Eduardo Magrini, o Diabo Loiro do PCC, criou MC Ryan SP como filho e foi detido em operação policialPor Luís Henrique Costa
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A Operação Off White, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, resultou na prisão de Eduardo Magrini, conhecido como Diabo Loiro, na manhã desta quinta-feira em Campinas. O produtor rural, apontado como membro do alto escalão do Primeiro Comando da Capital, é investigado por lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. A ação cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em cidades do interior paulista, como Artur Nogueira e Mogi Guaçu.
Magrini, de 50 anos, manteve relacionamento com a mãe de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, e criou o funkeiro como filho ao lado de seus dois filhos biológicos. O cantor, com mais de um milhão de seguidores no Instagram, refere-se ao meio-irmão como irmão em postagens públicas.
- A operação visa desarticular rede que movimentou pelo menos R$ 20 milhões em ativos ilícitos.
- Diabo Loiro ostentava vida de luxo nas redes, com fotos de carros importados e viagens internacionais.
- O funkeiro não é investigado e mantém distância pública do caso.
Histórico criminal de Magrini
Eduardo Magrini acumula condenações desde 1998 por crimes como tráfico de drogas e uso de documentos falsos. Em 2016, ele recebeu sentença de seis anos e oito meses de prisão em regime fechado por tráfico, com recursos negados no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. A Justiça manteve a decisão, destacando que sua condição como atleta de hipismo não suspendia o cumprimento da pena.
O criminoso foi detido em 2012 durante operação em uma mansão em Bom Jesus dos Perdões, onde policiais encontraram R$ 10 mil em espécie, cheques no valor de R$ 120 mil e grande quantidade de drogas.
Laços familiares e vida pública
Diabo Loiro integrou o convívio familiar de MC Ryan SP durante anos, período em que o cantor iniciava sua carreira no funk. O relacionamento com a mãe do artista gerou dois filhos, e Magrini assumiu papel paterno em relação ao funkeiro, que o via como figura de autoridade.
Nas redes sociais, Ryan compartilhou momentos com o meio-irmão, filho de Magrini, incluindo uma viagem a Paris onde posou ao lado dele durante evento pessoal. O cantor tratou o familiar como irmão em legendas de fotos, sem menções diretas ao passado criminal do ex-padrasto.
A proximidade familiar contrasta com a imagem pública de Magrini como influenciador digital, com cerca de 100 mil seguidores, onde postava sobre rodeios, montarias em touros e amizades com celebridades como o lutador Charles do Bronx.
Envolvimento com facção criminosa
O Ministério Público classifica Magrini como integrante chave do PCC há cerca de 30 anos, com participação em ataques coordenados contra forças de segurança em 2006. Ele é apontado como responsável por atentados à sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais, na zona norte de São Paulo, durante onda de violência promovida pela facção.
Além disso, investigações ligam Diabo Loiro a roubos a bancos e tráfico internacional de drogas, crimes que financiavam a estrutura da organização. A Operação Off White representa desdobramento de ações anteriores, incluindo plano frustrado para assassinato de promotor em Campinas.
- Passagens por homicídio e formação de quadrilha datam de investigações nos anos 1990.
- Uso de fazendas e imóveis para ocultar bens ilícitos foi foco das buscas.
- A facção utiliza influenciadores para normalizar atividades criminosas online.
- Prisão ocorreu sem resistência, com apoio do Batalhão de Ações Especiais de Polícia.
Atividades esportivas e ostentações
Magrini representou o Brasil em competições de hipismo, esporte que praticava paralelamente a suas atividades rurais declaradas. Ele competiu em eventos nacionais, onde sua presença como cavaleiro chamava atenção pela habilidade em saltos e dressage. A carreira atlética serviu como fachada para movimentações financeiras suspeitas, segundo autoridades.
Nas postagens online, Diabo Loiro exibia veículos de luxo, como motos importadas e carros de alta cilindrada, além de visitas a eventos de rodeio onde atuava como montador profissional. Essas imagens atraíam engajamento de seguidores interessados em estilo de vida rural e de aventura.
A dualidade entre o perfil público e o criminal reflete padrões observados em outros membros de facções, que utilizam redes sociais para construir narrativas de sucesso legítimo.
Detalhes da operação policial
A ação conjunta entre o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e a Polícia Militar visou neutralizar rede de lavagem que beneficiava líderes foragidos do PCC. Agentes apreenderam documentos falsos e ativos financeiros durante as batidas, que ocorreram simultaneamente em residências e propriedades rurais.
Magrini, foragido desde 2018 após condenação em segunda instância, foi localizado em endereço monitorado há meses. A Justiça havia determinado busca ativa por um ano, mas a prisão só se concretizou com novas provas de envolvimento em esquemas recentes.
O valor estimado de R$ 20 milhões lavados inclui transações via empresas de fachada no setor agropecuário, área onde Diabo Loiro se apresentava como empresário.
Conexões com celebridades
O ex-padrasto de MC Ryan SP cultivou relações com figuras do entretenimento e esportes, incluindo presentes como relógios de luxo trocados com o cantor. Essas interações, documentadas em fotos públicas, não implicam os envolvidos em investigações, conforme esclarecimentos oficiais.
Amizades com atletas de MMA e músicos reforçavam a imagem de Magrini como socialite do interior paulista, distante de suspeitas criminais para o público geral.
A prisão interrompeu essas dinâmicas, expondo contradições entre a vida familiar compartilhada com Ryan e as atividades ilícitas confirmadas por anos de inquéritos.







