Classificação histórica do Haiti para Copa 2026 é ameaçada por proibição de entrada nos Estados UnidosPor Jeronimo Santos
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A seleção do Haiti garantiu vaga na Copa do Mundo de 2026 após vencer a Nicarágua nas eliminatórias, marcando o retorno do país ao torneio após 52 anos. A classificação, celebrada nas ruas de Porto Príncipe em 18 de novembro, ocorre em meio à violência de gangues que paralisa o país. No entanto, milhares de torcedores haitianos, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, podem ficar impedidos de acompanhar os jogos presenciais devido às restrições migratórias impostos pelo governo Donald Trump.
A proibição de emissão de vistos para cidadãos haitianos, implementada em junho de 2025, atinge diretamente a torcida. Apenas jogadores, comissão técnica e dirigentes estão isentos. Haitiano-canadenses com dupla cidadania também evitam cruzar a fronteira com os EUA por receio de detenção.
O sorteio dos grupos ocorre nesta sexta-feira (5) em Washington, e a tabela completa será divulgada no sábado (6). Jogos no Canadá ou no México seriam a única chance real de presença maciça da torcida haitiana.
Restrições afetam comunidade haitiana na América do Norte
A diáspora haitiana no Canadá, estimada em quase 200 mil pessoas, acompanha a classificação com entusiasmo contido. Em Montreal, taxistas e comerciantes de origem haitiana comemoram a conquista, mas lamentam a impossibilidade de viajar aos Estados Unidos.
Nos EUA, centenas de milhares de haitianos protegidos pelo Status de Proteção Temporária (TPS) desde o terremoto de 2010 perderão essa condição a partir de fevereiro de 2026. A decisão da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, considera o Haiti “seguro” para retorno, apesar dos relatórios que descrevem o país como zona de guerra controlada por gangues.
Violência impede futebol em solo haitiano
A seleção haitiana não joga em casa desde o início da crise de segurança. Todas as partidas das eliminatórias foram disputadas em campo neutro. O técnico francês Sébastien Migné nunca pisou no Haiti.
Em fevereiro de 2025, gangues invadiram o FIFA Goal Center, conhecido como “o rancho”, centro de treinamento da seleção localizado nos subúrbios de Porto Príncipe. Meses antes, o Stade Sylvio Cator, estádio nacional, também havia sido ocupado e vandalizado.

Um dirigente da Federação Haitiana de Futebol foi sequestrado durante a invasão ao estádio. Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas internamente desde a primavera de 2024.
Time montado na diáspora representa esperança
A maioria dos jogadores convocados nasceu fora do Haiti. O atacante Duckens Nazon atua na França, e o meio-campista Jean-Ricner Bellegarde defende o Wolverhampton, da Inglaterra.
- Duckens Nazon: principal artilheiro da seleção nas eliminatórias
- Jean-Ricner Bellegarde: titular no Wolverhampton e destaque no meio-campo
- Danley Jean Jacques: volante que atua no futebol norte-americano
- Derrick Etienne: ponta que joga na MLS
A equipe é composta quase inteiramente por atletas da diáspora europeia e norte-americana.
Classificação reacende orgulho em meio à crise
A última participação haitiana em Copas do Mundo foi em 1974, na Alemanha Ocidental. Na ocasião, Emmanuel Sanon marcou dois gols contra a Itália e entrou para a história.
O futebol sempre teve papel simbólico no Haiti. Em 2004, amistoso contra o Brasil foi usado como tentativa de desarmamento durante crise política. Apesar das dificuldades atuais, a vaga na Copa de 2026 é vista como raro momento de união nacional.
Torcedores em Porto Príncipe e na diáspora afirmam que a classificação representa prova de resiliência do povo haitiano, mesmo diante da violência e das barreiras impostas por políticas migratórias externas.
Sorteio define caminho do Haiti no torneio
O Haiti conhecerá seus adversários na fase de grupos nesta sexta-feira. A localização dos jogos será decisiva para a presença de torcedores.
Partidas marcadas para estádios canadenses ou mexicanos garantiriam acesso mais fácil à comunidade haitiana. Já jogos nos Estados Unidos dependerão exclusivamente da isenção concedida a atletas e staff.
A FIFA não se pronunciou oficialmente sobre possíveis ajustes no calendário para acomodar seleções afetadas pelas restrições norte-americanas.







