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Pelo segundo ano consecutivo, a província de Trento foi coroada como o melhor lugar para se viver na Itália, segundo o tradicional ranking de qualidade de vida publicado pelo jornal Il Sole 24 Ore. A cidade, localizada na região do Trentino-Alto Ádige, superou outras 106 províncias italianas, consolidando a hegemonia do nordeste do país no que diz respeito ao bem-estar da população. A pesquisa anual é uma das mais aguardadas e serve como um termômetro para o desenvolvimento socioeconômico das diferentes regiões italianas.

O levantamento, que chega à sua 36ª edição, baseia-se em uma análise aprofundada de 90 indicadores, agrupados em seis macroáreas temáticas que abrangem desde a economia até a cultura. A vitória de Trento foi impulsionada por um desempenho excepcional em áreas como Cultura e Lazer, onde a província registrou um salto notável de 26 posições em relação ao ano anterior. Este resultado reflete os investimentos contínuos em infraestrutura cultural e oferta de atividades para os cidadãos.

Completando o pódio, Bolzano, também no Trentino-Alto Ádige, ficou com a segunda posição, mantendo seu histórico de alta performance em diversos quesitos. A grande surpresa foi Udine, na região de Friuli-Venezia Giulia, que alcançou o terceiro lugar, demonstrando avanços significativos, principalmente nos setores de segurança e meio ambiente. A composição do topo do ranking reforça a percepção de um país dividido, com o norte apresentando condições de vida consistentemente superiores.

O domínio do nordeste italiano no pódio

A hegemonia das províncias do nordeste da Itália é um dos destaques da edição mais recente do ranking. As dez primeiras posições são ocupadas exclusivamente por cidades localizadas nas regiões do Trentino-Alto Ádige, Vêneto, Friuli-Venezia Giulia e Emilia-Romagna. Essa concentração geográfica a leste do rio Ticino evidencia um modelo de desenvolvimento que combina dinamismo econômico com alta qualidade de serviços públicos e um ambiente seguro.

Bolonha, em quarto lugar, destaca-se como a principal representante da Emilia-Romagna no grupo de elite, seguida por cidades médias como Bergamo, Treviso e Verona. Essas localidades demonstram um equilíbrio notável entre crescimento, preservação ambiental e coesão social, registrando alguns dos maiores índices de longevidade e as menores taxas de criminalidade do país. A ausência de províncias do sul da Itália entre as primeiras 40 posições acentua o abismo socioeconômico que persiste no país.

Milão, no oitavo lugar, é a única grande metrópole a figurar no top 10. A capital da Lombardia obteve boas notas nos indicadores de riqueza e consumo, refletindo seu papel como motor financeiro da Itália. No entanto, a cidade perdeu posições em quesitos como justiça e segurança, um desafio comum aos grandes centros urbanos que lidam com maior densidade populacional e complexidades sociais.

A metodologia por trás da classificação

A credibilidade do ranking do Il Sole 24 Ore reside em sua metodologia robusta e transparente, que evolui anualmente para refletir as novas dinâmicas sociais e econômicas. A análise é fundamentada em seis pilares principais: Riqueza e Consumo, Negócios e Trabalho, Justiça e Segurança, Demografia e Sociedade, Meio Ambiente e Serviços, e Cultura e Lazer. Cada uma dessas áreas é composta por 15 indicadores específicos, totalizando 90 parâmetros que fornecem um panorama completo da realidade de cada província. Os dados utilizados são coletados de fontes oficiais e institucionais, como o Instituto Nacional de Estatística (Istat), ministérios e bancos de dados regionais, garantindo a objetividade da avaliação. Para a edição deste ano, foram introduzidos novos parâmetros que medem, por exemplo, o índice de iluminação pública sustentável, os gastos de energia de residências e os acidentes de trabalho, além de um índice específico sobre a participação em eleições. Cada província recebe uma pontuação final que varia de 0 a 1.000, calculada com base no seu posicionamento em cada um dos 90 indicadores, e a classificação final é determinada pela média dessas pontuações. Essa abordagem detalhada permite não apenas identificar os líderes, mas também compreender as forças e fraquezas de cada território, servindo como uma ferramenta valiosa para gestores públicos e investidores.

Desempenho contrastante do noroeste

Enquanto o nordeste celebra seus resultados, a região noroeste da Itália apresenta um quadro de desempenho mais modesto e, em alguns casos, preocupante. A província mais bem colocada da região é Aosta, no Vale d’Aosta, que aparece apenas na 13ª posição. Embora tenha subido quatro posições em relação ao ano anterior, Aosta ainda está longe do grupo de elite, destacando-se positivamente em riqueza e consumo, mas mostrando fragilidades em indicadores de demografia e sociedade.

A situação no Piemonte é ainda mais complexa. A província mais bem classificada da região é Cuneo, que ocupa a 27ª posição, seguida por Novara (45ª) e Biella (49ª). Turim, a capital regional e um importante polo industrial, figura apenas na 57ª colocação, penalizada por problemas relacionados à segurança urbana e às oportunidades no mercado de trabalho. Esse resultado sinaliza os desafios que a antiga capital italiana enfrenta para se reinventar e competir com outras grandes cidades do país.

Piemonte e a lanterna do ranking

O desempenho geral da região do Piemonte acende um alerta, culminando com a província de Alessandria na última posição do ranking nacional. O 107º lugar reflete dificuldades estruturais profundas, com a cidade apresentando os piores resultados do país em áreas críticas como meio ambiente, serviços públicos e demografia. Este resultado negativo não é um fato isolado, mas sim o reflexo de uma tendência de declínio observada nos últimos anos.

A análise dos dados mostra que a região do Piemonte perdeu posições em cinco das seis macroáreas avaliadas em comparação com o ano anterior. Províncias como Vercelli (60ª) e Verbania-Cusio-Ossola (61ª) também figuram na segunda metade da tabela, enfrentando obstáculos significativos nos setores de negócios e trabalho, o que impacta diretamente a qualidade de vida de seus habitantes.

A situação delicada da Ligúria

A região da Ligúria, conhecida por sua bela costa, também não conseguiu se destacar no ranking de qualidade de vida. As quatro províncias da região permanecem fora do grupo das 40 melhores. Gênova, a capital regional, ocupa o 42º lugar, seguida de perto por La Spezia, em 43º, ambas registrando uma leve melhora em relação à pesquisa anterior.

Mais abaixo na classificação, Savona aparece na 65ª posição e Imperia na 80ª. A região como um todo enfrenta desafios históricos relacionados à infraestrutura de transportes e ao envelhecimento acentuado da população. Os indicadores de saúde e serviços públicos são os que apresentam os menores avanços, mostrando que, apesar de seu potencial turístico, a Ligúria ainda não conseguiu traduzir seus atrativos em um bem-estar generalizado para seus residentes.

Fatores para o sucesso de Trento

O sucesso contínuo de Trento pode ser atribuído a um conjunto de políticas públicas bem-sucedidas e características geográficas e culturais favoráveis, que criam um ambiente propício para uma alta qualidade de vida.

As dez melhores províncias da Itália

O topo da classificação de qualidade de vida é dominado por cidades do norte, que se destacam pela combinação de prosperidade econômica, serviços eficientes e segurança. A lista das dez primeiras colocadas, liderada por Trento, é um reflexo claro dessa realidade regional.

Bolzano segue em segundo lugar, reafirmando a força do Trentino-Alto Ádige. A surpresa Udine, em terceiro, mostra o potencial de crescimento das cidades de Friuli-Venezia Giulia, com avanços notáveis em áreas como segurança e sustentabilidade ambiental.

Bolonha (4ª) e Bergamo (5ª) representam a força da Emilia-Romagna e da Lombardia, respectivamente. A lista se completa com Treviso (6ª), Verona (7ª), Milão (8ª), Pádua (9ª) e Parma (10ª), consolidando um grupo de elite formado por centros urbanos dinâmicos e bem estruturados.

Essa concentração no norte do país sublinha a necessidade de políticas de desenvolvimento mais equilibradas para reduzir as disparidades e melhorar as condições de vida em todas as regiões da Itália, especialmente no sul, que continua a enfrentar desafios significativos.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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