Final da Libertadores em risco: Lima entra em emergência devido a manifestações e homicídiosPor Thiago Lemos
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O presidente interino do Peru, José Jerí, decretou estado de emergência em Lima e Callao nesta terça-feira, 21 de outubro de 2025. A medida, válida por 30 dias, responde aos protestos contra o aumento da violência urbana na capital. O anúncio ocorre exatamente um mês antes da final da Copa Libertadores, programada para 29 de novembro no Estádio Monumental.
Autoridades peruanas destacam que o decreto autoriza o Exército a atuar nas ruas ao lado da polícia. O objetivo principal é combater extorsões e homicídios ligados ao crime organizado. A decisão afeta mais de 10 milhões de residentes na região metropolitana.
Os protestos ganharam força após a morte do rapper Eduardo Ruiz Sáenz, conhecido como Trvko, em 15 de outubro. O artista foi atingido por disparo policial durante uma manifestação. O incidente deixou 113 feridos, incluindo 84 agentes.
📹🇵🇪 Un recorrido por Lima camino a la Final
— CONMEBOL Libertadores (@Libertadores) September 15, 2025
📅🏟️ 29 de noviembre – Estadio Monumental
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Antecedentes da destituição presidencial
Dina Boluarte foi afastada do cargo em 10 de outubro por 122 votos no Congresso. A ex-presidente enfrentava acusações de corrupção, como o caso Rolexgate, envolvendo relógios de luxo não declarados.
Jerí, então presidente do Congresso, assumiu o interinato. Ele prometeu entregar o poder após as eleições de abril de 2026. No entanto, os atos de rua persistem contra o novo governo e o Parlamento.
As manifestações iniciaram em setembro, durante o mandato de Boluarte. Jovens da Geração Z lideram os pedidos por reformas. O foco inclui o fechamento do Congresso e uma nova Constituição.
Demandas centrais dos manifestantes
Os protestos concentram reivindicações específicas na capital peruana.
- Combate efetivo à criminalidade, com redução de extorsões a empresas de transporte.
- Dissolução imediata do Congresso, visto como corrupto por 59% da população, segundo o INEI.
- Convocação de assembleia constituinte para elaborar texto constitucional atualizado.
- Saída do presidente interino José Jerí, acusado de ineficácia contra o crime.
Esses itens ganharam visibilidade após a paralisação de motoristas em outubro. O setor registrou 47 assassinatos entre janeiro e setembro de 2025.
Grupos sindicais reportam cobranças de até 50 mil soles mensais por gangues. A insegurança afeta diretamente o comércio e o transporte público.
Medidas implementadas pelo decreto
O estado de emergência permite restrições à liberdade de reunião. Forças Armadas patrulharão áreas críticas desde a meia-noite local. Governo considera toque de recolher noturno para conter ações criminosas. Vicente Tiburcio, ministro do Interior, lamentou incidentes recentes e pediu investigações.
A mobilização militar visa recuperar a confiança pública. Jerí afirmou transição para ofensiva contra o crime organizado. Em 2024, medidas semelhantes falharam em regiões periféricas. Desta vez, o foco abrange toda a metrópole de Lima.
Histórico de instabilidade no país andino
O Peru registra sete presidentes em dez anos, desde 2016. Renúncias e impeachments marcam a política nacional. Castillo, eleito em 2021, sofreu impeachment em 2022 por tentativa de auto-golpe. Boluarte assumiu, mas enfrentou baixa aprovação de 2%. Protestos em Ayacucho deixaram 10 mortos em 2022. A violência policial agravou o descontentamento social.
Reformas previdenciárias de setembro de 2025, obrigando adesão a planos privados para maiores de 18 anos, intensificaram mobilizações. O desemprego elevado, acima de 7%, complicou a implementação.
Paralelo com eventos esportivos passados
A Conmebol manteve a final da Libertadores em Lima apesar da crise. O Estádio Monumental sediou a decisão de 2019, com vitória do Flamengo sobre o River Plate. Naquele ano, protestos no Chile forçaram transferência para o Peru, duas semanas antes. O torneio prosseguiu sem interrupções.
A entidade sul-americana não comentou o decreto de Jerí até o momento. Rumores indicam monitoramento para possível mudança de sede.
Assunção, no Paraguai, surge como alternativa. A final de 2025 atrai expectativa para times brasileiros como Palmeiras e Flamengo.
O Monumental tem capacidade para 80 mil torcedores. A estrutura suporta eventos continentais, mas a segurança urbana preocupa organizadores.
Preparativos sob tensão social
Autoridades peruanas reforçam policiamento em vias de acesso ao estádio. Medidas visam garantir fluxo durante a semana da final. Torcedores sul-americanos planejam viagens à capital. Agências monitoram alertas de viagem emitidos por governos estrangeiros. O governo interino prioriza estabilidade até novembro. Eleições de 2026 definem transição democrática. A crise destaca vulnerabilidades em sedes esportivas. Países vizinhos observam o desenrolar dos eventos.







