Apple Intelligence e novos recursos de software são adiados na Europa devido a regras digitais da UE

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Apple logo Foto: Apple logo - Tada Images/shutterstock.com

A gigante da tecnologia anunciou que não lançará três de seus novos recursos de software mais aguardados para os usuários na União Europeia este ano. A decisão afeta o Apple Intelligence, o Espelhamento do iPhone no macOS Sequoia e o aprimoramento do Compartilhamento de Tela no SharePlay, que foram destaques em sua recente conferência para desenvolvedores.

A medida foi justificada pela empresa devido a “incertezas regulatórias” associadas à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês), uma legislação abrangente do bloco europeu que visa garantir a concorrência justa no setor digital. A companhia expressou preocupações de que as exigências de interoperabilidade da DMA poderiam forçá-la a comprometer a integridade de seus produtos de maneiras que colocariam em risco a privacidade do usuário e a segurança dos dados.

Como resultado direto, milhões de consumidores nos 27 países-membros da UE não terão acesso às inovações de inteligência artificial e conectividade quando forem disponibilizadas em outras regiões do mundo no segundo semestre. A empresa afirmou estar em diálogo com a Comissão Europeia para buscar uma solução que permita oferecer essas funcionalidades sem comprometer a segurança.

Os recursos impactados pelo adiamento

O Apple Intelligence representa a mais significativa incursão da empresa no campo da inteligência artificial generativa. O sistema foi projetado para se integrar profundamente ao iOS 18, iPadOS 18 e macOS Sequoia, oferecendo aos usuários ferramentas de escrita aprimoradas, geração de imagens e uma Siri muito mais capaz e contextual. A promessa é de uma IA que compreende o contexto pessoal do usuário para fornecer assistência relevante e proativa, processando grande parte das informações diretamente no dispositivo para garantir a privacidade.

Além do sistema de IA, outros dois recursos importantes foram adiados. O Espelhamento do iPhone (iPhone Mirroring) permitiria que os usuários visualizassem e controlassem totalmente a tela de seu smartphone a partir de um Mac, recebendo notificações e interagindo com aplicativos diretamente no computador. Já a nova funcionalidade de Compartilhamento de Tela (SharePlay Screen Sharing) foi aprimorada para permitir que um usuário desenhe na tela de outro ou solicite controle remoto, facilitando a prestação de suporte técnico a amigos e familiares.

A Lei dos Mercados Digitais como ponto central

A Lei dos Mercados Digitais é o pilar da estratégia da União Europeia para regular as grandes empresas de tecnologia, designadas como “gatekeepers” ou controladoras de acesso. A legislação impõe uma série de obrigações a essas companhias para promover um ambiente digital mais aberto e competitivo. Entre as exigências estão a permissão para que os usuários instalem aplicativos de lojas de terceiros e a garantia de que serviços de mensagens possam interoperar com plataformas concorrentes. É justamente essa exigência de interoperabilidade que está no centro do impasse atual. A empresa argumenta que abrir seus sistemas para cumprir as regras poderia criar vulnerabilidades exploradas por agentes mal-intencionados, enfraquecendo as proteções de segurança e privacidade que são um diferencial de seu ecossistema.

Declarações e preocupações da empresa

Em um comunicado oficial, a companhia declarou estar preocupada que os requisitos da DMA pudessem forçá-la a fazer alterações que comprometeriam a experiência do usuário e a segurança dos dados.

A empresa enfatizou que está comprometida em colaborar com a Comissão Europeia para encontrar uma solução que permita a entrega segura dessas tecnologias aos clientes europeus.

Este anúncio representa um revés significativo, especialmente por ter ocorrido poucas semanas após a apresentação global das novidades, que geraram grande expectativa entre os consumidores.

Reações e o cenário para os usuários europeus

A notícia gerou frustração entre os usuários da marca na Europa, que aguardavam ansiosamente para experimentar as novas funcionalidades de inteligência artificial e integração de dispositivos.

Por outro lado, defensores da DMA argumentam que a legislação é essencial para coibir práticas anticompetitivas e dar mais poder de escolha aos consumidores.

Este não é o primeiro embate entre a gigante da tecnologia e os reguladores europeus. A empresa já teve que realizar mudanças substanciais em sua App Store e no sistema operacional para se adequar às normas da DMA no início deste ano.

Até o momento, não há um cronograma claro para a resolução da questão, deixando o lançamento desses recursos em um estado de incerteza para o mercado europeu.

O que significa para o ecossistema

Este adiamento cria uma fragmentação na experiência do usuário global, onde funcionalidades centrais do ecossistema não estarão disponíveis em uma região economicamente crucial.

Desenvolvedores que planejavam criar ou atualizar aplicativos para integrar as novas APIs do Apple Intelligence também serão afetados, pois sua base de usuários na Europa ficará temporariamente de fora.

Próximos passos da negociação

O foco agora se volta para as negociações entre a empresa e a Comissão Europeia. A resolução dependerá da capacidade de ambas as partes encontrarem um equilíbrio entre os objetivos de concorrência da DMA e as garantias de segurança e privacidade defendidas pela companhia de tecnologia.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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