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A crise financeira da Ambipar, empresa de gestão ambiental, resultou em perdas de até 93% para investidores que aplicaram em Certificados de Operações Estruturadas (COEs) estruturados por XP Investimentos e BTG Pactual. Desde o final de setembro, a possibilidade de recuperação judicial da companhia fez suas ações despencarem 90,5% na B3, impactando diretamente os COEs atrelados aos seus bonds. As corretoras, que comercializaram os produtos como uma combinação de renda fixa e variável, enfrentam reclamações de clientes. Nenhuma das instituições quis comentar o caso.

As ações da Ambipar, que já lideraram altas na Bolsa em 2024, caíram para R$ 0,80, tornando-se penny stocks. Os COEs da XP foram liquidados com retorno de apenas 6,88% do valor investido, enquanto os do BTG foram marcados a mercado, acompanhando a desvalorização dos bonds. Investidores relatam falta de clareza sobre os riscos do produto.

  • Perda de 93% nos COEs da XP, com liquidação antecipada.
  • COEs do BTG valem quase zero, refletindo o preço de mercado.
  • Reclamações crescem no ReclameAqui contra ambas as corretoras.

Detalhes da crise da Ambipar

A Ambipar enfrenta dificuldades financeiras desde 25 de setembro, quando obteve uma medida cautelar no Rio de Janeiro para proteção contra credores. A empresa alega risco de colapso, apesar de um caixa de R$ 4,7 bilhões reportado no segundo trimestre. Credores questionam a ausência de parte desses recursos.

A desvalorização de R$ 43,33 bilhões desde dezembro de 2024 reflete a crise e suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e o investidor Nelson Tanure, sob investigação da CVM.

Dinheiro
Dinheiro – Foto: Andrzej Rostek/shutterstock.com

Impacto nos investidores

Em Itapema (SC), um investidor perdeu 90,42% de R$ 30 mil aplicados em um COE do BTG. Ele relata que buscava renda fixa, mas foi orientado a investir no produto sem entender os riscos. Outro caso, em Campinas (SP), envolve a perda de R$ 289 mil, reduzidos a R$ 19 mil.

Os investidores criticam a falta de transparência na venda dos COEs. Muitos alegam que assessores destacaram a segurança do produto, omitindo a ausência de proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Estrutura dos COEs

Os COEs da Ambipar, do tipo bonds repack, combinam títulos de renda fixa emitidos no exterior com ativos de renda variável. Oferecidos entre fevereiro de 2024 e março de 2025, prometiam retornos como IPCA + 9,5% (BTG) ou IPCA + 11,75% (XP).

A baixa liquidez e o risco de crédito do emissor, não coberto pelo FGC, foram fatores decisivos nas perdas. Documentos alertavam para a possibilidade de perda total, mas investidores alegam que essas informações não foram bem explicadas.

A comercialização agressiva dos COEs atraiu até funcionários da XP, que investiram em lotes especiais com maior retorno. Esses investidores também enfrentam prejuízos.

Reações no mercado

A XP optou por liquidar os COEs em 6 de outubro, pagando 6,88% do valor inicial, conforme cláusulas do Documento de Informações Essenciais (DIE). A decisão foi acionada pela queda superior a 50% do valor do ativo.

O BTG, por sua vez, ajustou a marcação a mercado, refletindo o valor atual dos bonds da Ambipar. Isso resultou em perdas quase totais, já que o mercado precifica os títulos próximo de zero.

Especialistas criticam a venda de produtos complexos sem explicações claras. Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, destaca que corretoras devem garantir que investidores compreendam os riscos antes de aplicar.

Falta de liquidez e queixas

Um investidor de Saldanha Marinho (RS) perdeu R$ 5 mil e acusa o BTG de propaganda enganosa. Ele afirma que o assessor omitiu tratar-se de um produto estruturado, induzindo-o a comprar três COEs.

No ReclameAqui, as queixas se multiplicam, com relatos de investidores surpreendidos pela desvalorização. Muitos afirmam que confiavam nas corretoras para proteger seus recursos.

Cenário futuro

A Ambipar tem 30 dias para negociar com credores ou formalizar o pedido de recuperação judicial. Caso isso ocorra, o pagamento dos bonds pode ser suspenso ou atrasado, agravando as perdas dos COEs.

A CVM segue investigando a valorização atípica das ações da Ambipar em 2024, que atingiu 730% antes do colapso. O caso levanta debates sobre a regulação de produtos financeiros complexos.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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