Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

Dirigentes da Conmebol reuniram-se com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, em Nova York para apresentar um plano ambicioso. A proposta visa expandir a Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções participantes. Essa iniciativa surge no contexto das celebrações do centenário da primeira edição do torneio, realizada em 1930 no Uruguai.

A reunião ocorreu na terça-feira, coincidindo com a Assembleia Geral da ONU. Presidentes do Uruguai, Yamandú Orsi, e do Paraguai, Santiago Peña, participaram ao lado de Alejandro Domínguez, chefe da Conmebol. Eles defendem que o aumento permita mais jogos na América do Sul, além das três partidas inaugurais já previstas.

  • A expansão seria exclusiva para 2030, voltando a 48 seleções em edições futuras.
  • Países sul-americanos como Argentina, Uruguai e Paraguai poderiam sediar grupos completos.
  • A Fifa possui 211 associações filiadas, e 64 equipes representariam cerca de 30% delas.
  • O formato atual de 48 times estreia em 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México.

Infantino destacou o encontro como produtivo em uma publicação nas redes sociais. Domínguez enfatizou a unidade e a criatividade no futebol global. A ideia ganhou tração após discussões iniciais em março, mas ainda depende de análise pelo conselho da Fifa.

Encontro em Nova York marca avanço na articulação sul-americana

A delegação sul-americana chegou ao escritório da Fifa preparado para defender a viabilidade da expansão. Orsi e Peña, presentes pela agenda da ONU, reforçaram o apelo político pela inclusão maior da região. Domínguez, por sua vez, reiterou que o centenário merece uma edição única, espalhada por três continentes.

O plano sugere que cada país sul-americano anfitrião gerencie um grupo inteiro, com pelo menos seis partidas por nação. Isso elevaria o número de jogos de três para dezenas, distribuídos entre Estádio Centenário no Uruguai, Monumental em Buenos Aires e Defensores del Chaco em Assunção. Especialistas apontam que tal estrutura demandaria ajustes logísticos, mas celebraria o legado de 1930 de forma inédita.

Infantino ouviu as argumentações sem comprometer uma decisão imediata. Ele mencionou o “amor mútuo pelo futebol” como base para diálogos futuros. A Conmebol vê na proposta uma chance de envolver todas as 10 nações filiadas, incluindo a Venezuela, que nunca disputou um Mundial.

Proposta ganha força após sugestão inicial de março

A ideia de 64 seleções surgiu espontaneamente em uma reunião virtual do conselho da Fifa em março. O presidente da Federação Uruguaia, Ignacio Alonso, levantou o tema, surpreendendo participantes. Desde então, a Conmebol refinou o documento, incorporando apoio governamental para fortalecer o lobby.

Em abril, durante o 80º Congresso da Conmebol em Luque, no Paraguai, Domínguez anunciou formalmente a intenção. Ele argumentou que o torneio de 2030, sediado por Espanha, Portugal e Marrocos, com aberturas sul-americanas, precisa de amplitude para refletir a globalização do esporte. A entidade sul-americana enviou o texto oficial à Fifa logo após, aguardando análise técnica.

Críticos, como o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, questionam a qualidade do jogo com mais equipes. Ceferin chamou a expansão de “má ideia” em janeiro, citando riscos à intensidade das partidas. No entanto, a Conmebol rebate que o formato de 128 jogos totais, dobrando os 64 de edições passadas, traria inclusão sem precedentes.

A Fifa confirmou o recebimento e afirmou dever avaliar toda sugestão de conselheiros. O próximo conselho, em outubro, pode incluir o tema na pauta, definindo prazos para deliberação.

Sedes múltiplas definem logística inédita para o torneio

Espanha, Portugal e Marrocos assumem como sedes principais, com infraestrutura avançada para grandes eventos. A Espanha planeja usar estádios como o Santiago Bernabéu e o Camp Nou, renovados para a ocasião. Portugal aposta em Lisboa e Porto, enquanto Marrocos prepara Casablanca e Rabat com investimentos em acessibilidade.

Na América do Sul, o foco recai sobre as aberturas simbólicas. O Uruguai, berço do primeiro Mundial, inicia com um jogo no Centenário, capacidade para 60 mil torcedores. A Argentina segue com partida no Monumental, icônico por copas de 1978, e o Paraguai encerra as estreias no Defensores del Chaco. Essa distribuição inicial já exige coordenação transcontinental, com voos charter e fusos horários variados.

  • Espanha oferece 12 estádios principais, incluindo Mestalla em Valência.
  • Portugal conta com nove arenas, como o Estádio da Luz em Lisboa.
  • Marrocos investe em quatro novos complexos, além de Ibn Battouta em Tânger.
  • Uruguai prioriza o Centenário, com reformas para 2025 concluídas.
  • Argentina e Paraguai adaptam sedes existentes para padrões Fifa.

A expansão para 64 times ampliaria a fase de grupos para 16 chaves de quatro equipes cada, gerando 48 partidas iniciais. Isso demandaria mais campos de treinamento e hotéis, mas a Fifa estima receitas extras de ingressos e direitos de transmissão.

Evolução histórica das expansões no formato da Copa do Mundo

O torneio começou com 13 seleções em 1930, crescendo para 16 em 1934 e mantendo esse número até 1978. A virada veio em 1982, na Espanha, com 24 times, sob pressão por inclusão africana e asiática. Em 1998, na França, saltou para 32, padrão por duas décadas até 2022 no Catar.

A edição de 2026 marca o salto para 48, com 12 grupos de quatro e mata-mata ampliado. Essa mudança, aprovada em 2017, adicionou 16 vagas e elevou jogos para 104. A Conmebol beneficiou-se com seis classificados diretos, contra quatro anteriores.

Para 2030, a proposta de 64 reviveria debates de 2017, quando se cogitou 40 equipes. A Fifa rejeitou então por logística, mas o centenário abre brechas. Dados da entidade mostram que 211 nações disputam vagas hoje, com eliminatórias consumindo bilhões em audiência global.

A Uefa, com 55 membros, resiste por diluição de cotas europeias, que detêm 16 vagas em 48. Ásia e África, com 8 e 9 respectivamente, apoiam modicamente, vendo ganho em representatividade. A Conmebol calcula que 64 times dobrariam vagas sul-americanas para 10, eliminando eliminatórias regionais.

Reações de confederações revelam divisões no cenário global

A Uefa expressou reservas formais em comunicados recentes. Ceferin reiterou preocupações com calendários sobrecarregados e qualidade técnica. Representantes europeus temem que mais times enfraqueçam confrontos decisivos, citando exemplos de mundiais com zebras em fases iniciais.

A Confederação Africana de Futebol, por outro lado, vê oportunidade para mais vagas. Com cinco em 2026, líderes como o egípcio Motasem El-Wardany defendem expansões para equilíbrio continental. A Ásia, com quatro vagas atuais, alinha-se parcialmente, priorizando desenvolvimento de mercados emergentes.

Na Oceania, a proposta anima, pois a vaga única da Nova Zelândia em Copas passadas viria garantida em um pote maior. A Concacaf, anfitriã de 2026, monitora sem posição oficial, focada em sua própria logística tripla.

  • Uefa: 16 vagas em 48 times; resiste a diluição para 2030.
  • África: 9 vagas; apoia inclusão para nações subdesenvolvidas.
  • Ásia: 8 vagas; equilibra com foco em receitas asiáticas.
  • Concacaf: 6 vagas mais sede; neutra, mas interessada em precedentes.
  • Oceania: 1 vaga; vê chance de participação fixa.

Domínguez postou sobre o encontro, chamando por “acreditar sempre”. Infantino ecoou com otimismo, mas fontes internas indicam debates acalorados no conselho. A Conmebol planeja mais rodadas de lobby em outubro.

Detalhes logísticos e econômicos da possível ampliação

Um Mundial com 64 seleções geraria 128 partidas, contra 104 em 2026. Isso implica mais dias de torneio, possivelmente 40, com fase de grupos estendida. A Fifa projetaria custos extras em US$ 1 bilhão para infraestrutura, mas receitas de US$ 7 bilhões em transmissões.

Ingressos para 2026 já superam 4,5 milhões de pedidos, segundo dados preliminares. Para 2030, a expansão poderia dobrar essa demanda, impulsionando turismo em seis nações. Espanha estima 2 milhões de visitantes, enquanto Marrocos prepara 500 mil leitos hoteleiros.

Na América do Sul, o Uruguai aloca US$ 50 milhões em reformas no Centenário. A Argentina, apesar de desafios econômicos, compromete-se com o Monumental via parceria público-privada. O Paraguai foca em mobilidade, com aeroportos expandidos em Assunção.

Países europeus e africanos investem em sustentabilidade, com estádios solares e transporte elétrico. A Fifa impõe padrões de carbono zero, alinhados a agendas globais. A Conmebol defende que mais times atrairiam patrocinadores locais, como cervejarias sul-americanas e marcas de apostas.

Participação ampliada beneficia nações emergentes no futebol

Com 64 times, confederações menores ganhariam visibilidade. A Venezuela, ausente em 22 Copas, entraria no lote sul-americano. Nações como Bolívia e Peru, com classificações esporádicas, teriam vaga direta, fomentando investimentos em academias juvenis.

África veria mais equipes como Cabo Verde ou Tanzânia estreando, elevando o nível continental. A Ásia beneficiaria Índia e Tailândia, com populações bilionárias impulsionando audiência. A Oceania colocaria Fiji ou Papua-Nova Guiné em cena global pela primeira vez.

Eliminatórias mudariam radicalmente. Na Conmebol, as 18 rodadas atuais dariam lugar a convites, liberando calendários para ligas nacionais. A Uefa, relutante, propõe repescagens extras para mitigar perdas de receita em qualificatórias.

A Fifa estuda impactos em jogadores, com pausas estendidas pós-torneio. Sindicatos como a Fifpro apoiam inclusão, mas alertam para fadiga em elites europeias. A proposta equilibra tradição e modernidade, com o centenário como catalisador.

Preparativos avançam em sedes com foco em infraestrutura moderna

Portugal inicia obras no Estádio do Dragão, em Porto, com capacidade para 50 mil. Lisboa recebe upgrades no Alvalade, integrando tecnologia de VAR avançada. A Espanha, com legado de 1982 e 2010 na memória, moderniza o Wanda Metropolitano em Madri.

Marrocos acelera o Hassan II em Casablanca, projetado para 70 mil, com design inspirado em arquitetura moura. Tânger e Rabat complementam com arenas multifuncionais. Na África, a ênfase vai em conectividade, com 5G em todos os locais.

A América do Sul coordena via Conmebol, com protocolos unificados de segurança. O Uruguai testa sistemas de biometria para torcedores, enquanto a Argentina planeja zonas de fã para 100 mil. O Paraguai investe em saúde, com centros médicos FIFA-compliant.

Esses preparativos, orçados em bilhões, empregam milhares localmente. A expansão de times aceleraria contratações, com Fifa prometendo 200 mil vagas temporárias. O torneio se firma como motor econômico global.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Destaques

    Polícia descarta investigar por homicídio namorado de jovem que caiu do 7º andar

  2. Destaques

    Júnior Bauru tem Porsche cercado na Lagoa e assaltante acaba baleado no Rio de Janeiro

  3. Destaques

    Detran-RJ emite Carteira de Identificação da Mãe Atípica sem custo

  4. Receita Federal

    Saiba como será o Split Payment: reforma tributária divide imposto na hora da compra e muda rotina de empresas no Brasil

  5. Economia

    Gasolina com 35% de etanol: testes do governo avaliam mistura e mecânicos alertam para riscos em carros no Brasil

  6. Brasil

    Fibras de pitanga e cambuci reduzem a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório, diz USP

  7. Destaques

    Bob Dylan se encontra com o Papa Leão XIV no Vaticano após mediação cultural

  8. Destaques

    Tornado no Aeroporto de Chapecó atinge 126 km/h, arranca teto de terminal e cancela voos em Santa Catarina

  9. Destaques

    Janaína Barbosa, ex-apresentadora do TV Fama, morre aos 48 anos em São Paulo

  10. Serasa

    Feirão Limpa Nome da Serasa oferece descontos de até 99% para quitar dívidas no Brasil até 6 de dezembro

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.