Com gols de Camilinha, Carol Gil e Isa, São Paulo vence Corinthians e vai à semi da Copa do BrasilPor Maria
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O clássico agitou o Estádio Municipal Prefeito Gabriel Marques da Silva, em Santana de Parnaíba, onde o São Paulo recebeu o Corinthians pelas quartas de final da Copa do Brasil feminina. A partida, disputada em noite chuvosa de quarta-feira, reuniu torcedores apaixonados que lotaram as arquibancadas para testemunhar o confronto direto entre rivais históricos.
Com o apito inicial, as equipes demonstraram equilíbrio logo nos primeiros minutos, trocando passes rápidos e testando as defesas adversárias. O São Paulo apostou em jogadas pelas laterais, enquanto o Corinthians explorou o meio-campo com transições velozes.
- Camilinha destacou-se com uma cobrança de falta precisa aos 42 minutos, abrindo o placar;
- Vic Albuquerque empatou nos acréscimos, completando cruzamento rasteiro de Jhonson;
- Carol Gil ampliou aos cinco do segundo tempo, aproveitando rebote na área;
- Isa selou a vitória aos 44, driblando zagueira e goleira em contra-ataque fulminante.
Essa sequência de eventos marcou uma virada estratégica que definiu o rumo do jogo.
A vitória por 3 a 1 não só garantiu a classificação do Tricolor para a próxima fase, mas também interrompeu uma sequência invicta de 13 partidas do Timão no torneio. O técnico Thiago Viana, do São Paulo, elogiou o foco coletivo após o apito final, enquanto Arthur Elias, comandante corintiano, reconheceu a superioridade momentânea da rival em declarações pós-jogo.
Gols que mudaram o clássico
A rede balançou quatro vezes em uma partida de alta intensidade, com cada gol refletindo o talento individual e o planejamento tático das equipes. Camilinha iniciou a sequência aos 42 minutos do primeiro tempo, cobrando falta com curva perfeita sobre a barreira, acertando o ângulo esquerdo da goleira Lelê sem chances de defesa. Essa finalização, treinada exaustivamente nos dias anteriores, demonstrou a precisão da meia são-paulina, que acumula três gols de falta na temporada.
O empate corintiano veio nos acréscimos, aos 47 minutos, quando Jhonson cruzou rasteiro da direita e Vic Albuquerque se antecipou à marcação com um carrinho firme, empurrando a bola para o fundo das redes. A atacante alvinegra, com 17 na camisa, celebrou efusivamente, revigorando o espírito de luta da equipe que viajava como visitante. Esse tento evitou que o intervalo terminasse com desvantagem, mantendo o equilíbrio emocional no vestiário.
No retorno para o segundo tempo, o São Paulo retomou o controle aos cinco minutos. Uma cobrança de escanteio de Otilia encontrou rebote na área após tentativa de afastamento falha da goleira corintiana, e Carol Gil, zagueira de área, empurrou a bola para o gol vazio. A defensora, conhecida por sua solidez, contribuiu ofensivamente pela segunda vez na competição, destacando a versatilidade do elenco tricolor.
A definição chegou aos 44 minutos, com Isa explorando contra-ataque veloz. Recebendo lançamento em profundidade de Fe Palermo, a atacante driblou Thaís Regina e encobriu Lelê com toque sutil no cantinho. Esse gol, o terceiro de Isa na Copa, coroou uma atuação individual brilhante e selou a eliminação do Corinthians, que pressionou nos minutos finais sem sucesso.
Preparação tática das equipes
O São Paulo chegou ao duelo com uma semana de treinos intensos focados em bolas paradas e transições rápidas, sob orientação de Thiago Viana. A equipe, que eliminou o Grêmio nas oitavas por 2 a 0, manteve a formação 4-3-3 com ênfase na posse de bola, registrando 58% de domínio no confronto. A goleira Carlinha realizou defesas cruciais, como uma saída em pés aos 32 minutos do segundo tempo, preservando a vantagem.
Já o Corinthians, atual heptacampeão do Brasileirão, priorizou marcação alta e contra-ataques pelas pontas, estratégia que rendeu o empate inicial. Arthur Elias escalou Duda Sampaio e Tamires no meio para ditar o ritmo, mas o time sofreu com lesões recentes, como a de Andressinha, ausente por fadiga muscular. A posse de bola alvinegra ficou em 42%, com 12 finalizações, três delas no alvo.
Esses ajustes táticos revelaram diferenças sutis: o Tricolor explorou erros defensivos rivais, enquanto as Brabas apostaram em volume ofensivo, mas esbarraram na eficiência são-paulina. A preparação incluiu simulações de jogo em campo reduzido, com o São Paulo testando cenários de pressão alta, o que se comprovou nos contra-ataques decisivos.
A rivalidade entre os clubes, reeditada de finais recentes como a do Brasileirão 2024, adicionou camadas emocionais à estratégia. O São Paulo, vice-campeão na Supercopa deste ano, usou o fator casa para motivar o grupo, com 4.500 torcedores presentes incentivando desde o hino.
Destaques individuais no campo
Camilinha emergiu como estrela da noite, com sua falta convertida em gol e duas assistências potenciais em jogadas criativas. A meia, de 22 anos, soma sete participações em gols na temporada e foi eleita melhor em campo pela CBF. Sua visão de jogo permitiu conexões rápidas com as pontas, forçando o Corinthians a recuar.
Carol Gil, além do gol oportunista, liderou a defesa com 12 desarmes e interceptações precisas, neutralizando ameaças de Gabi Zanotti. A zagueira, contratada em 2024, representa o investimento tricolor em atletas versáteis, contribuindo com dois gols na Copa até agora.
Pelo lado corintiano, Vic Albuquerque brilhou com o empate e duas corridas perigosas pela esquerda, mas isolou chances claras aos 18 e 37 minutos. Jhonson, com o cruzamento decisivo, criou três oportunidades, mas o time careceu de profundidade no ataque após substituições como a de Ivana Fuso por Dayana Rodríguez.
Isa, autora do terceiro gol, exibiu velocidade e frieza, driblando duas adversárias em 10 metros antes da finalização. Sua parceria com Fe Palermo no ataque rendeu 45% das jogadas ofensivas do São Paulo, destacando a coesão do setor.
- Camilinha: 1 gol, 85% de passes certos, 3 chutes a gol;
- Carol Gil: 1 gol, 12 desarmes, nota 8,2 no SofaScore;
- Vic Albuquerque: 1 gol, 2 dribles completos, pressão alta;
- Isa: 1 gol, 4 sprints acima de 25 km/h, finalização precisa;
- Carlinha: 5 defesas, clean sheet parcial até o empate.
Esses números ilustram como atuações individuais moldaram o resultado coletivo.
Histórico recente dos confrontos
Os duelos entre São Paulo e Corinthians acumulam 18 partidas desde 2020, com 10 vitórias alvinegras, cinco tricolores e três empates. O último encontro, pela Supercopa 2025, terminou com pênaltis favoráveis ao São Paulo após 1 a 1 no tempo normal. Na final do Brasileirão 2024, o Timão venceu por 2 a 0 no agregado, conquistando o título.
Essa quartas de final representou o quarto clássico na temporada, com o São Paulo buscando revanche após derrotas no Paulistão e no Brasileiro. O Tricolor venceu dois dos últimos três jogos em casa contra o rival, explorando o apoio da torcida local.
O Corinthians, invicto há 13 partidas na Copa desde 2016, via no Majestoso chance de manter o domínio histórico. No entanto, a eliminação expõe vulnerabilidades defensivas, com sete gols sofridos nos últimos cinco jogos oficiais.
Esses embates reforçam a intensidade da rivalidade paulista, que impulsiona o crescimento do futebol feminino no estado, com média de 8 mil pagantes por clássico em 2025.
Premiações e próximos passos
A classificação rende ao São Paulo R$ 70 mil adicionais da CBF, totalizando R$ 220 mil na campanha, além de vaga na semifinal marcada para 5 de novembro. O sorteio dos confrontos ocorre na sexta-feira, com possíveis rivais como Bahia, já classificado após pênaltis contra o Red Bull Bragantino.
O Bahia avançou com 4 a 3 nos pênaltis após 1 a 1 no tempo normal, com gols de Dani e Millene. Os outros jogos das quartas, Inter x Ferroviária e Palmeiras x Sport, acontecem quinta-feira, definindo os últimos semifinalistas.
- Premiação por fase: Oitavas R$ 150 mil, quartas R$ 70 mil extras, semi R$ 100 mil;
- Final única: 19 de novembro, com R$ 1 milhão ao campeão e R$ 500 mil ao vice;
- Transmissão: Jogos ao vivo na NSports e CBF TV, com audiência média de 150 mil espectadores;
- Público médio: 5.200 por partida nas quartas, crescimento de 20% em relação às oitavas;
- Árbitra: Juliana Pereira, com 95% de acertos em impedimentos na temporada.
O São Paulo, agora focado no Paulistão, treina na sexta-feira para manter o ritmo, enquanto o Corinthians analisa o desempenho para ajustes no Brasileirão.
Evolução da Copa do Brasil feminina
A competição retornou em 2025 após hiato de nove anos, com 65 equipes divididas em fases eliminatórias. A edição inicial, de 2007 a 2016, coroou Santos e São José com dois títulos cada, seguidos por Ferroviária e Corinthians como campeões isolados.
Em 2025, a CBF aumentou o prêmio total para R$ 5 milhões, incentivando investimentos em infraestrutura. As quartas atraíram 22 mil torcedores nos quatro jogos, recorde para a fase.
O formato de jogo único nas fases finais acelera o calendário, integrando-se ao Brasileirão e Paulistão. Clubes como São Paulo investiram R$ 2 milhões no feminino, contratando 25 atletas profissionais.
Essa retomada impulsiona a modalidade, com 15% mais jogadoras registradas na CBF em comparação a 2024, e parcerias com emissoras ampliando a visibilidade nacional. O Tricolor, único sem título na competição entre os semifinalistas potenciais, busca o troféu inaugural em sua história recente, enquanto o Bahia mira a primeira final nordestina.






