Economia

Mercado de cripto inicia dezembro em baixa com Bitcoin caindo 6% por temores no Japão

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Foto: bitcoin - Renhue/Shutterstock.com

Bitcoin registrou queda de 7% nesta segunda-feira (1º de dezembro de 2025), caindo abaixo de US$ 85 mil em meio a um clima de aversão ao risco nos mercados globais. A desvalorização ocorreu logo após o fechamento de novembro, o pior mês para a criptomoeda em três anos, com perda acumulada de 17,5%. Analistas atribuem o movimento ao fortalecimento do iene japonês, impulsionado por sinais do Banco do Japão (BoJ) de possível aumento nas taxas de juros na reunião de política monetária deste mês.

O episódio acontece em Tóquio e Nova York, onde negociações asiáticas iniciaram o mês com volumes elevados de vendas. Investidores enfrentam pressões para liquidar posições alavancadas, o que pode estender o impacto para ações de tecnologia. A volatilidade reflete preocupações com o desmonte de estratégias de investimento que dependem de capital barato.

O Ether, segunda maior criptomoeda, caiu quase 10% no mesmo período, ampliando as liquidações totais em US$ 800 milhões nas últimas 24 horas.

Estratégia do carry trade pressiona liquidez global

Investidores globais captavam recursos em ienes a taxas próximas de zero para aplicar em ativos de maior rendimento, como criptomoedas e ações americanas. Essa operação, conhecida como carry trade do iene, sustentou fluxos de capital para mercados de risco durante anos.

O sinal do BoJ altera o cenário, com yields de títulos japoneses de 10 anos atingindo 1,84%, o maior nível desde 2008. Essa elevação encarece o financiamento, forçando vendas aceleradas para quitar dívidas.

  • Posições alavancadas em Bitcoin representam 60% das liquidações recentes.
  • Fluxos para cripto caíram 15% em novembro devido a ajustes semelhantes.
  • Estratégias semelhantes afetaram emergentes, como o real brasileiro.

Movimentações nos índices de ações revelam correlação

O Dow Jones Industrial recuou 0,71% por volta das 16h45 no horário de Brasília, fechando em 47.376 pontos. O Nasdaq, com forte peso de tecnologia, registrou baixa de 0,40%, aos 23.271 pontos.

O S&P 500 caiu 0,42%, para 6.820 pontos, refletindo vendas em setores sensíveis a risco. No continente asiático, o Nikkei 225 despencou 1,9%, influenciado diretamente pelo iene forte.

Esses indicadores mostram como a turbulência em cripto se propaga para bolsas tradicionais. Analistas monitoram o Federal Reserve, que pode cortar juros em dezembro, mas o risco japonês domina as agendas.

A correlação entre Bitcoin e Nasdaq atingiu 0,75 em novembro, o maior patamar do ano.

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Bitcoin – Foto: Vertigo3d/iStock.com

Histórico de novembro expõe fragilidades no mercado cripto

Novembro de 2025 marcou o segundo pior desempenho mensal para o Bitcoin desde 2018, com desvalorização de 17,5%. O ativo perdeu 35% desde a máxima de US$ 126 mil em outubro, testando suportes como a média móvel de 21 períodos.

Liquidações massivas ocorreram no final do mês, com US$ 600 milhões em posições fechadas forçadamente. O volume de negociações disparou, mas compradores hesitaram em regiões abaixo de US$ 90 mil.

Fatores macro, como dúvidas sobre cortes de juros nos EUA, agravaram o cenário. O índice de medo CNN permanece em “medo extremo”, sinalizando pessimismo persistente.

Reações em ativos refúgio marcam o dia

O ouro subiu para máximas de seis semanas, com investidores migrando para proteções tradicionais. A prata atingiu recorde histórico, dobrando de valor em 2025 graças à demanda industrial e especulativa.

Esses movimentos contrastam com a queda em cripto e ações. O petróleo Brent avançou 1%, enquanto moedas emergentes, como o real, enfrentam pressão do iene valorizado.

  • Ouro: alta de 2% para US$ 2.650 por onça.
  • Prata: recorde de US$ 35, impulsionado por compras institucionais.
  • Dólar: queda de 0,5% contra o iene, para ¥155.

Perspectivas para dezembro incluem volatilidade persistente

Dezembro historicamente rende 8% em média para o Bitcoin desde 2011, com mais meses positivos que negativos. No entanto, o atual contexto de yields japoneses elevados pode interromper essa tendência.

O S&P 500 está a menos de 2% de sua máxima de outubro, mas quedas adicionais em cripto podem testar esse suporte. MicroStrategy, maior detentora corporativa de Bitcoin, ajustou projeções de receita para 2025, assumindo preços entre US$ 85 mil e US$ 110 mil.

Analistas preveem que o desmonte do carry trade drene liquidez, afetando fluxos para emergentes. O BoJ avalia prós e contras de um hike, o que mantém mercados em alerta.

O Ether e outras altcoins seguem padrões semelhantes, com correções de até 10%. Investidores ajustam portfólios para cenários de maior custo de capital global.

Fatores macro japoneses alteram fluxos de investimento

O presidente do BoJ, Kazuo Ueda, destacou a necessidade de combater inflação persistente, após anos de política ultrabaixa. Taxas negativas vigoraram de 2016 a 2024, fomentando o carry trade.

Agora, com yields em alta, fundos globais reduzem exposições a risco. Isso impacta não só cripto, mas também ações de alto beta, como as de tecnologia.

Em Tóquio, vendas em bonds japoneses foram as maiores em meses. O iene ganhou 1,5% contra o dólar, pressionando exportadores.

Indicadores técnicos sinalizam suportes críticos

O Bitcoin testou US$ 84 mil pela manhã de segunda-feira, antes de uma leve recuperação para US$ 86 mil. O RSI indica sobrevenda, enquanto o MACD ameaça cruzamento de venda.

Gráficos mensais mostram o ativo na média de 21 períodos, suporte chave desde junho. Perda desse nível abre caminho para US$ 67 mil, segundo padrões de bandeira de baixa.

Volume de negociações em dezembro iniciou 20% acima da média, refletindo pânico inicial.

Conexões entre cripto e bolsas se intensificam

Ações ligadas a cripto, como as da Coinbase, caíram 8% em pré-mercado nos EUA. MicroStrategy, com 650 mil Bitcoins, viu capitalização cair US$ 10 bilhões abaixo de seus holdings.

Essa desconexão destaca vulnerabilidades. O Nasdaq, com 40% em tech, correlaciona-se fortemente com cripto em fases de risco.

Em novembro, o índice registrou o primeiro mês negativo desde março, com perdas de 5% antes de recuperação parcial.