Ex-presidente Salgado e mais 15 são indiciados por supostas falhas na transação da SAF do VascoPor Beatriz
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A comissão de inquérito do Vasco da Gama concluiu, após um ano e meio de investigações, o indiciamento de Jorge Salgado, ex-presidente do clube, e outros 15 membros da antiga diretoria por possíveis irregularidades na venda de 70% das cotas da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a 777 Partners.
O inquérito, iniciado em junho de 2024 pelo Conselho Deliberativo, foca em etapas da negociação firmada em 2022, no Rio de Janeiro.
Os indiciados têm 15 dias para apresentar defesa, sob pena de sanções que incluem suspensão ou exclusão do quadro social, conforme o estatuto do clube.
- Principais nomes envolvidos: Jorge Salgado (ex-presidente), Carlos Roberto Osório (1º vice-presidente geral), Roberto Duque Estrada (2º vice-presidente geral).
- Outros citados: Adriano Mendes (vice-presidente de finanças), Zeca Bulhões (vice-presidente jurídico), Horácio Junior (vice-presidente de história e responsabilidade social).
- Membros de comissões internas também entram na lista, como Carlos Fonseca e Otto de Carvalho.
Detalhes da assinatura do contrato sob análise
A investigação destaca o processo de assinatura do acordo entre o Club de Regatas Vasco da Gama e a 777 Partners.
Essa etapa ocorreu em 2022, com a empresa americana assumindo 70% das cotas por um valor inicial de R$ 400 milhões em ações preferenciais.
A comissão busca identificar todos os participantes, incluindo diretores, associados e consultores externos.
Ficaram excluídos do indiciamento Luis Manoel Fernandes e Alexandre Bittencourt, que se abstiveram na aprovação inicial da transação.
Aportes financeiros e sua aplicação no clube
Os recursos aportados pela 777 Partners totalizaram valores direcionados a obrigações urgentes do Vasco.
Parte foi usada para quitar salários atrasados de atletas e pagamentos de direitos federativos.
Investimentos em infraestrutura, como reformas em São Januário, receberam alocações menores, segundo relatórios preliminares.
Discrepâncias nos repasses levaram a disputas judiciais em 2024, com a Justiça afastando a 777 do controle da SAF em maio daquele ano.
A comissão questiona a integralização completa dos aportes previstos no contrato.
- Salários de jogadores: Prioridade nos primeiros repasses.
- Direitos de atletas: Pagamentos pendentes quitados.
- Infraestrutura: Reformas parciais em estádio.
- Disputas: Liminar judicial em 2024.
Contexto da negociação e instabilidade da parceira
A venda da SAF seguiu modelo inspirado em grupos internacionais, como o City Football Group, para sanear dívidas do clube.
A 777 Partners, fundada em 2015, expandiu-se para o futebol europeu, mas enfrentou crises financeiras recentes.
Em outubro de 2025, o cofundador Josh Wander foi acusado de fraudes nos Estados Unidos, impactando parcerias globais.
No Vasco, a transação gerou reavaliações internas devido à não integralização total de investimentos.
A operação atual da SAF permanece sob administração do clube, sem interrupções.
O processo avança para julgamento no Conselho Deliberativo, com data ainda não definida.
Questões sobre comissões e serviços prestados
Valores pagos a título de comissões e assessoria durante os preparativos da venda estão sob escrutínio.
A comissão exige comprovação da prestação de serviços correspondentes a esses pagamentos.
Relatórios indicam que nem todos os contratos de consultoria foram detalhados adequadamente.
Essa análise visa esclarecer se houve transparência nos gastos associados à negociação.
Implicações para o futuro da SAF vascaína
O indiciamento não altera a gestão imediata da SAF, controlada pelo Vasco desde o afastamento da 777.
O clube busca novos parceiros para estabilizar as finanças, após o episódio.
A investigação reforça mecanismos de governança interna para transações futuras.







