Trump impõe tarifas de 25% a 100% em medicamentos, móveis e caminhões pesados a partir de outubroPor Luís Henrique Costa
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2025, a imposição de novas tarifas de importação sobre produtos farmacêuticos, móveis e caminhões pesados. A medida entra em vigor em 1º de outubro e visa proteger fabricantes americanos de concorrência externa. As taxas variam de 25% a 100%, com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial, que permite ações por razões de segurança nacional.
O republicano justificou a decisão como resposta a uma inundação de importações que ameaça a manufatura local. Empresas estrangeiras enfrentarão os encargos, exceto em casos específicos de construção de fábricas nos EUA. O anúncio ocorreu em postagem na rede social Truth Social, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York.
As tarifas afetam diretamente o comércio bilateral com países como México, China e Vietnã, principais fornecedores desses bens.
Taxas específicas por setor
As novas tarifas distribuem-se de forma diferenciada entre os produtos visados.
- Caminhões pesados: 25%, para veículos acima de 10 mil libras.
- Móveis e estofados: 30%, incluindo sofás e poltronas importados.
- Armários de cozinha e gabinetes de banheiro: 50%, abrangendo itens relacionados.
- Produtos farmacêuticos de marca ou patenteados: 100%, com isenção para construções em andamento.
Essa estrutura busca equilibrar proteção setorial e incentivos à produção doméstica. Autoridades americanas monitorarão o cumprimento para evitar evasões.
Detalhes sobre o setor farmacêutico
O Departamento de Comércio iniciou em abril uma investigação sobre importações de medicamentos e seus ingredientes. Os EUA importaram US$ 233 bilhões em produtos farmacêuticos em 2024, segundo o Censo Bureau. A tarifa de 100% aplica-se a itens de marca, mas exclui empresas que iniciaram obras de fábricas no país.
A Pharmaceutical Research and Manufacturers of America registrou que 53% dos US$ 85,6 bilhões em ingredientes para remédios consumidos nos EUA são produzidos localmente. O restante provém de aliados europeus. Fabricantes asiáticos, como os indianos, podem redirecionar exportações para evitar os custos dobrados.
Analistas preveem ajustes em cadeias de suprimento, com foco em genéricos isentos. O setor registrou quedas em ações de empresas como Sumitomo Pharma, no Japão, após o anúncio.
Empresas como a CSL, na Austrália, enfrentam perdas significativas em mercados dependentes. Reguladores monitorarão impactos em seguros de saúde e suprimentos hospitalares.
Impacto nos caminhões pesados
O México exportou US$ 128 bilhões em peças para veículos pesados aos EUA em 2024, representando 28% das importações totais. As tarifas de 25% visam beneficiar produtores como Peterbilt, Kenworth e Freightliner. A Stellantis, que monta caminhões Ram no México, avalia relocalização de linhas.
A Volvo investe US$ 700 milhões em uma fábrica em Monterrey, com operações em 2026. Importações mexicanas triplicaram desde 2019, segundo estudos recentes. A medida cobre caminhões médios e pesados, independentemente do acordo USMCA.
Fabricantes japoneses, como os da Daimler Truck, reduziram exportações ao aumentar produção local. O U.S. Chamber of Commerce questionou a aplicação ampla, citando aliados como Canadá e Alemanha entre os top cinco fornecedores.
Medidas para móveis e itens domésticos
Estratégia comercial mais ampla
O governo Trump utilizou a Seção 232 para tarifas em aço, alumínio e automóveis anteriormente. A Suprema Corte agenda análise em novembro sobre a legalidade dessas ações. Investigações em semicondutores e minerais essenciais prosseguem.
O Departamento de Comércio abriu probes em robótica e máquinas industriais em março. Tarifas em madeira e produtos derivados podem seguir, com impacto em construtoras. Acordos com UE e Japão limitam aumentos em setores como automóveis.
A Bloomberg reporta que novas taxas em dispositivos médicos estão em estudo. A administração prioriza manufatura interna para reduzir déficits comerciais.
Essas ações alinham-se a políticas de reciprocidade global. O foco permanece em setores críticos para a economia.







