Inquérito aponta movimentações suspeitas envolvendo ex-esposa e filha de presidente do São PauloPor Thiago Lemos
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A Polícia Civil de São Paulo conduz inquérito que identifica esquema financeiro atípico envolvendo o presidente do São Paulo, Julio Casares, e sua família. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) embasam a apuração, apontando operações suspeitas em contas pessoais. O delegado Tiago Fernando Correia destaca convicção técnica sobre a existência de práticas para dissimular origem de recursos.
As investigações analisam transações entre Casares e sua ex-esposa, Mara Casares, totalizando cerca de R$ 125 milhões entre 2021 e 2024. Essas movimentações exigem aprofundamento para verificar possível confusão patrimonial após dissolução conjugal. Além disso, a conta de Casares quitou 104 boletos de despesas da ex-esposa, somando mais de R$ 137 mil.
- Depósitos estratégicos abaixo de R$ 50 mil evitavam comunicação automática ao Coaf.
- Transferências rápidas por PIX dificultavam rastreamento de valores.
- Injeções simultâneas em contas pessoais e jurídicas caracterizavam pulverização de recursos.

Movimentações na conta da filha
A apuração examinou conta no Banco Safra titularizada por Deborah de Melo Casares, filha do casal, de novembro de 2014 a janeiro de 2025. Investigadores identificaram manobras de alta sofisticação para dissimular valores. Mara Casares depositou R$ 49.500 na conta da filha em 22 de novembro de 2024, valor escolhido para evitar notificação obrigatória ao Coaf a partir de R$ 50 mil.
Essa prática, conhecida como structuring ou smurfing, demonstra conhecimento dos mecanismos de controle. No mesmo dia, a empresa Otto Estúdio de Beleza, da qual Deborah é sócia, recebeu R$ 37.520 em espécie. Em outra data, depósitos semelhantes ocorreram de forma coordenada.
O grupo familiar injetou R$ 157.120 em dinheiro vivo nas contas pessoal e jurídica nesse período. Parte dos valores foi transferida imediatamente por PIX para outra instituição bancária. Os investigadores classificam essa etapa como layering, com objetivo de complicar o rastreio dos recursos.
Transações entre ex-cônjuges
As operações entre Julio e Mara Casares indicam comunhão de interesses econômicos mesmo após separação. O inquérito aponta severa gravidade na manutenção de fluxo financeiro milionário. A quitação de boletos da ex-esposa sugere relação patrimonial oculta.
Essas transações transcendem desorganização financeira comum. O relatório conclui intenção de ocultar natureza e origem de recursos inadequados para circulação formal. A investigação segue em andamento para esclarecer todos os aspectos envolvidos.
Saques nas contas do clube
Paralelamente, a Polícia Civil analisa 35 saques em dinheiro nas contas do São Paulo de janeiro de 2021 a novembro de 2025. Os valores totalizam R$ 11 milhões distribuídos ao longo dos anos. Em 2024, ocorreram 11 operações somando R$ 5,2 milhões.
Inicialmente, saques eram realizados por funcionário do clube. Posteriormente, contratou-se empresa de carro forte para as retiradas. Essa mudança pode ter objetivo de dificultar identificação dos responsáveis.
- 2021: sete saques totalizando R$ 1,5 milhão.
- 2022: seis saques somando R$ 1,2 milhão.
- 2023: seis saques alcançando R$ 1,4 milhão.
- 2024: maior volume com R$ 5,2 milhões.
- 2025: cinco saques até R$ 1,7 milhão.
Posição da defesa
Os advogados de Julio Casares emitiram nota afirmando que todas as movimentações possuem origem lícita e legítima. Eles destacam compatibilidade com evolução patrimonial do dirigente antes da presidência. Casares exerceu funções de alta direção na iniciativa privada com remuneração elevada.
A defesa informa que detalhes serão apresentados durante as investigações com provas e declarações fiscais. Os representantes rebateram ilações por falta de acesso integral ao inquérito. Eles reforçam compromisso em esclarecer os fatos às autoridades.
Contexto político no clube
O Conselho Deliberativo do São Paulo agendou votação de pedido de impeachment de Casares para 14 de janeiro. A reunião ocorrerá no Morumbis com participação presencial de conselheiros. O processo exige aprovação por dois terços dos votos para prosseguir.
O Conselho Consultivo posicionou-se contra destituição por ausência de provas materiais. Torcidas organizadas emitiram notas pedindo renúncia do presidente. O clube monitora desdobramentos e disponibiliza-se para esclarecimentos judiciais.
Detalhes das operações suspeitas
O inquérito divide análise em períodos com atipicidades estruturais. Salários do São Paulo representaram apenas 19,3% das entradas na conta de Casares. Depósitos em espécie alcançaram R$ 1,5 milhão entre 2023 e 2025.
Registros incluem até 12 depósitos em um único dia. Valores fracionados em R$ 49 mil caracterizam tentativa de burlar controles. Justificativas ao banco mencionavam bonificações por conquistas esportivas.
A investigação não estabelece correlação direta entre saques do clube e depósitos pessoais até o momento. Diligências continuam para coleta de elementos adicionais em instituições financeiras. O caso tramita sob sigilo judicial.







