na temporada.
  • Meta imediata: Somar pelo menos 15 pontos nas próximas cinco rodadas.
  • Histórico recente: Três derrotas consecutivas sob Chagas.

Passagem recente pelo Avaí revela altos e baixos no comando de Ventura

Jair Ventura assumiu o Avaí em março de 2025, logo após a conquista do Campeonato Catarinense pelo time catarinense. Sob seu comando, o Leão da Ilha iniciou forte na Série B, chegando a flutuar perto do G-4 em rodadas iniciais. A equipe somou vitórias importantes contra rivais diretos, como Chapecoense e Goiás, demonstrando um futebol organizado e defensivo sólido nos primeiros meses.

No entanto, uma queda de rendimento a partir da 21ª rodada comprometeu as aspirações de acesso. O Avaí acumulou empates e derrotas inesperadas, terminando na 11ª posição com 37 pontos, seis atrás do quarto colocado. Ventura comandou 27 jogos, registrando nove vitórias, dez empates e oito derrotas, o que resulta em um aproveitamento de 45,7%. Essa estatística reflete um equilíbrio precário, com o time sofrendo gols em contra-ataques e falhas em finalizações.

A decisão de deixar o clube veio após uma proposta irrecusável da Série A, conforme comunicado oficial do Avaí. O treinador expressou gratidão pela oportunidade em Florianópolis, mas destacou a necessidade de novos desafios. Sua comissão técnica, incluindo auxiliar Emílio Faro e preparador Felippe Capella, também se despediu, abrindo espaço para um interino como Marquinhos Santos até a definição do sucessor.

O período no Avaí serviu como teste para Ventura em um contexto de Série B, onde o foco em consistência é crucial. Apesar dos tropeços, o técnico conseguiu estabilizar o meio-campo com jovens promissores e reforçou a marcação em jogos fora de casa. Essa experiência recente pesa na escolha do Vitória, que busca um perfil capaz de lidar com elencos limitados.

Histórico de Ventura destaca resgates em momentos de pressão

A carreira de Jair Ventura como treinador começou de forma modesta, atuando como auxiliar no Botafogo em 2009. Ali, ele absorveu lições de profissionais experientes e assumiu interinamente o time principal em 2010, em uma vitória no Campeonato Carioca. Essa passagem inicial pavimentou o caminho para seu primeiro contrato fixo, consolidando sua reputação em clubes de médio porte.

Em 2016, Ventura assumiu o Botafogo em crise, livrando o time do rebaixamento com uma sequência impressionante de resultados. Na temporada seguinte, levou o alvinegro à final da Copa Libertadores, um feito histórico que o projetou nacionalmente. Seu estilo tático, baseado em transições rápidas e solidez defensiva, rendeu elogios e uma vaga na elite do futebol sul-americano.

Posteriormente, o treinador passou por Santos e Corinthians, onde enfrentou elencos estrelados mas lidou com eliminações precoces em competições. No Sport, em 2020, evitou o descenso na Série A com vitórias cruciais nas rodadas finais. Essa capacidade de resgatar equipes em apuros se repetiu na Chapecoense e Juventude, embora com demissões em contextos de instabilidade financeira.

  • Botafogo (2016-2017): Evitou rebaixamento e chegou à final da Libertadores.
  • Atlético-GO (2023-2024): Conquistou o Campeonato Goiano e promoveu à Série A.
  • Goiás (2022 e início de 2025): Final da Copa Verde e 13º lugar no Brasileirão.
  • Santos (2018): Semifinal da Copa do Brasil, mas saída após pressão da torcida.
  • Corinthians (2019): Estabilidade inicial, mas eliminação na Sul-Americana.

Seu único título como treinador principal veio no Atlético-GO, com o tricampeonato estadual em 2024, incluindo uma sequência de 15 vitórias consecutivas. Ventura, filho do ídolo Jairzinho, carrega o peso de um sobrenome lendário, mas construiu sua trajetória com pragmatismo e foco em resultados concretos.

Mudanças no comando técnico expõem instabilidades do Vitória em 2025

O Vitória iniciou a temporada com Thiago Carpini no comando, apostando em um projeto de renovação após o acesso em 2024. Carpini levou o time à vaga na Copa Sul-Americana, mas tropeços no Brasileirão geraram sua demissão em junho. A diretoria então optou por Fábio Carille, conhecido por passagens vitoriosas em clubes grandes, mas o treinador durou pouco devido a desentendimentos internos.

Rodrigo Chagas, ídolo como lateral-esquerdo, assumiu como interino em setembro, buscando resgatar a identidade rubro-negra. No entanto, os três jogos sob sua orientação resultaram em derrotas, incluindo o revés para o Fluminense por 2 a 0. Essa sequência negativa acelerou a busca por um nome experiente, culminando na escolha de Ventura.

A rotatividade no banco de reservas reflete desafios maiores no clube, como lesões recorrentes e saídas de jogadores chave. O elenco, reforçado no início do ano com nomes como Alerrandro e Jean Mota, sofreu com dispensas e empréstimos, deixando lacunas no ataque e meio-campo. A diretoria agora prioriza ajustes táticos para os 14 jogos restantes, com foco em contratações pontuais para o setor ofensivo.

Essas trocas de comando não são isoladas; o Vitória já viveu períodos semelhantes em anos anteriores, sempre saindo fortalecido com escolhas assertivas. A expectativa é que Ventura traga equilíbrio, explorando a força da torcida no Barradão e corrigindo erros de posicionamento vistos nas últimas partidas.

Expectativas iniciais envolvem adaptação rápida ao elenco rubro-negro

Ventura desembarca em Salvador nesta quarta-feira, com agenda apertada para conhecer o grupo e planejar o confronto contra o Grêmio. O jogo, marcado para o fim de semana, servirá como teste inicial para suas ideias táticas, que priorizam uma defesa compacta e contra-ataques velozes. O treinador já sinalizou interesse em potencializar jovens da base, como feito em passagens anteriores.

O elenco do Vitória, com 22 pontos, depende de vitórias em casa para ganhar fôlego. Jogadores como o atacante Dudu e o volante Dudu Oliveira destacam a necessidade de coesão, especialmente após a derrota recente. Ventura, em suas primeiras declarações, enfatizou a importância do coletivo, prometendo um rodízio de posições para maximizar o rendimento.

A torcida rubro-negra, presente em mais de 80% dos jogos no Barradão, representa um trunfo. Pesquisas internas do clube indicam que 60% dos sócios aprovam a contratação, valorizando o histórico de salvação de Ventura em outros times. No entanto, a pressão por resultados imediatos é alta, com o Z-4 apenas dois pontos abaixo.

Adaptações incluem ajustes no calendário de treinos, com sessões duplas para corrigir falhas defensivas. O auxiliar Emílio Faro, que o acompanha, focará no condicionamento físico, visando reduzir lesões que afetaram o time em 2025. Essa estrutura visa uma integração suave, preparando o terreno para uma reta final competitiva.

Detalhes da negociação revelam urgência na decisão da diretoria

As conversas entre Vitória e Ventura avançaram rapidamente após a derrota para o Fluminense. A diretoria, liderada por Fábio Mota, identificou o técnico como prioridade devido à sua disponibilidade e perfil. O acordo envolve salário competitivo e bônus por permanência na Série A, com cláusulas de performance para rodadas específicas.

O Avaí, ao confirmar a saída, destacou o profissionalismo de Ventura e desejou sucesso em sua nova etapa. A multa rescisória, estimada em valores moderados, foi quitada sem entraves, permitindo a transição imediata. Essa agilidade contrasta com negociações anteriores do Vitória, que se arrastaram por semanas.

Internamente, o clube organiza uma coletiva de imprensa para quinta-feira, onde Ventura apresentará sua visão para a sequência. A expectativa é de reforços modestos, como empréstimos de laterais, para suprir necessidades identificadas nos treinos iniciais. Essa estratégia visa equilibrar o orçamento, já pressionado pela campanha irregular.

A negociação também envolveu consultas a ex-jogadores do Vitória, que endossaram a escolha por conhecerem o estilo de Ventura. Detalhes como plano de viagens e logística para jogos fora foram alinhados, garantindo foco total no Brasileirão. Essa preparação meticulosa sinaliza compromisso com uma virada sustentável.

Preparação para o jogo contra Grêmio testa primeiras ideias de Ventura

O confronto com o Grêmio, na Arena do Grêmio, marca o debute oficial de Ventura. O time gaúcho, posicionado no meio da tabela, representa um adversário equilibrado, com ataques rápidos liderados por nomes experientes. O Vitória chega com desfalques mínimos, permitindo que o novo comandante escale sua equipe titular preferida.

Treinos iniciais enfatizam marcação alta e posse de bola no terço final, táticas que Ventura refinou no Avaí. Jogadores como o zagueiro Bruno Uvini, que renovou recentemente, serão fundamentais na contenção. A estratégia passa por explorar contra-ataques, aproveitando a velocidade de pontas como Wagner Leonardo.

Clima em Porto Alegre prevê chuva leve, o que favorece um jogo truncado, alinhado ao estilo defensivo de Ventura. Arbitragem, comandada por um quadro federal, monitora cartões acumulados, com foco em evitar suspensões desnecessárias. Essa partida inicial definirá o tom para a sequência, com análise pós-jogo guiando ajustes.

O apoio remoto da torcida rubro-negra, via transmissões e redes, impulsiona o time. Ventura, em conversas preliminares, motivou o grupo com exemplos de reviravoltas passadas, reforçando a crença em pontos somados fora de casa. Essa abordagem psicológica complementa o trabalho tático, visando um resultado positivo logo de cara.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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