Economia

Dólar fecha em baixa de 0,95% a R$ 5,53 com alívio político e dados econômicos positivos

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Foto: Dólar - marekfromrzeszow/ Shutterstock.com

O dólar comercial encerrou esta terça-feira, 23 de dezembro de 2025, em queda de 0,95%, cotado a R$ 5,5313. Essa desvalorização marcou a interrupção de uma sequência de sete sessões consecutivas de alta, influenciada por fatores como o cancelamento de uma entrevista marcada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e dados econômicos favoráveis.

O mercado reagiu de forma positiva à ausência de declarações políticas que poderiam gerar volatilidade adicional. Paralelamente, a prévia da inflação brasileira e indicadores internacionais contribuíram para o movimento de recuo da moeda americana.

No ano de 2025, o dólar acumula desvalorização de cerca de 10,5% em relação ao real. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, avançou mais de 1%, superando a marca dos 160 mil pontos.

dolar 23.12.2025
dolar 23.12.2025

Movimentos intradiários do câmbio

O dólar à vista abriu o dia com oscilações moderadas, registrando máxima de R$ 5,596 e mínima de R$ 5,530 nas primeiras horas. A virada para território negativo ganhou força ao longo da sessão, refletindo o apetite por risco dos investidores.

O contrato futuro de dólar para janeiro, o mais negociado na B3, acompanhou o movimento e recuou 1,08%, fechando a R$ 5,5375. Essa sincronia entre o mercado à vista e futuro demonstrou consistência na percepção de alívio nas pressões cambiais.

Influência do cenário político doméstico

O cancelamento da entrevista que Jair Bolsonaro concederia ao portal Metrópoles, alegando questões de saúde, reduziu incertezas no mercado financeiro. Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, a declaração era aguardada como possível sinalização sobre apoios políticos para 2026.

Operadores relataram que a ausência de novas declarações evitou potenciais ruídos eleitorais em um período já sensível. Esse fator contribuiu diretamente para a melhora no humor dos investidores ao longo do dia.

Intervenção do Banco Central

O Banco Central realizou dois leilões de linha, com oferta total de US$ 2 bilhões em venda de dólares com compromisso de recompra. A autoridade monetária aceitou propostas no valor de US$ 500 milhões, injetando liquidez parcial no mercado.

Essa operação visou atender demandas sazonais de fim de ano, comuns em períodos de remessas externas. Apesar da aceitação parcial, o leilão ajudou a conter pressões adicionais sobre a cotação.

Dados da prévia da inflação brasileira

O IPCA-15 registrou alta de 0,25% em dezembro, resultado ligeiramente abaixo das projeções do mercado, que esperavam 0,27%. No acumulado do ano, o indicador fechou em 4,41%, dentro da meta de inflação estabelecida.

Esse número reforçou expectativas de consolidação no processo de desinflação no país. Economistas destacam que o dado abre espaço para possíveis ajustes na política monetária em 2026.

  • Alimentação e bebidas: alta moderada influenciada por itens sazonais.
  • Transportes: contribuição positiva com reajustes em combustíveis.
  • Habitação: variação controlada apesar de pressões em energia.

Indicadores econômicos internacionais

O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos cresceu 4,3% no terceiro trimestre de 2025, taxa anualizada acima das estimativas anteriores. Esse desempenho robusto sustentou gastos de consumidores e investimentos empresariais.

No exterior, o dólar apresentou fraqueza geral frente a outras moedas, beneficiando ativos emergentes como o real. Índices americanos operaram com variações mistas, mas o otimismo prevaleceu em mercados globais.

Desempenho do Ibovespa na sessão

O principal índice da B3 avançou cerca de 1,3%, fechando acima dos 160 mil pontos pela primeira vez em semanas. Setores como bancos e commodities lideraram os ganhos, refletindo o apetite por risco renovado.

Ações de grandes empresas, como Petrobras e Vale, registraram valorizações significativas. O volume negociado permaneceu elevado apesar da proximidade do feriado de Natal.

Fatores sazonais de fim de ano

Remessas de lucros e dividendos por empresas estrangeiras intensificam a demanda por dólares em dezembro. Esse fluxo sazonal costuma pressionar o câmbio, mas foi mitigado pela combinação de fatores positivos nesta sessão.

Analistas apontam que a liquidez reduzida nos próximos dias pode amplificar movimentos. O mercado brasileiro encerra operações antes do Natal, retomando apenas após o feriado.

Projeções para o câmbio em 2026

Economistas mantêm expectativas de dólar em patamares elevados no início do próximo ano, influenciados por juros americanos. O Boletim Focus ajustou ligeiramente as projeções para o fim de 2025, mas sinaliza estabilidade relativa.

Fatores como balança comercial brasileira e políticas fiscais continuarão no radar. O real demonstrou resiliência ao longo de 2025, acumulando ganhos expressivos.

  • Balança comercial: superávit projetado para dezembro.
  • Reservas internacionais: manutenção em níveis elevados.
  • Juros Selic: debates sobre cortes futuros.

Reações de analistas econômicos

Especialistas do Banco Inter destacam a consolidação da desinflação apesar de variações mensais. Eles projetam inflação mais fraca no primeiro trimestre de 2026, abrindo caminho para ajustes na taxa básica de juros.

Outros instituições reforçam que o cenário externo favorável beneficia moedas emergentes. O real se valorizou em linha com pares como o peso mexicano e outras divisas da região.

Contexto anual do mercado cambial

Ao longo de 2025, o dólar oscilou entre patamares elevados em momentos de tensão global e recuos em fases de otimismo. A desvalorização acumulada reflete entrada de capitais e exportações robustas.

O Banco Central atuou em diversas ocasiões para suavizar volatilidades. As reservas internacionais permaneceram confortáveis, suportando intervenções quando necessárias.

O mercado financeiro brasileiro encerrou o ano com indicadores mistos, mas sinais positivos na reta final. A combinação de dados internos e externos favoreceu o real nesta última sessão plena antes das festas.