Ataque dos EUA à Venezuela pode retirar times do país da próxima Copa LibertadoresPor Maria
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O ataque realizado pelos Estados Unidos à Venezuela na madrugada deste sábado (3) provocou um cenário de instabilidade extrema que atinge diretamente o planejamento do futebol sul-americano. A ofensiva militar, confirmada pelo presidente norte-americano Donald Trump, resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram retirados do país após explosões em Caracas. Diante da crise política e de segurança, quatro clubes venezuelanos que possuem vagas garantidas na Copa Libertadores 2026 aguardam definições sobre a viabilidade de suas participações no torneio continental.
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) confirmou que está acompanhando os recentes acontecimentos e avalia os riscos para a realização de partidas em território venezuelano nos próximos meses. Carabobo, Deportivo Táchira, Deportes La Guaira e Universidad Central de Venezuela são as equipes classificadas para a competição, mas o agravamento do conflito pode forçar mudanças drásticas no regulamento. Entre as medidas analisadas pela entidade máxima do futebol na América do Sul, estão a alteração de mandos de campo para países vizinhos ou até a exclusão temporária das agremiações caso o espaço aéreo permaneça fechado.
- Carabobo e Deportivo Táchira possuem estreias agendadas para a fase prévia em fevereiro de 2026.
- Deportes La Guaira e Universidad Central de Venezuela entram diretamente na fase de grupos em abril.
- Aeroportos na Venezuela foram fechados logo após as primeiras explosões registradas em solo caribenho.
- Jogadores estrangeiros que atuam no Brasil, como Savarino e José Martínez, encontraram dificuldades para retornar aos seus clubes.
Calendário da fase prévia sob risco
O Deportivo Táchira tem o primeiro compromisso decisivo marcado para o dia 2 de fevereiro contra o The Strongest, da Bolívia, com o duelo de volta previsto para o dia 9 do mesmo mês. Atualmente, a incerteza sobre a segurança das delegações estrangeiras em San Cristóbal coloca o planejamento da Conmebol em xeque, uma vez que o país entrou em estado de emergência. O Carabobo também vive situação similar, com jogos contra o Huachipato, do Chile, programados para a segunda quinzena de fevereiro, dependendo diretamente da estabilização da fronteira e das garantias de voos.
Caso o governo provisório ou as forças de ocupação não garantam a segurança mínima, a tendência é que os clubes venezuelanos precisem mandar seus jogos em cidades como Bogotá, na Colômbia, ou Assunção, no Paraguai. A logística de deslocamento tornou-se o principal obstáculo imediato, visto que a movimentação militar dos Estados Unidos alterou as rotas aéreas comerciais em toda a região do Caribe. A Federação Venezuelana de Futebol ainda não emitiu um comunicado oficial sobre o adiamento de competições internas, mas os treinamentos de algumas equipes seguem sob forte vigilância.

Preparação dos clubes em meio ao conflito
A Universidad Central de Venezuela, atual campeã nacional após vencer o Carabobo na final da Liga FUTVE em dezembro, ainda não iniciou a pré-temporada de forma integral devido ao recesso de fim de ano. O clube, que deveria se apresentar na primeira semana de janeiro, agora lida com o isolamento diplomático e militar que afeta o deslocamento de seus profissionais. Outras equipes de menor investimento também paralisaram atividades administrativas, aguardando orientações das autoridades locais sobre a circulação de pessoas em áreas urbanas próximas a centros militares.
Impacto na logística de jogadores internacionais
Atletas renomados da seleção venezuelana que atuam no Campeonato Brasileiro, como o atacante Savarino do Botafogo, ficaram retidos em Caracas após o fechamento imediato das fronteiras aéreas. Savarino estava de férias com a família e não conseguiu embarcar para o Rio de Janeiro, o que gerou preocupação na comissão técnica do clube carioca para o início dos treinamentos. Situação idêntica vive o volante José Martínez, do Corinthians, que enfrentou entraves burocráticos para renovar seu passaporte e agora não tem autorização legal para deixar a zona de conflito.
Posição da Conmebol sobre a segurança
A entidade sul-americana mantém contato frequente com as federações vizinhas para traçar planos de contingência caso os ataques terrestres e aéreos continuem a atingir infraestruturas civis na Venezuela. A prioridade máxima da organização é garantir a integridade física de árbitros, jogadores e comissões técnicas que precisam viajar para as partidas internacionais programadas para o primeiro trimestre. Historicamente, a Conmebol evita interferências políticas, mas a gravidade da captura de um chefe de Estado exige medidas de segurança excepcionais que podem alterar o formato da competição.
Cenário geopolítico e o futebol sul-americano
A ofensiva militar liderada por Washington gerou reações imediatas de líderes da América do Sul, com o governo brasileiro classificando a ação como um precedente perigoso para a soberania regional. Enquanto países como Argentina e Equador demonstraram apoio à mudança de regime, o Brasil e a Colômbia reforçaram suas fronteiras para conter possíveis fluxos migratórios e instabilidades nas zonas de divisa. Essa divisão diplomática reflete diretamente na cooperação esportiva, dificultando acordos para sedes neutras em caso de necessidade de transferência dos jogos da Copa Libertadores.
Perspectiva para a fase de grupos
Os clubes que entram na competição apenas em abril, como o Deportes La Guaira, possuem uma margem maior de tempo para observar o desenrolar da transição política venezuelana. Entretanto, a manutenção das sanções econômicas e o controle militar dos aeroportos podem impedir a comercialização de direitos de transmissão e a entrada de patrocinadores internacionais no país. Sem uma resolução rápida para o comando central da Venezuela, o futebol local corre o risco de sofrer um isolamento prolongado, afetando as receitas e o desempenho técnico das equipes na temporada de 2026.







