Marco Rubio, secretário de Trump, lidera negociações de tarifas com Brasil após ligação de LulaPor Janderson
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O presidente Donald Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para conduzir as negociações com o Brasil sobre o tarifaço de 50% imposto a produtos nacionais, após telefonema com Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira, 6 de outubro de 2025. A conversa, descrita como positiva pelos dois lados, durou 30 minutos e abriu caminho para discussões sobre alívio tarifário e suspensão de sanções contra autoridades brasileiras. Do lado brasileiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad representarão o governo nas tratativas. A medida americana, em vigor desde agosto, afeta exportações como soja e aço, com impacto estimado em US$ 15 bilhões anuais.
A ligação marcou uma mudança no tom de Trump, que antes criticava o Judiciário brasileiro em apoio a Jair Bolsonaro. Agora, o americano elogiou a “química” com Lula e sinalizou novas conversas. O tarifaço foi justificado por questões como regulação de redes sociais e o programa Mais Médicos, vistos como violações de direitos humanos pelos EUA.
Aqui estão os principais pontos em debate nas negociações:
- Redução das tarifas de 50% sobre importações brasileiras, que geram superávit comercial de US$ 30 bilhões para os EUA.
- Suspensão de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, aplicadas em julho.
- Revogação de restrições a vistos de autoridades do STF e cassações por suposta “exportação de trabalho forçado”.
- Alívio a medidas contra o Pix e regulamentações de plataformas digitais, consideradas censura pelos americanos.
Trajetória política de Rubio no Senado
Marco Rubio, nascido em 1971 em Miami, filho de imigrantes cubanos, iniciou carreira como comissário municipal na Flórida aos 29 anos. Eleito para a Câmara estadual em 2000, presidiu o grupo em 2003 e 2006, promovendo reformas fiscais conservadoras.
Em 2010, conquistou vaga no Senado pela Flórida, impulsionado pelo Tea Party, e serviu até 2025. Lá, integrou comitês chave como Relações Exteriores e Inteligência, focando em América Latina.
Sua ascensão reflete defesa de políticas anti-imigração e críticas a regimes de esquerda, moldando sua visão externa.
Postura linha-dura em sanções internacionais
Rubio anunciou pessoalmente as sanções contra Alexandre de Moraes em julho de 2025, sob a Lei Magnitsky, alegando “perseguição e censura” no Brasil. A medida bloqueou ativos do ministro e de sua esposa nos EUA.
Em agosto, ele restringiu viagens de membros do governo brasileiro, acusando o programa Mais Médicos de envolver “trabalho forçado cubano”.
Após a condenação de Bolsonaro a 27 anos por golpe de Estado em setembro, Rubio prometeu “resposta adequada” à “caça às bruxas” contra o ex-presidente.
Essas ações posicionam Rubio como voz principal das retaliações americanas, com foco em direitos humanos e liberdade de expressão.
De rival a aliado fiel de Trump
Durante as primárias republicanas de 2016, Rubio e Trump trocaram insultos, com o americano chamando-o de “Little Marco” e acusando faltas no Senado. Rubio rebateu, questionando o apoio de Trump a extremistas e sua contratação de imigrantes.

Rubio desistiu após derrota na Flórida e endossou Trump na eleição geral.
Em 2024, Trump nomeou-o secretário de Estado, confirmado em janeiro de 2025, recompensando sua lealdade no segundo mandato.
Aplicação da agenda America First
Rubio implementa a doutrina “America First” em missões diplomáticas, como pressionar o Panamá a cancelar acordos com a China em defesa do Canal.
Em março de 2025, mediou diálogos com russos na Arábia Saudita, apesar de críticas passadas a Putin.
Ele liderou revogações de vistos de estudantes por protestos anti-Israel e acordos de deportação para El Salvador.
Suas viagens ao Catar e à Rússia destacam versatilidade em negociações sensíveis.
Reações de bolsonaristas à indicação
A escolha de Rubio foi celebrada por aliados de Jair Bolsonaro, que veem nele um defensor contra o que chamam de “perseguição judicial”.
O deputado Eduardo Bolsonaro classificou a decisão como “golaço”, destacando o conhecimento de Rubio sobre “regimes totalitários de esquerda”.
Flávio Bolsonaro minimizou a ligação Trump-Lula, mas elogiou Rubio por entender “prejuízos do socialismo”.
Analistas notam que a indicação pode elevar temas políticos, como o julgamento de Bolsonaro, nas discussões econômicas.
Expectativas no governo brasileiro
O assessor Celso Amorim afirmou que o perfil de Rubio não altera as tratativas, pois ele segue orientações de Trump.
Uma fonte do Planalto avalia que a presença de interlocutor oficial facilita diálogos, apesar da ideologia do secretário.
Haddad expressou expectativas altas para redução tarifária, citando balança comercial favorável aos EUA.
As negociações devem avançar em breve, com possível encontro na Cúpula da Asean.







