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Uma mensagem ameaçadora apareceu nos banheiros masculinos do Liceu Clássico Giulio Cesare, em Roma, na quinta-feira, 27 de novembro de 2025. A frase “Lista stupri”, seguida de nove nomes – oito de meninas e um de menino –, foi descoberta no segundo andar do prédio, localizado no Corso Trieste. O ato ocorreu dois dias após o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, em 25 de novembro.

Os nomes listados pertencem a alunos engajados em atividades políticas e sociais na escola, o que sugere motivação ligada a opiniões divergentes. A direção da escola removeu a inscrição imediatamente e notificou as autoridades. Pais e alunos reagiram com indignação, exigindo medidas preventivas contra discriminação de gênero.

O episódio expõe tensões em ambientes educacionais, onde iniciativas de igualdade de gênero enfrentam resistência. A polícia de Roma, incluindo a Digos, iniciou investigações para identificar os responsáveis, possivelmente menores de idade.

  • A lista continha nove nomes completos, visíveis em tinta vermelha nas paredes.
  • O coletivo Zero Alibi, de alunos, denunciou o caso publicamente.
  • A escola ativou protocolos de apoio psicológico às vítimas.

Contexto do vandalismo no Giulio Cesare

O Liceu Giulio Cesare, uma das instituições mais antigas de Roma, registra histórico de ações contra violência de gênero. Em anos anteriores, striscioni preparadas para o 25 de novembro foram rasgadas ou queimadas. A direção, liderada por Paola Senesi, atribui o ato a “grafites vandálicos obtusos”, mas alunos contestam a resposta inicial.

A descoberta da lista gerou assembleia extraordinária entre os estudantes no dia seguinte. Mais de 30 alunos se inscreveram para falar, expressando medo e frustração. Uma das meninas listadas, identificada apenas como S., de 18 anos, relatou que o engajamento dela contra machismo motivou a inclusão.

Autoridades educacionais italianas, incluindo o ministro Giuseppe Valditara, classificaram o incidente como grave. Ele defendeu sanções duras e verificação de programas de educação ao respeito. A escola já participa de projetos nacionais desde 2017, como “Pari e dispari”, que promove respeito mútuo.

A reação coletiva incluiu protestos com mensagens como “Fuori i machisti dalle scuole” pintadas em fúcsia nas paredes externas. Pais enfatizam que o gesto reflete falhas na formação familiar e escolar.

Estupro abuso sexual
HTWE/Shutterstock.com

A carta dos pais aos autores da lista

Pais de alunos do Giulio Cesare redigiram uma carta aberta, assinada por “uma mãe e um pai que não se viram para o outro lado”. O texto, antecipado pela Tg1, foi lido em todas as classes na segunda-feira, 1º de dezembro de 2025, às 9h locais. Nela, os autores questionam diretamente os responsáveis: “Vocês escreveram esses nomes porque elas pensam, se organizam e têm opiniões políticas que os incomodam”.

O documento descreve o ato como uma resposta à falta de argumentos, recorrendo à ameaça sexual. “Não sabiam responder às ideias delas, responderam aos corpos delas, ameaçando-os”, afirma o texto. Ele liga o gesto ao patriarcado, chamando-o de “gesto antigo quanto o patriarcado mesmo”.

Os pais interpelam as famílias dos supostos autores: “Seus pais lhes ensinaram que dissenso político se resolve com ameaça sexual? Se sim, falharam”. A carta conclui que a violência amplifica vozes, não as silencia, e inclui simbolicamente todos os filhos na lista.

Essa iniciativa ganhou apoio de movimentos como Non Una di Meno, que vê o episódio como fruto de políticas que banalizam a prevenção. A leitura ocorreu em horários regulares das aulas, sem interrupções no calendário escolar.

Resposta da direção e alunos diverge

A diretora Paola Senesi publicou uma nota no site da escola, reafirmando compromisso contra violência. Ela destacou iniciativas como conferências, flash mobs e diretrizes ministeriais sobre educação cívica. “O liceu não é indiferente; propõe ações compartilhadas para respeito entre homens e mulheres”, escreveu.

Senesi sugeriu que o vandalismo reage à “incisividade” de programas internos, mas negou clima de violência no ambiente. Ela expressou solidariedade às vítimas e apoio a atividades formativas adicionais. A nota foi divulgada em 30 de novembro de 2025, por volta das 11h locais.

Alunos, por meio de representantes, contestaram a abordagem em carta própria. Eles se sentiram “não ouvidos, não protegidos nem apoiados”. Exigem grupos de trabalho com estudantes, professores e staff para discutir problemas e desenvolver prevenção.

Os representantes pedem respostas concretas, não punições isoladas. “Não pedimos castigos: pedimos respostas”, afirmaram. Essa troca de mensagens reflete debates sobre transparência na gestão escolar.

Uma investigação policial prossegue, com convocação da diretora pela Digos em 1º de dezembro. Possíveis ligações com eleições estudantis recentes são apuradas, mas sem confirmações.

Iniciativas de prevenção no ambiente escolar

O episódio no Giulio Cesare destaca a necessidade de educação afetivo-sexual obrigatória. O ministro Valditara mencionou linhas-guia de 2024 que introduziram cursos sobre respeito e relações nas escolas secundárias. Esses programas, aplicados em grande parte das instituições italianas, visam reduzir discriminação.

A escola já implementa projetos como o com o Rotary Club em 25 de novembro de 2025, focado em oportunidades iguais. Alunos do coletivo Zero Alibi coletaram assinaturas para mais atenção ao tema, mas enfrentaram sabotagens prévias.

Movimentos feministas pedem aliança entre escola, família e instituições. Ativistas como Claudia P., de Non Una di Meno, solidarizam-se e criticam ausência de prevenção diária. Elas defendem caminhos que ataquem raízes do problema, além de respostas reativas.

Estatísticas europeias mostram que campanhas estruturadas cortam episódios de intimidação em até 30%, segundo estudos em França e Alemanha. No Giulio Cesare, novas oficinas foram agendadas para dezembro.

Histórico de ações contra machismo na escola

O Liceu Giulio Cesare participa de decálogo contra violência desde 2017/18, resultante de investigação jornalística local. Conferências anuais e flash mobs mobilizam centenas de alunos. Em 2024, implementaram diretrizes sobre educação cívica e respeito.

Episódios passados incluem destruição de materiais no 25 de novembro de anos anteriores. Esses incidentes motivaram reforço em igualdade de gênero no trabalho, especialmente em informática. A escola colabora com projetos nacionais para reconhecimento pleno da dignidade entre sexos.

Alunos engajados, como S., destacam que o coletivo organiza eventos independentes. A lista recente parece retaliar esse ativismo, segundo relatos. A direção apoia massivamente essas atividades criativas.

Uma pesquisa interna, não divulgada, monitora clima escolar desde 2023, identificando padrões de conflito. Isso guia ajustes em currículos, integrando temas de não discriminação.

A comunidade externa, incluindo pais, pressiona por expansão de cursos. O caso ganhou eco em mídias romanas, ampliando debate sobre segurança em escolas.

Demandas dos estudantes por mudanças concretas

Representantes de alunos reuniram-se em assembleia em 28 de novembro, às 10h30 locais. Mais de 30 intervenções ocorreram, com foco em impunidade percebida. Eles pintaram mensagens externas como forma de protesto visível.

A carta dos estudantes, divulgada em 30 de novembro, lista prioridades: grupos multidisciplinares para prevenção e apoio. Eles rejeitam visão de que o ato é mera goliardia, vendo-o como ameaça real.

Uma das vítimas relatou vergonha inicial, mas agora mais medo de recorrência. Ela considera denúncia, mas prioriza diálogo coletivo com as meninas afetadas.

Atividades extras incluem laboratórios de sensibilização agendados para a semana. A escola convidou especialistas em gênero para sessões em dezembro de 2025.

O episódio impulsiona petições por educação afetiva em todos os graus escolares, com apoio de oposições políticas. Elas citam o Giulio Cesare como exemplo de urgência nacional.

Investigação policial e próximos passos

A Digos e a Squadra Mobile de Roma assumiram o caso em 29 de novembro. Foco inicial em câmeras de segurança e testemunhas oculares. Suspeita recai sobre aluno de 14 anos influenciado por pares, mas sem prisões.

A diretora foi ouvida em 1º de dezembro, às 14h locais, sobre contexto eleitoral estudantil. Autoridades verificam se o ato liga-se a disputas internas.

Pais das vítimas consultam opções legais, mas enfatizam educação sobre punição. O coletivo Zero Alibi planeja monitoramento contínuo de banheiros.

O Ministério da Educação monitora o caso para relatórios nacionais. Atualizações esperadas em 3 de dezembro, com possível suspensão de envolvidos.

Esse incidente reforça protocolos de denúncia anônima na escola, implementados em 2024.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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