Justiça libera empréstimo de R$ 80 milhões da Crefisa ao Vasco em recuperação judicialPor Luís Henrique Costa
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O Vasco da Gama obteve autorização judicial para captar R$ 80 milhões em empréstimo junto à Crefisa, ex-patrocinadora do Palmeiras. A decisão saiu nesta quinta-feira (16), pela juíza Caroline Rossy, da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O clube, em processo de recuperação judicial, usará os recursos para despesas operacionais urgentes, como salários e pagamentos a fornecedores.
A operação segue o modelo de financiamento DIP, previsto na Lei de Recuperação Judicial (Lei 11.101/2005), que prioriza o soerguimento da empresa. Inicialmente, o Ministério Público e o administrador judicial questionaram a proposta por falta de detalhes, mas após ajustes, emitiram pareceres favoráveis. O empréstimo não exige aprovação do Conselho Deliberativo do clube, conforme análise estatutária.
A captação ocorre em um momento crítico para o Vasco, com previsão de gastos de R$ 170 milhões até o fim de 2025. Pedrinho, presidente do clube, destacou a busca por condições vantajosas no mercado financeiro.
- O valor será desembolsado em parcelas: R$ 30 milhões iniciais, R$ 40 milhões até 26 de outubro, e R$ 5 milhões mensais em novembro e dezembro.
- A Crefisa superou propostas de outras 60 instituições, com taxas competitivas e prazos flexíveis.
- Recursos exclusivos para obrigações correntes, sob fiscalização judicial.
Garantias ajustadas na negociação
A proposta original previa alienação fiduciária de 20% das ações da Vasco SAF, equivalente a 20 mil ações de classe A. Essa estrutura gerou objeções do Ministério Público e da administração judicial conjunta, que pediram mais transparência sobre juros e prazos.
O clube reformulou o contrato, reduzindo a garantia para 10 mil ações, ou 10% do capital social da SAF. A mudança incluiu garantia fidejussória pelo Clube de Regatas Vasco da Gama (CRVG). Com isso, os órgãos envolvidos endossaram a operação.
Processo seletivo entre instituições financeiras
O Vasco consultou mais de 60 bancos e financeiras desde o planejamento da recuperação judicial. Quarenta assinaram termos de confidencialidade para negociações detalhadas, resultando em cinco propostas formais.
A Crefisa se destacou por oferecer as melhores condições, incluindo juros fixos de 7% ao ano e correção pelo CDI. Pedrinho enfatizou o relacionamento com José Roberto Lamacchia, proprietário da empresa e esposo de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
Essa seleção seguiu critérios de agilidade e impacto mínimo no fluxo de caixa imediato. O clube evitou opções com garantias excessivas ou prazos curtos.
Conexão com o plano de recuperação judicial
O empréstimo integra o plano de recuperação judicial aprovado pelos credores em assembleia recente. O processo, iniciado em fevereiro de 2025, unifica dívidas do clube e da SAF, totalizando R$ 1,4 bilhão.
Administradores judiciais supervisionam todas as movimentações para preservar a autonomia operacional. A juíza Rossy destacou a legitimidade da operação, alinhada ao artigo 69-A da lei, como medida estruturante para a continuidade das atividades.
O Vasco deve abrir incidente processual para prestar contas trimestrais sobre o uso dos fundos, garantindo transparência a credores e ao juízo.
Fiscalização e cláusulas contratuais
O contrato estabelece que disputas serão resolvidas exclusivamente no juízo da recuperação judicial, sem foro alternativo. Isso reforça o controle sobre a operação.
Cláusulas de convenants impedem alterações na estrutura societária da SAF sem anuência da Crefisa até junho de 2026. O clube compromete-se a manter o grupo de controle atual.
A administração judicial e o Ministério Público monitorarão o cumprimento, com possibilidade de impugnação em caso de irregularidades. O foco permanece na preservação de ativos essenciais, como o Estádio de São Januário.
Aplicação dos recursos em despesas essenciais
Os R$ 80 milhões cobrirão obrigações trabalhistas, fiscais e com fornecedores estratégicos até dezembro. Essa alocação evita interrupções em treinamentos e jogos.
O clube estima que o aporte equilibre o caixa para o período final do ano, permitindo foco no desempenho esportivo. Salários de jogadores e comissão técnica estão entre as prioridades.
Além disso, pagamentos a prestadores de serviços mantêm a infraestrutura operacional. A direção planeja relatórios periódicos para demonstrar eficiência no uso.
O empréstimo representa avanço na reestruturação financeira do Vasco, com supervisão rigorosa para sustentabilidade de longo prazo. A operação reforça a estratégia de captação emergencial sem comprometer bens imobilizados.







