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O supertufão Ragasa, considerado o ciclone tropical mais intenso registrado em 2025, avançou pela costa sul da China nesta quarta-feira, 24 de setembro, após causar destruição significativa em Taiwan e nas Filipinas. Ventos sustentados de até 195 quilômetros por hora impulsionaram o fenômeno para a cidade de Yangjiang, em Guangdong, pouco após as 6h no horário de Brasília. Autoridades chinesas ativaram protocolos de emergência, deslocando suprimentos e equipes de resgate para mitigar os efeitos da tempestade.

Regiões costeiras de Guangdong enfrentam rajadas que superam os 260 quilômetros por hora, com chuvas acumuladas projetadas para ultrapassar 300 milímetros em poucas horas. O impacto inicial registrou interrupções em serviços essenciais, incluindo energia elétrica e transportes públicos, enquanto ondas gigantes atingiam infraestruturas portuárias. Antes de chegar à China continental, o Ragasa já havia deixado um rastro de prejuízos em áreas vizinhas, destacando a vulnerabilidade de ilhas e penínsulas no Pacífico ocidental.

  • Principais áreas afetadas incluem Zhuhai e Zhanjiang, com alertas de maré alta;
  • Equipes de bombeiros posicionam barreiras temporárias contra inundações;
  • Hospitais locais estocam medicamentos para atender possíveis feridos;
  • Escolas e empresas suspendem atividades até pelo menos sexta-feira.

Equipes de monitoramento climático observam que o Ragasa se formou rapidamente sobre águas quentes do Mar do Sul da China, ganhando força equivalente a um furacão de categoria 5 na escala Saffir-Simpson. Essa intensidade, rara para o período, reflete padrões anormais de aquecimento oceânico que alimentam ciclones tropicais. Na China, o Ministério de Gestão de Emergências coordenou o envio de tendas e geradores para abrigos improvisados, priorizando vilarejos rurais expostos.

Formação e intensificação do ciclone

O Ragasa emergiu como uma depressão tropical no início da semana, evoluindo para supertufão em menos de 48 horas graças a condições atmosféricas favoráveis. Seu centro de baixa pressão se deslocou de leste para oeste, passando por ilhas remotas nas Filipinas antes de rumar para Taiwan. Especialistas em meteorologia destacam que o raio de ação do vento, estimado em 320 quilômetros, ampliou os efeitos periféricos, gerando chuvas torrenciais mesmo em zonas distantes do olho da tempestade.

Essa progressão rápida surpreendeu observadores, pois o ciclone manteve integridade estrutural apesar de interações com terra firme nas Filipinas. Dados de satélite revelam que a pressão mínima no centro caiu para níveis recordes, impulsionando ventos que derrubaram árvores e danificaram linhas de transmissão em áreas costeiras. Autoridades filipinas relataram pelo menos três óbitos iniciais, com deslizamentos de terra isolando comunidades no norte de Luzon.

A intensificação do Ragasa coincide com um ano marcado por eventos climáticos extremos no Pacífico, onde tufões como esse contribuem para perdas econômicas bilionárias. Na terça-feira, o fenômeno já exibia contornos bem definidos, com nuvens cumulonimbus formando uma espiral visível de órbita. Previsões indicam que, após o toque em Guangdong, o ciclone enfraquecerá ao penetrar no interior, mas persistirá como uma depressão tropical por mais dois dias.

Moradores de regiões afetadas descrevem o avanço do tufão como um rugido constante, com rajadas que balançam estruturas de concreto armado. Em preparação, governos locais emitiram ordens de recolhimento obrigatório, fechando rodovias e portos comerciais. Essa mobilização preventiva evitou maiores casualidades iniciais na China, embora o volume de água liberado pelas chuvas já cause transbordamentos em rios secundários.

Evacuações em massa na província de Guangdong

Autoridades de Guangdong ordenaram a remoção de quase dois milhões de residentes de zonas vulneráveis, com foco em áreas baixas e costanitas. Em Shenzhen, um hub tecnológico, cerca de 400 mil pessoas deixaram suas residências, buscando refúgio em hotéis e centros comunitários. O governo provincial distribuiu kits de sobrevivência contendo alimentos não perecíveis, lanternas e medicamentos básicos, enquanto drones monitoram rotas de evacuação para evitar congestionamentos.

Essa operação, uma das maiores em décadas, envolveu milhares de voluntários e veículos militares para transportar idosos e famílias com crianças. Ruas principais de cidades como Guangzhou viram filas de ônibus fretados, com sirenes anunciando prazos finais para deslocamentos. Em Zhuhai, próxima a Macau, prédios altos foram esvaziados acima do décimo andar, devido ao risco de vidros estilhaçados por ventos fortes.

  • Suprimentos enviados incluem 50 mil camas portáteis e geradores elétricos;
  • Barreiras anti-inundação erguidas em 200 pontos críticos ao longo da costa;
  • Aplicativos de alerta enviaram notificações para 15 milhões de celulares;
  • Equipes médicas montam postos avançados em 50 localidades.

O esforço logístico reflete lições de tufões anteriores, como o Mangkhut em 2018, que causou danos em infraestruturas semelhantes. Apesar da escala, relatos iniciais apontam adesão alta à ordem, com poucas resistências registradas. Policiais patrulham bairros periféricos para auxiliar quem permanece isolado, enquanto helicópteros sobrevoam para mapear pontos de risco.

Destruição em Taiwan pelo rompimento de barragem

Em Taiwan, o Ragasa provocou o transbordamento de um lago barragem em Hualien, liberando 60 bilhões de litros de água sobre o distrito de Guangfu. Essa catástrofe, ocorrida na tarde de terça-feira, resultou em 17 mortes confirmadas e 17 desaparecidos, com equipes de resgate trabalhando sob condições adversas. A vila de Dama, com mil habitantes, ficou submersa, isolando moradores em telhados e andares superiores de edifícios.

O lago artificial, formado por deslizamentos de terra durante chuvas intensas, tinha volume equivalente a 36 mil piscinas olímpicas. Quando a barreira cedeu, uma onda de detritos varreu pontes e residências, destruindo a ponte de Mataian e deixando veículos à deriva. Autoridades revisaram o número de desaparecidos de 152 para 17 após localizar grupos em abrigos improvisados, mas buscas continuam com barcos e drones.

Cerca de 60% dos 8 mil residentes de Guangfu buscaram segurança em níveis elevados de suas casas, enquanto outros migraram para parentes em áreas seguras. O chefe local, Wang Tse-an, relatou caos inicial, com suprimentos bloqueados por estradas danificadas. Equipes de bombeiros de todo o país convergiram para a região montanhosa, usando cordas e guinchos para acessar vítimas presas.

A ilha registrou mais de 7 mil evacuações totais, com seis feridos leves em outras localidades. Voos internacionais foram cancelados em massa, e balsas suspensas, isolando o leste de Taiwan. Essa tragédia ecoa o tufão Morakot de 2009, que matou 700 pessoas e gerou prejuízos de bilhões de dólares, reforçando a necessidade de reforços em estruturas hidráulicas.

Impacto imediato em Hong Kong e Macau

Hong Kong enfrentou o lado mais violento do Ragasa na madrugada de quarta, com ondas gigantes invadindo calçadas e submergindo ruas no leste e sul da cidade. O sinal de alerta T10, o máximo possível, foi ativado pelo Observatório, paralisando escolas, bancos e o aeroporto internacional, que cancelou mais de 500 voos. Água salgada invadiu saguões de hotéis à beira-mar, como o Fullerton Ocean Park, derrubando pedestres e danificando mobiliário.

Em Macau, cassinos fecharam portas pela primeira vez em anos, e pontes foram interditadas para evitar colapsos sob ventos de 220 quilômetros por hora. Moradores relataram edifícios altos oscilando, com vidros trincados e árvores centenárias tombadas em avenidas principais. O governo local ordenou evacuação de áreas baixas, afetando turistas e residentes em hotéis flutuantes.

  • Mais de 100 voos internacionais realocados para aeroportos vizinhos;
  • Disneyland e parques temáticos suspenderam operações por 48 horas;
  • Equipes de limpeza removem detritos de 200 ruas principais;
  • Hospitais atendem 82 casos de lesões menores por quedas.

O fenômeno passou a 120 quilômetros ao sul da cidade, mas seu “lado sujo” – a porção direita da trajetória – intensificou chuvas e marés altas, elevando níveis em até três metros. Autoridades comparam o evento aos supertufões de 2017 e 2018, que causaram centenas de milhões em danos a propriedades. Apesar disso, o número de feridos permaneceu baixo graças a alertas precoces.

Prejuízos econômicos e respostas governamentais

O avanço do Ragasa interrompeu cadeias de suprimentos em Guangdong, afetando indústrias de eletrônicos e manufatura. Shenzhen, lar de gigantes como Huawei e Tencent, registrou paralisação total, com fábricas fechadas e portos inoperantes. Estimativas preliminares apontam perdas na casa dos milhões de dólares por hora, especialmente em exportações marítimas bloqueadas por ondas.

Governos regionais liberaram fundos de emergência para reparos rápidos, priorizando energia e comunicações. Na China, o Centro Nacional de Meteorologia emitiu o alerta vermelho de ondas, o primeiro do ano, mobilizando 10 mil militares para apoio logístico. Taiwan, por sua vez, ativou o plano nacional de desastres, com o premier ordenando investigação sobre falhas em avisos de evacuação em Hualien.

Respostas incluem reforço de diques em rios como o das Pérolas, com materiais importados de estoques federais. Voluntários distribuem água potável em abrigos, enquanto satélites monitoram a trajetória pós-landfall. O ciclone, agora enfraquecendo, rumará para o Vietnã do Norte, onde alertas semelhantes preparam comunidades rurais.

Trajetória do Ragasa pelas Filipinas e lições regionais

Nas Filipinas, o Ragasa tocou solo na ilha de Panuitan na segunda-feira, causando três mortes e milhares de deslocados no norte de Cagayan. Vilarejos evacuaram preventivamente após protestos contra projetos de controle de enchentes mal executados, revelando fragilidades em infraestruturas. Chuvas de 400 milímetros inundaram Luzon, com deslizamentos isolando estradas e forçando resgates aéreos.

O tufão, conhecido localmente como Nando, gerou ondas de três metros em Batanes, ameaçando pescadores e comunidades costeiras. Autoridades filipinas relataram 10 mil afetados, com escolas convertidas em abrigos. Essa passagem inicial destacou a frequência de ciclones no arquipélago, o mais atingido globalmente.

  • 14 distúrbios tropicais afetaram o país em 2025 até agora;
  • Projetos de diques custaram bilhões, mas falharam em testes;
  • Pescadores resgatados de barcos virados por ventos de 285 km/h;
  • Comunidades indígenas lideram esforços de reconstrução local.

Esses eventos regionais sublinham a interconexão de respostas asiáticas, com compartilhamento de dados entre agências de Taiwan, China e Filipinas. O Ragasa, com seu raio amplo, exemplifica como um único sistema pode transitar por múltiplos territórios, demandando coordenação transfronteiriça.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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