Ex-jogador Valdir Bigode cobra pagamento em assembleia de credores do Vasco no RioPor Thiago Lemos
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A assembleia geral de credores do Vasco da Gama ocorreu nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2025, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O ex-atacante Valdir Bigode, ídolo do clube, abriu a reunião com um discurso que cobrou a presença da diretoria, liderada pelo presidente Pedrinho, e pediu revisão no plano de recuperação judicial. O evento, com cerca de 100 participantes, foi suspenso por uma hora logo após a manifestação, que destacou pendências de R$ 4,5 milhões devidos ao ex-jogador.
A reunião visa aprovar, rejeitar ou alterar o plano apresentado pelo clube e pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que reorganiza dívidas totais de R$ 1,4 bilhão. Credores protocolaram objeções na 4ª Vara Empresarial, apontando irregularidades e deságios abusivos. Sem quórum mínimo, uma nova sessão está marcada para 20 de outubro.
Valdir Bigode, que atuou no Vasco entre 1993 e 2003 e como auxiliar em 2014-2018, relatou cirurgias na coluna decorrentes da carreira e espera por pagamentos há 21 anos. Ele negou acordos prévios e criticou a falta de contato da administração atual.
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— Vasco da Gama (@VascodaGama) October 9, 2025
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Discurso abre tensões na reunião
O ex-jogador iniciou sua fala questionando a ausência de Pedrinho e defendeu que os valores devidos pertencem à sua família. Ele mencionou ameaças recentes recebidas após acusações públicas contra a fila de pagamentos.
A interrupção veio do administrador judicial, que pediu brevidade para permitir outras manifestações. Valdir concluiu afirmando que era sua última chance de ser ouvido, após anos de espera na fila de credores, posicionado como o 22º ou 33º.
- Pendências de Valdir: cerca de R$ 4,5 milhões por serviços como jogador e auxiliar.
- Tempo de espera: 21 anos desde o fim de contratos.
- Posição na fila: entre 22 e 33, priorizando idosos e doentes conforme lei.
Objeções ao plano de recuperação
Ex-jogadores como Zinho e Jorginho compareceram à assembleia e apoiam contestações ao documento. As objeções, apresentadas na Justiça, citam tratamento desigual entre credores e falta de viabilidade econômica no plano.
O Ministério Público do Rio de Janeiro identificou cláusulas abusivas, como bônus de adimplência que extinguiriam saldos acima de R$ 5 milhões após pagamentos pontuais. O órgão recomendou ajustes antes da votação para evitar rejeição judicial.
O Vasco incluiu aditivos na véspera, criando subclasse para “beneméritos parceiros” com serviços excepcionais reconhecidos pelo conselho. Isso visa angariar votos, mas credores questionam o limite de R$ 1,5 milhão para trabalhistas que recusaram mediações em 2024.
Uma nova categoria altera o plano original, que previa mediações pela FGV para condições favoráveis. Clubes como o Olimpia, do Paraguai, contestaram desigualdades na classificação de dívidas.
Alterações recentes no documento
O clube protocolou o plano em maio de 2025, após meses de análises com consultores e advogados. A Justiça deferiu a recuperação em fevereiro, suspendendo execuções por 90 dias renováveis, com proteção até o fim de 2025 para despesas correntes.
A SAF enfrenta erosão no caixa, de R$ 59 milhões em março para R$ 17 milhões em agosto, segundo relatórios judiciais. O Vasco busca empréstimo de R$ 80 milhões com a Crefisa, com carência de 12 meses e juros de 7% ao ano mais CDI.
Esses recursos cobrirão salários e obrigações fiscais, sem afetar receitas principais como vendas de atletas. A diretoria garante pagamentos em dia para funcionários atuais, contrastando com atrasos para credores antigos.
O aditivo eleva limites para não colaboradores, mas mantém críticas sobre deságios disfarçados. Advogados da Alvarez & Marsal, assessora do clube, mobilizam apoio para aprovação.
Presença de ídolos e credores
Zinho, ex-meio-campo vascaíno, e Jorginho, ídolo da seleção, sentaram-se entre os presentes e sinalizaram objeções semelhantes às de Valdir. Eles representam uma parcela de ex-atletas com pendências trabalhistas.
A assembleia ocorre em hotel na Barra da Tijuca, com credenciamento a partir das 12h. Apenas credores habilitados votam, cadastrados no site da administração judicial.
Outros clubes, como o Atlético-MG, servem de exemplo para Valdir, que fechou acordo justo lá no passado. Ele enfatizou paciência na fila, mas cobrou respeito à trajetória no Vasco, onde marcou 135 gols.
Contexto da recuperação judicial
O processo começou em outubro de 2024, abrangendo associação e SAF após falha na gestão da 777 Partners. A juíza Luciana Losada determinou balancetes anexados ao plano para transparência.
Credores têm 30 dias para novo documento se rejeitarem o atual. O MP vê risco de não homologação sem correções, priorizando conformidade legal em cláusulas discriminatórias.
Valdir evitou acusações de favoritismo, focando em sua posição legal. A suspensão da assembleia permitiu negociações paralelas entre advogados.
- Dívidas totais: R$ 1,4 bilhão, incluindo trabalhistas e fiscais.
- Suspensão de execuções: renovada até dezembro de 2025.
- Empréstimo proposto: R$ 80 milhões para fluxo de caixa imediato.
O evento marca etapa decisiva para reestruturação financeira do Vasco, com votação pendente de quórum.







