Nasa encontra triptofano em asteroide Bennu e reforça teoria de entrega de vida ao planeta

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Nasa encontra triptofano em asteroide Bennu Foto: Nasa encontra triptofano em asteroide Bennu - Reprodução/NASA

Cientistas da Nasa e da Universidade do Arizona identificaram triptofano em fragmentos do asteroide Bennu coletados pela missão OSIRIS-REx. O achado, publicado em estudo liderado pelo geoquímico Angel Mojarro, do Goddard Space Flight Center, marca a primeira detecção desse aminoácido essencial em material extraterrestre. A descoberta reforça a hipótese de que asteroides entregaram compostos orgânicos fundamentais à Terra primitiva.

O triptofano é usado pelo corpo humano para produzir serotonina, neurotransmissor ligado à regulação do humor, e melatonina, hormônio do sono. Por ser molécula frágil, nunca havia sido encontrado em meteoritos que atravessam a atmosfera terrestre.

Por que o triptofano nunca apareceu antes

O triptofano se degrada facilmente com calor intenso. Meteoritos que caem na Terra passam por atrito atmosférico extremo, atingindo milhares de graus Celsius, o que destrói compostos delicados.

Amostras de Bennu foram coletadas diretamente no espaço em 2020 e retornaram à Terra em setembro de 2023 dentro de cápsula protegida. Esse método evitou a queima atmosférica e preservou moléculas sensíveis.

A detecção ocorreu em análises realizadas em 2025 com técnicas de alta precisão em laboratório terrestre.

O que mais foi encontrado em Bennu

Os pesquisadores confirmaram a presença de 14 aminoácidos já relatados anteriormente. Também detectaram todos os cinco nucleobases comuns (adenina, guanina, citosina, timina e uracila).

  • Aminoácidos não biológicos reforçam origem extraterrestre dos compostos
  • Diversas rotas químicas, muitas envolvendo água líquida antiga, formaram as moléculas
  • Composição heterogênea do asteroide indica múltiplos processos químicos ao longo de bilhões de anos

Importância para a origem da vida

A presença de triptofano em Bennu amplia o inventário de precursores biológicos entregues por corpos celestes. Asteroides e cometas podem ter fornecido quantidade maior de ingredientes orgânicos do que se estimava.

O achado mostra que moléculas complexas se formam naturalmente em ambientes sem vida. Isso exige cautela na busca por sinais biológicos em outros mundos.

Composição variada do asteroide

Bennu é uma brecha, ou seja, aglomerado de fragmentos de diferentes origens. Os cientistas analisaram porções com composições minerais distintas.

Algumas regiões apresentaram sinais de alteração por água líquida no passado remoto. Outras mantiveram química mais primitiva.

Essas variações indicam que nenhum processo único gerou toda a diversidade molecular observada.

Próximos passos da pesquisa

Os autores recomendam análises complementares para confirmar a origem do triptofano detectado. Técnicas de composição enantiomérica e isotópica podem determinar se o aminoácido tem assinatura claramente extraterrestre.

Missões futuras de retorno de amostras de outros asteroides e cometas são consideradas essenciais. Elas permitem estudar moléculas frágeis que se perdem em quedas naturais na Terra.

A descoberta reforça a importância de continuar coletando material diretamente no espaço para entender a química prebiótica do Sistema Solar.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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