CPMI do INSS mira ex-assessor de Weverton Rocha em busca de provas de fraudes bilionáriasPor Beatriz
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Membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS planejam intensificar as investigações contra o empresário Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A estratégia visa mapear possíveis conexões entre Gaspar e o parlamentar maranhense em meio a um esquema de fraudes estimado em R$ 6,3 bilhões pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. As apurações ocorrem em Brasília desde agosto de 2025, com foco em descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
O colegiado, presidido pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), busca quebrar sigilos bancários e fiscais de Gaspar para esclarecer movimentações financeiras suspeitas. Relator Alfredo Gaspar (União-AL) defende que essas medidas representem um avanço crucial nas apurações.
Encontros e documentos sob escrutínio
Registros indicam que Gustavo Gaspar concedeu procuração a Rubens Oliveira Costa, operador ligado ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O documento, registrado em março de 2025, permitia movimentações em contas da empresa GM Gestão Ltda., de Gaspar.
A Polícia Federal investiga se essa estrutura serviu para ocultar repasses oriundos das fraudes. Weverton Rocha nega qualquer irregularidade e afirma que a nomeação de Gaspar, de 2019 a 2023, teve caráter político.
Em portarias do Ministério da Previdência, Gaspar aparece ao lado do Careca em agendas com o secretário-executivo Adroaldo Portal (PDT), em março de 2023.

Blindagens políticas e rejeições recentes
A base governista rejeitou, em 25 de setembro de 2025, a convocação de Gaspar para depoimento, por 19 votos a 11. A decisão ocorreu antes de oitiva do Careca, central no esquema.
Relator Alfredo Gaspar criticou a medida como proteção a investigados que teriam recebido até R$ 8 milhões em propinas. Ele protocolou requerimentos para ouvir Weverton Rocha e o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).
Carlos Viana minimizou o impacto, destacando que sigilos já quebrados de principais envolvidos fornecem dados suficientes. A comissão estima que entidades de fachada faturaram R$ 714 milhões entre 2022 e 2025.
Outros nomes blindados incluem Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete de Davi Alcolumbre (União-AP), e a publicitária Daniela Fonteles.
Vínculos empresariais e políticos expostos
Gaspar atuou como sócio em haras da família do deputado Juscelino Filho (União-MA), ex-ministro das Comunicações no governo Lula. Filho é padrinho dos filhos de Weverton Rocha.
- O Careca colocou à venda um carro de R$ 125 mil registrado em nome de Gaspar, um Volkswagen Passat de 2014.
- Weverton Rocha usou jatinho ligado a advogado do Careca em voos partilhados.
- Requerimentos recentes pedem oitiva de pilotos para esclarecer essas viagens.
Esses elementos reforçam suspeitas de rede de favorecimento no INSS.
Estratégias para driblar proteções
A oposição na CPMI busca alternativas após barrar a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, ligado ao Sindnapi. Requerimento foi rejeitado em 16 de outubro de 2025, por 16 votos.
Viana afirmou que a decisão adia, mas não absolve, e prometeu expor todas as conexões. A base governista prepara relatório paralelo para isentar o governo Lula, atribuindo desvios ao período de Jair Bolsonaro.
Alfredo Gaspar anunciou, em 27 de outubro, pedidos de depoimentos facultativos ou obrigatórios de Weverton e Pettersen. Pettersen vendeu avião a ONG investigada após liberar R$ 2,5 milhões em emendas.
Entre 3 e 6 de novembro, o relator protocolou 160 requerimentos, incluindo quebras de sigilo em camadas profundas de transações.
Avanços nas apurações financeiras
O esquema envolve dez associações que forjaram cadastros para cobranças indevidas, sem prestar serviços reais. A CPMI mapeia seis eixos: modus operandi, responsáveis e recuperação de recursos.
Quebras de sigilo revelam repasses a diretores indicados politicamente, como Alexandre Guimarães, ex-diretor do INSS. Ele recebeu milhões de empresas ligadas ao Careca.
- Entidades faturaram R$ 1,4 bilhão em descontos associativos de 2022 a 2025.
- Consultorias e sindicatos serviram como canais de lavagem de dinheiro.
- Investigações apontam para doações de campanha como contrapartida.
A comissão cobra transparência no Senado, onde sigilo de 100 anos cobre visitas do Careca a gabinetes.
Pressões por responsabilização
Deputados como Kim Kataguiri (União-SP) apresentaram requerimentos para convocar Gaspar em setembro, argumentando necessidade de elucidar a “cadeia de comando” da fraude. A PF estima prejuízo de R$ 6,3 bilhões a aposentados vulneráveis.
Weverton Rocha recebeu o Careca três vezes em seu gabinete para assuntos legislativos, segundo ele próprio. A assessoria nega repasses ilícitos.
A CPMI segue com oitivas semanais, apesar de interferências judiciais, como habeas corpus que impede prisões. Relator Gaspar desafia o STF a rever decisões que, segundo ele, protegem investigados ricos.







