Cruzeiro: Leonardo Jardim rejeita sintético e pede uniformidade total em toda a Série A do BrasileiroPor Beatriz
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Leonardo Jardim, treinador do Cruzeiro, concedeu entrevista à CNN Esportes neste domingo (30) e posicionou-se contra o aumento do uso de gramado sintético no Campeonato Brasileiro. O português considera equivocada a tendência de adoção da superfície artificial por cerca de 30% dos estádios da Série A a partir de 2026.
O comandante celeste afirmou que o debate não deve girar em torno da qualidade do sintético, mas da necessidade de padronização em todo o torneio. Para ele, uma liga profissional precisa oferecer condições idênticas de jogo em todas as rodadas.
Debate vai além da qualidade da grama
Jardim destacou que a discussão central é a uniformização total das superfícies.
Ele questionou a direção tomada pelo futebol brasileiro ao permitir diferentes tipos de piso na mesma competição.
O treinador enfatizou que as principais ligas europeias mantêm restrição ou proibição completa ao gramado artificial nas divisões de elite.
Modelo europeu como referência obrigatória
O português citou exemplos concretos das grandes ligas do continente.
Na Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e Portugal o sintético é vetado nos campeonatos principais.
Jardim reconheceu não ter informação atualizada sobre a França, mas lembrou que a regra era semelhante em sua passagem anterior pelo país.
Ele defendeu que o Brasil decida um padrão único, independentemente de ser natural ou artificial, para garantir igualdade técnica.
Jogo contra o Vitória expôs risco aos jogadores
O treinador recordou partida do Cruzeiro contra o Vitória em 2025, disputada sob chuva intensa.
O gramado do Barradão transformou-se em verdadeira piscina, segundo descrição do próprio Jardim.
Apenas um atleta sofreu fratura na perna, mas o português alertou que o número de lesionados graves poderia ter sido maior.
Decisão de manter jogo gerou indignação
Jardim revelou ter sugerido ao empresário Pedro Lourenço, proprietário do Cruzeiro, abandonar o estádio antes do apito inicial.
Pedrinho respondeu que no Brasil tudo é permitido, conforme relato do técnico.
O treinador criticou a normalização de condições impraticáveis que colocam em risco a integridade física dos atletas.
Ele cobrou critérios rígidos de avaliação antes de autorizar a realização das partidas em situações extremas.
Integridade física deve ser prioridade absoluta
O comandante português lamentou que a carreira do jogador lesionado tenha ficado em segundo plano.
Decisões desse tipo raramente consideram as consequências de longo prazo para os profissionais em campo.
Jardim reforçou a necessidade de protocolos claros e uniformes para proteger os atletas em todo o território nacional.
A adoção crescente de gramado sintético ocorre principalmente por redução de custos de manutenção e maior disponibilidade dos estádios. Clubes como Athletico-PR, Atlético-GO e Cuiabá já utilizam a superfície artificial em seus centros de treinamento e arenas. A tendência ganhou força após liberação pela CBF em 2019, mas segue gerando divisão entre treinadores e preparadores físicos.
Comparação com principais ligas do mundo
- Premier League: proíbe totalmente gramado sintético desde 1995
- La Liga: mantém apenas grama natural nos estádios da primeira divisão
- Bundesliga: permite híbrido com até 5% de fibras artificiais, mas veta 100% sintético
- Serie A italiana: segue regra semelhante à alemã, priorizando superfície natural
O posicionamento de Leonardo Jardim reforça o coro de técnicos estrangeiros que defendem maior profissionalismo nas condições de jogo do Brasileirão. A CBF ainda não se manifestou oficialmente sobre possível regulamentação unificada para as próximas temporadas.







