Vasco acerta empréstimo de R$ 80 milhões com Crefisa para estabilizar finanças na recuperação judicialPor Jeronimo Santos
4 min de leitura
![]() |
O Vasco da Gama firmou um empréstimo de R$ 80 milhões com a Crefisa nesta semana, no Rio de Janeiro, para ajustar o fluxo de caixa durante a recuperação judicial. A operação, aprovada pela 4ª Vara Empresarial, ocorre em 23 de outubro de 2025 e beneficia o clube e a SAF com recursos para despesas essenciais. O presidente Pedrinho destacou a necessidade do aporte para honrar compromissos imediatos, como salários e obrigações fiscais.
A direção vascaína contatou mais de 60 instituições financeiras para o financiamento. Desses contatos, 40 assinaram termos de confidencialidade para negociações detalhadas.
Cinco propostas firmes chegaram, e a Crefisa se destacou pelas taxas de juros mais baixas e prazos estendidos.
Modalidade DIP e garantias ajustadas
A modalidade DIP, ou Debtor-in-Possession, permite que empresas em recuperação judicial captem recursos mantendo o controle operacional. No caso do Vasco, o valor de R$ 80 milhões ganha status superprioritário, acima de outras dívidas.
Inicialmente, o acordo previa 20% das ações da SAF como garantia, mas a Justiça autorizou redução para 10 mil ações, equivalentes a 10% do capital social. Essa alteração, recomendada pelo administrador judicial, mantém a segurança para a credora sem comprometer excessivamente o controle do clube.
O empréstimo inclui 12 meses de carência, seguido de amortizações trimestrais em até 36 meses. A Crefisa avaliou o plano de recuperação do Vasco antes de aprovar os termos.

Aplicações prioritárias dos recursos
Os fundos serão liberados em parcelas mensais para cobrir despesas operacionais críticas até dezembro. A gestão estima redução de 90% nos atrasos salariais com o aporte.
- Pagamentos de salários atrasados para jogadores e funcionários administrativos;
- Quitação de débitos com fornecedores de equipamentos e materiais esportivos;
- Regularização de obrigações fiscais e trabalhistas pendentes.
Além do principal, a Crefisa destinou R$ 5 milhões extras para projetos incentivados, como iniciativas esportivas e culturais no clube.
A documentação adicional apresentada à juíza Caroline Rossy reforça a compatibilidade com o fluxo de caixa projetado.
Histórico da Crefisa no futebol brasileiro
A Crefisa, controlada por José Roberto Lamacchia, atua no setor financeiro desde 2008 e ganhou projeção com parcerias esportivas. Entre 2015 e 2024, injetou mais de R$ 400 milhões no Palmeiras, contribuindo para conquistas como duas Copas Libertadores e três Campeonatos Brasileiros.
Em agosto de 2025, a instituição destinou R$ 70 milhões à modernização da Arena Barueri, usada pelo Palmeiras em jogos alternativos. Essa experiência facilitou a análise de risco no caso do Vasco.
O relacionamento entre as gestões de Vasco e Crefisa, baseado em diálogos abertos, acelerou o fechamento do acordo. Pedrinho mencionou contatos prévios com Lamacchia como fator decisivo.
Confronto imediato contra o Palmeiras
O Vasco enfrenta o Palmeiras nesta quarta-feira, 23 de outubro de 2025, pela 26ª rodada do Brasileirão, no Allianz Parque. O time carioca, na 12ª posição com 30 pontos, busca pontos fora de casa sob o comando de Fernando Diniz.
Léo Jardim e Vegetti formam o núcleo da escalação, com ênfase na defesa para conter o líder invicto em seus domínios. O histórico recente favorece o Palmeiras, com vitórias em confrontos de 2024 e 2025.
A partida ocorre horas após o anúncio do empréstimo, mas a direção vascaína garante foco exclusivo no desempenho esportivo. O clube planeja assembleias de credores em novembro para avançar na reestruturação geral.
Recuperação judicial e cronologia recente
A recuperação judicial do Vasco começou em fevereiro de 2025, unificando dívidas totais de R$ 1,4 bilhão entre clube e SAF. O processo inclui planejamento desde junho de 2024 para reestruturação financeira.
Em setembro de 2024, restrições de liquidez ameaçaram compromissos operacionais, levando à busca por financiamento emergencial. A petição para o empréstimo foi enviada em outubro de 2025, com aprovação judicial em 16 de outubro.
O veto a mudanças no controle da SAF até junho de 2026 protege o aporte, monitorado por administradores judiciais. A avaliação das ações da SAF, em R$ 1 bilhão, supera o valor captado, reforçando a viabilidade da operação.
Essa etapa alinha o clube a metas de equilíbrio financeiro para 2026, com o empréstimo atuando como ponte para estabilidade.







