Servidora da Polícia Civil de MG é presa por desvio de 220 armas apreendidas em delegacia de BH
A Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais prendeu Vanessa de Lima Figueiredo, de 44 anos, na noite de domingo (9), no bairro Salgado Filho, em Belo Horizonte. A servidora é suspeita de desviar cerca de 220 armas de fogo apreendidas e armazenadas na 1ª Delegacia do Barreiro. As investigações apontam para o crime de peculato, com indícios de que o armamento foi vendido a organizações criminosas, como o Terceiro Comando Puro (TCP).
O desvio foi descoberto após policiais apreenderem uma arma em Contagem que já constava como recolhida em 2019. Uma checagem no acervo da delegacia revelou o sumiço de revólveres calibre 38 e pistolas 9 mm, peças consideradas de baixo calibre e obsoletas. A prisão ocorreu durante cumprimento de mandados de busca e apreensão, que incluíram a residência da suspeita e da mãe dela.
Vanessa atuava como analista na unidade desde 2020 e era a única com acesso irrestrito à sala de acautelamento de materiais.
- Armas desviadas: aproximadamente 220 unidades, incluindo revólveres e pistolas.
- Valor salarial: R$ 7,5 mil brutos mensais, conforme Portal da Transparência.
- Bens adquiridos: dois veículos de luxo e procedimentos estéticos.
- Itens extras sumidos: drogas e dinheiro em espécie.
Perfil da servidora investigada
Vanessa de Lima Figueiredo ingressou na Polícia Civil após aprovação em concurso em 2013. Nomeada em julho de 2014 para o cargo de analista, ela atuou inicialmente em Divinópolis e no Detran-MG. Em 2020, foi transferida para a 1ª Delegacia do Barreiro, onde permaneceu até a prisão.
A suspeita tem formação em fisioterapia, concluída entre 2002 e 2005 em faculdade de Belo Horizonte. Nas redes sociais, ela se apresentava como escrivã, embora o cargo oficial fosse administrativo. Há um mês, dois pedidos de licença médica foram negados pela perícia da instituição.
Detalhes do esquema de desvio
As armas foram extraviadas ao longo dos últimos anos, durante operações na região Oeste de Belo Horizonte. Câmeras de segurança flagraram a servidora retirando itens da sala de armazenamento, embora sem imagens claras de armamentos. Um cofre em sua residência continha invólucros periciais, sugerindo planejamento.
Investigadores acreditam que o material abasteceu facções locais, incluindo o TCP, que atua na vizinha Cabana do Pai Tomás. Não há indícios de fuzis ou armas de alto calibre entre os itens sumidos. Além das armas, o inquérito apura o desaparecimento de drogas e valores em dinheiro.
A Polícia Civil nega invasão à unidade e afirma que a apuração segue em segredo de Justiça.
Armazenamento inadequado de materiais
A falta de centrais de custódia centralizadas em Minas Gerais facilitou o acesso irrestrito à servidora. Desde 2019, o pacote anticrime determina que itens apreendidos sejam lacrados, periciados e transferidos para depósitos especializados. No entanto, delegacias regionais ainda acumulam arsenais, violando o Código de Processo Penal.
O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol-MG) cobra implementação de estruturas adequadas. Segundo o entidade, o armazenamento local expõe vulnerabilidades, como visto no caso do Barreiro. O Instituto Sou da Paz reforça que desvios assim geram riscos à população, com armas obsoletas voltando às ruas.
Auditorias internas revelam que mais de 50% das unidades mineiras guardam itens sem rastreio completo.
Medidas após a prisão
Mandados de busca resultaram na apreensão de documentos e mídias na casa da suspeita. Os materiais foram enviados à perícia técnica para análise. Vanessa foi encaminhada ao sistema prisional, onde aguarda audiência de custódia marcada para esta terça-feira (11).
A Corregedoria instaurou correição administrativa para responsabilizar envolvidos. A defesa pediu liberdade provisória, alegando fragilidade na investigação. A Polícia Civil emitiu nota reafirmando compromisso com transparência e apuração rigorosa.
Outros servidores da unidade estão sob escrutínio, embora sem prisões adicionais até o momento.
Procedimentos legais em curso
O inquérito policial tramita na Corregedoria-Geral, focado em peculato e possível associação para o tráfico. Testemunhas da delegacia foram ouvidas, e perícias em veículos de luxo da suspeita buscam ligações financeiras. A Justiça decidirá sobre a manutenção da prisão preventiva ou condições alternativas, como recolhimento domiciliar.
Relatórios preliminares indicam que o esquema operou por pelo menos dois anos, com saídas noturnas da servidora. Não há evidências de coautoria externa, mas a hipótese de aliciamento por criminosos permanece aberta. A PCMG planeja reforçar protocolos de acesso em todas as unidades.
A audiência de custódia definirá os próximos passos, com possibilidade de indiciamento formal em até 30 dias.

















