3I/ATLAS alcança ponto mais próximo do Sol e revela composição com dióxido de carbono

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Imagens 3D do cometa 3I ATLAS Foto: Imagens 3D do cometa 3I ATLAS - Foto: jhonny marcell oportus/ shutterstock.com

O cometa 3I/ATLAS, terceiro objeto interestelar confirmado a visitar o Sistema Solar, alcançou seu periélio na quarta-feira, 29 de outubro de 2025, a uma distância de 204 milhões de quilômetros do Sol. O evento ocorreu às 8h47 no horário de Brasília, posicionando o cometa a 1,36 unidade astronômica da estrela central. Astrônomos de agências como NASA e ESA monitoraram a passagem para analisar a atividade do núcleo sob influência solar.

A distância segura evitou fragmentação total, permitindo que o calor solar provoque a sublimação de gelo e a formação de uma coma e cauda observáveis. Essa configuração oferece dados sobre a origem do cometa em uma estrela distante da Via Láctea. O monitoramento inicial confirma estabilidade na estrutura, com jatos de gás e poeira detectados por telescópios espaciais.

Descoberto em julho de 2025 pelo sistema ATLAS no Chile, o 3I/ATLAS viaja a mais de 210 mil km/h em órbita hiperbólica. Sua composição, rica em dióxido de carbono – oito vezes superior à água –, difere de cometas locais e sugere condições de formação em sistemas remotos. Observações do Telescópio James Webb revelaram essa anomalia química semanas antes do periélio.

  • Distância periélio: 204 milhões de km (1,36 UA).
  • Velocidade média: 210 mil km/h.
  • Diâmetro estimado do núcleo: Até 5,6 km.

Detalhes da descoberta inicial

Astrônomos amadores processaram imagens do coronógrafo CCOR-1 no satélite GOES-19 para identificar o cometa atrás do Sol. A detecção precoce, em 1º de julho, permitiu rastreamento contínuo antes da conjunção solar em 21 de outubro. Essa visibilidade inicial revelou uma coma avermelhada por poeira, similar ao cometa 2I/Borisov.

O objeto exibe atividade cometary desde maio de 2025, quando estava a 6,4 UA do Sol, conforme dados do satélite TESS da NASA. Telescópios como o Gemini South capturaram imagens em agosto mostrando uma cauda de 0,5 minuto de arco. Essas observações iniciais confirmam que o 3I/ATLAS não representa ameaça à Terra, mantendo distância mínima de 269 milhões de km em dezembro.

Composição química revelada

Análises espectroscópicas indicam domínio de dióxido de carbono na coma, com concentração inédita entre cometas conhecidos. Essa proporção, seis vezes acima da variação esperada, aponta para origens em disco espesso galáctico antigo. O Telescópio Espacial Hubble detectou cor avermelhada na poeira, evoluindo ao longo de julho.

Estudos do Instituto de Astrofísica de Canarias, em julho, confirmaram atividade difusa com alongamento de cauda de 3 segundos de arco. Sem explosões registradas até agosto, o brilho permaneceu estável em magnitude 11-12. Esses elementos químicos fornecem pistas sobre processos de formação planetária em sistemas distantes.

A velocidade de escape solar superior reforça a trajetória interestelar, com excentricidade de 6, maior que os 3,4 de Borisov. Observações do Telescópio Óptico Nórdico em julho validaram aparência ativa, sem características de asteroide.

Atividade durante o periélio

O calor solar intensificou a sublimação, elevando o brilho do cometa a magnitude 9, conforme estudos preliminares. Instrumentos como SOHO e STEREO-A registraram aumento rápido, excedendo taxas de cometas da Nuvem de Oort em distâncias semelhantes. Essa aceleração luminosa permanece sem explicação completa.

A geométrica da conjunção solar ocultou o evento da Terra, mas sondas espaciais capturaram dados em tempo real. Uma anticauda incomum e jato de gás surgiram, indicando resposta vigorosa ao aquecimento. Plataformas como o JPL Small-Body Database previram pico de atividade sem alterações orbitais significativas.

Próximas passagens planetárias

Após o periélio, o 3I/ATLAS se afasta do Sol, passando a 97 milhões de km de Vênus em 3 de novembro de 2025. Essa proximidade permite observações pela missão JUICE da ESA, rumo a Júpiter, entre 2 e 25 de novembro. A campanha global da IAWN inicia em 27 de novembro para refinar medições orbitais.

Em 19 de dezembro, o cometa atinge o ponto mais próximo da Terra, a 269 milhões de km, na constelação de Virgem. Sua posição avança 3 graus diários, tornando-o visível ao amanhecer com telescópios de 300 mm de abertura. Em março de 2026, Júpiter o influencia a 54 milhões de km, alterando levemente a trajetória de saída.

  • Observabilidade inicial: 3 de novembro, hemisfério norte.
  • Magnitude esperada: 11-12 em novembro, caindo para 13-14 em dezembro.
  • Influência jupiteriana: 16 de março de 2026.

Monitoramento global em curso

A Rede Internacional de Alerta de Asteroides coordena observações para mapear variações causadas por jatos de gás pós-periélio. Telescópios na Namíbia registram plataformas de gelo, enquanto o Observatório Nacional no Brasil desmente boatos de riscos. Esses esforços coletam dados sobre massa e sublimação, sem desvios que indiquem colisão.

A campanha da IAU, iniciada em 21 de outubro, foca em astrometria precisa para estimar desvios não gravitacionais. Observatórios como o Canada-France-Hawaii confirmam coma marginal desde julho. Essa cooperação internacional garante cobertura contínua até a saída do Sistema Solar.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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