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Pablo Vegetti, artilheiro do futebol brasileiro em 2025 com 24 gols em 46 jogos, enfrenta seu momento mais delicado no Vasco da Gama. O centroavante argentino, conhecido pela letalidade no jogo aéreo, não marca de cabeça há mais de dois meses, desde o empate por 1 a 1 contra o Independiente del Valle, em 22 de julho, pela Copa Sul-Americana. Essa seca coincide com a chegada de Fernando Diniz ao comando técnico, em maio, e tem alimentado questionamentos sobre sua titularidade. A torcida, antes encantada com seus cabeceios precisos, agora cobra maior efetividade em um time que luta contra a zona de rebaixamento no Brasileirão.

O argentino, contratado em agosto de 2023, tornou-se ídolo rapidamente por sua força nas bolas altas, marcando 11 gols de cabeça no Brasileirão desde então – recorde na competição. No entanto, sob Diniz, apenas um dos seus nove gols veio pelo alto, evidenciando uma queda brusca. O Vasco enfrenta o Bahia nesta quarta-feira, às 19h30, em São Januário, com Vegetti como titular, mas sob pressão crescente.

  • Dos 24 gols na temporada, sete foram de cabeça, mas apenas um com Diniz.
  • Antes do treinador, Vegetti converteu 40% das finalizações aéreas; agora, apenas 14%.
  • O argentino lidera o ranking mundial de duelos aéreos ganhos, com 124 na temporada.

A mudança tática imposta por Diniz, com menos cruzamentos e mais posse de bola, desafia o estilo clássico de Vegetti, enquanto o treinador defende sua importância tática e versatilidade.

Queda no aproveitamento aéreo

Vegetti sempre foi sinônimo de gols pelo alto. Em 2025, até abril, liderava o ranking mundial com seis gols de cabeça, superando craques como Harry Kane. Sua média de 2,7 duelos aéreos vencidos por jogo e 42,85% de conversão em finalizações aéreas o colocavam como referência global. No Brasileirão, desde 2023, nenhum jogador marcou mais gols de cabeça que ele. Contudo, a chegada de Diniz mudou o cenário.

O Vasco reduziu os cruzamentos de 18 para 12 por partida, priorizando trocas de passes e infiltrações. Nos últimos 11 jogos, Vegetti tentou 19 finalizações de cabeça, convertendo apenas uma. Antes de Diniz, seis dos seus 15 gols saíram pelo alto, explorando sua altura de 1,90 metro. A nova filosofia exige que o argentino se movimente mais, o que resultou em três gols com os pés nos primeiros cinco jogos sob o treinador, mas também expôs sua dificuldade em manter o mesmo impacto aéreo.

A seca atual, com três jogos sem marcar, intensifica críticas. Contra o Flamengo, Vegetti teve duas chances de cabeça, sem sucesso, em um empate por 1 a 1. Ele finalizou 106 vezes na temporada, com 39 no alvo, mas desperdiçou quatro chances claras recentemente, aumentando a pressão.

Respaldo de Fernando Diniz

Fernando Diniz tem defendido Vegetti publicamente, destacando sua relevância além dos gols. Após o empate sem gols contra o CSA, pela Copa do Brasil, o técnico afirmou que o foco é recuperar o faro goleador do argentino, adaptando-o a um sistema que cria mais chances coletivas. Nos últimos dez jogos, Vegetti foi titular em nove, completando 90 minutos em sete, atrás apenas de Tchê Tchê em minutagem.

Em coletiva após o 2 a 2 com o Ceará, Diniz elogiou a contribuição tática do jogador. Ele destacou a capacidade de Vegetti em ganhar faltas (duas por jogo), realizar cortes defensivos (seis por partida) e pressionar zagueiros, abrindo espaços. O treinador rejeita a ideia de tirá-lo do time, enfatizando confiança e liderança.

  • Minutagem alta: Vegetti jogou 90 minutos em 70% dos jogos com Diniz.
  • Contribuições defensivas: Líder em cortes e roubos de bola entre atacantes do Vasco.
  • Liderança em campo: Como capitão, motiva o elenco em momentos de pressão.

Apesar do respaldo, Diniz testou alternativas, como David contra o Corinthians, quando o Vasco mostrou maior fluidez ofensiva. A escolha sugere que a paciência com Vegetti, embora grande, não é ilimitada.

Adaptação ao novo esquema tático

O estilo de Diniz, baseado em posse de bola e movimentação constante, contrasta com o perfil de Vegetti como centroavante fixo. O Vasco aumentou as trocas de passe em 25% por jogo, reduzindo lançamentos longos e cruzamentos diretos. Isso beneficia jogadores como Philippe Coutinho, mas limita as chances de Vegetti na área. Nos treinos, o argentino tem trabalhado infiltrações, recebendo bolas rasteiras, o que gerou três gols com os pés contra o Bragantino.

A transição, porém, não tem sido suave. Contra o Flamengo, Vegetti enfrentou zagueiros altos, mas o esquema de posse limitou as bolas aéreas. Ele venceu 124 duelos aéreos na temporada, mas a falta de cruzamentos reduz suas chances. O Vasco tentou apenas 12 cruzamentos por jogo nos últimos dez confrontos, contra 18 anteriormente, impactando diretamente o desempenho do artilheiro.

Especialistas sugerem que a adaptação pode elevar o nível do time, mas exige tempo. Vegetti mostrou progresso em jogos como contra o Fortaleza, marcando com os pés, mas a seca de cabeceios persiste, desafiando sua principal virtude.

Papel multifuncional no Vasco

Além dos gols, Vegetti oferece contribuições táticas cruciais. Sua presença física força recuos defensivos, criando espaços para companheiros. Ele lidera o Brasileirão em faltas sofridas (duas por jogo), gerando bolas paradas, e registra seis ações defensivas por partida, incluindo cortes e roubadas de bola. Desde 2023, marcou 55 gols pelo Vasco, sendo o terceiro maior artilheiro do clube no século XXI, atrás de Nenê e Romário.

No Carioca, dividiu a artilharia com seis gols; na Sul-Americana, marcou cinco. Sua média de 0,53 gol por jogo supera nomes como Lautaro Martínez. Nos últimos cinco jogos, participou de três gols alheios, mostrando versatilidade. O Vasco explora sua dominância em treinos, simulando cruzamentos e ajustando posicionamentos para maximizar chances.

  • Espaço para companheiros: Pressão de Vegetti facilita infiltrações de alas como Rayan.
  • Recordes: Líder em duelos aéreos da Série A, com 124 vitórias.
  • Parcerias: Contrato até 2026 e acordo com a Nike reforçam sua imagem.

Esses números sustentam a confiança de Diniz, mas a torcida cobra resultados imediatos, especialmente em jogos decisivos.

Reação da torcida e próximos passos

A torcida vascaína está dividida. Enquetes recentes mostram 82% dos torcedores pedindo alternativas no banco, como David, após jogos como a derrota por 3 a 2 para o Corinthians. A falta de velocidade e as 5,3 posses perdidas por jogo são alvos de críticas. No entanto, Vegetti tem apoio por seu histórico em clássicos, com oito gols, incluindo contra o Flamengo este ano.

O clássico com o Bahia é uma chance de redenção. O adversário tem fragilidade aérea, cedendo 60% dos duelos altos. Diniz planeja mais cruzamentos com Rayan e Piton, mirando Vegetti na segunda trave. O argentino, com dois gols em três jogos contra baianos, pode aproveitar. Uma vitória em São Januário, onde o Vasco venceu quatro dos últimos cinco jogos, aliviaria a pressão e daria fôlego na luta contra o rebaixamento.

  • Fragilidade adversária: Bahia sofreu três gols aéreos na temporada.
  • Retrospecto favorável: Vegetti tem média de um gol a cada 115 minutos no Brasileirão.
  • Chave para o sucesso: Coutinho e Moreira criam 70% das chances para o centroavante.

Com 15 pontos em 18 rodadas, o Vasco precisa de consistência. Vegetti, apesar das críticas, segue como peça central, com potencial para reverter a narrativa no confronto desta quarta-feira.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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