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Mix Vale

O Brasileirão 2025 evidenciou uma acentuada transformação no cenário do futebol nacional, com a presença de atletas estrangeiros alcançando patamares inéditos. Clubes têm intensificado suas buscas por talentos além das fronteiras, focando tanto no promissor mercado sul-americano quanto em nomes com experiência no futebol europeu, estratégia que se consolidou como uma marca registrada da competição e reflete uma mudança estrutural na montagem dos elencos.

Nesse contexto de globalização esportiva, o Grêmio se destacou de forma notável. A equipe gaúcha superou o São Paulo, tradicionalmente conhecido por sua forte presença internacional, e encerrou a temporada como o time que mais utilizou jogadores vindos de outros países.

Ao todo, o tricolor gaúcho registrou a participação de 12 estrangeiros em campo ao longo do campeonato, um número que ressalta a diversidade e a aposta em um elenco com múltiplas nacionalidades e experiências.

Liderança gremista na diversidade

A campanha do Grêmio no Brasileirão 2025 foi impulsionada por uma notável mescla de talentos de diferentes origens. O clube apostou em uma estratégia de recrutamento global, integrando jogadores que se tornaram peças fundamentais para o desempenho da equipe ao longo da competição.

Essa diversidade foi visível na escalação, com atletas de várias nacionalidades contribuindo em diferentes setores do campo, consolidando a equipe gaúcha como a que mais utilizou estrangeiros na liga, desbancando o São Paulo.

Elenco internacional do Grêmio

Ao longo da temporada, doze jogadores estrangeiros foram a campo pelo tricolor gaúcho, reforçando a aposta em um time com forte presença de atletas de fora do país. Eles incluíram:

  • Cristian Pavón (Argentina)
  • Franco Cristaldo (Argentina)
  • Walter Kannemann (Argentina)
  • Fabián Balbuena (Paraguai)
  • Mathías Villasanti (Paraguai)
  • Miguel Monsalve (Colômbia)
  • Gustavo Cuéllar (Colômbia)
  • Érick Noriega (Peru)
  • Alexander Aravena (Chile)
  • Cristian Olivera (Uruguai)
  • Francis Amuzu (Bélgica)
  • Martin Braithwaite (Dinamarca)
  • Aprofundamento no contingente sul-americano

    A predominância de sul-americanos no elenco gremista reflete uma estratégia de mercado bem definida, focada em atletas que já possuem alguma familiaridade com o estilo de jogo da região e um histórico de sucesso em ligas próximas. Walter Kannemann, por exemplo, é um zagueiro argentino com longa trajetória no clube e ídolo da torcida, enquanto Franco Cristaldo se destacou com sua capacidade de criação no meio-campo, mostrando grande adaptabilidade. Do Paraguai, Mathías Villasanti se tornou um motor incansável no setor de meio-campo, e do Uruguai, Cristian Olivera adicionou velocidade e técnica ao ataque, comprovando que a proximidade cultural e tática é um facilitador para o sucesso desses jogadores, permitindo uma integração mais rápida e um desempenho consistente em campo.

    Reforços europeus e a globalização

    A inclusão de Francis Amuzu, da Bélgica, e Martin Braithwaite, da Dinamarca, demonstra a ousadia do Grêmio em buscar talentos em mercados menos tradicionais para o futebol sul-americano. Essa estratégia visa complementar a base do elenco com perfis de atletas vindos de ligas europeias, adicionando diferentes perspectivas e experiências de jogo.

    O São Paulo e sua presença internacional

    Apesar de ser historicamente um dos grandes empregadores de jogadores estrangeiros no futebol nacional, o São Paulo ficou em segundo lugar no ranking do Brasileirão 2025, utilizando dez atletas de outras nacionalidades. A equipe paulista manteve sua vocação para atrair talentos de fora, mas em menor volume que o Grêmio nesta temporada em particular.

    O elenco tricolor paulista contou com nomes importantes, como os argentinos Emiliano Rigoni, Enzo Díaz, Alan Franco, Juan Dinneno e Calleri, que formaram a espinha dorsal do ataque e da defesa com atuações relevantes. Além deles, Gonzalo Tapia (Chile), Damián Bobadilla (Paraguai), Robert Arboleda (Equador), Nahuel Ferraresi (Venezuela) e Cédric Soares (Portugal) também tiveram participação, mostrando a amplitude da busca do clube no mercado internacional para compor seu plantel.

    Tradição dos clubes e investimento

    A prática de contratar atletas estrangeiros é uma marca consolidada tanto para Grêmio quanto para São Paulo, refletindo uma filosofia de gestão que busca no mercado internacional diferenciais técnicos e táticos. Essa abordagem contribui para a elevação do nível técnico do campeonato, trazendo novas habilidades e experiências.

    Os clubes veem nos jogadores “gringos” uma oportunidade de agregar qualidade aos seus elencos a um custo, muitas vezes, mais competitivo em comparação com o mercado interno, além de trazerem novas perspectivas táticas e culturais para o vestiário e o dia a dia da equipe.

    Fatores e perspectivas da internacionalização

    A aquecida janela de transferências, que precede e se estende durante o campeonato, indica que a atenção a jogadores “gringos” deve continuar forte. A expectativa é que Grêmio e São Paulo, seguindo o movimento de todo o futebol brasileiro, mantenham seus olhos voltados para além das fronteiras na busca por novos talentos para fortalecer seus times.

    A crescente internacionalização dos elencos brasileiros é um reflexo direto do aumento da competitividade do Brasileirão. Os clubes buscam constantemente diferenciais táticos e técnicos, e a diversidade de nacionalidades proporciona essa flexibilidade, tornando os times mais adaptáveis a variados estilos de jogo e adversários no cenário nacional.

    Adicionalmente, a valorização do mercado sul-americano tem se consolidado como uma via estratégica importante para o recrutamento de talentos. Muitos jogadores de países vizinhos chegam ao Brasil com grande potencial e, por vezes, um custo de aquisição mais acessível do que o de atletas brasileiros já estabelecidos no cenário nacional.

    Com a modernização do scouting e o acesso facilitado a informações de ligas estrangeiras, a tendência é que o número de atletas não-brasileiros continue a crescer significativamente nos próximos anos. Essa movimentação moldará cada vez mais o perfil dos elencos do Campeonato Brasileiro, consolidando a diversidade como um pilar estratégico fundamental para o sucesso das equipes na competição.

    Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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