Alerj exonera 206 servidores ligados a políticos influentes do Rio de Janeiro em reformulação administrativaPor Bruna
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A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) publicou, em edição extraordinária do Diário Oficial, uma lista com 206 exonerações de servidores comissionados. Essas demissões alcançaram indicados de ex-presidentes da Casa e de parlamentares com forte atuação no estado. A medida ocorreu nesta semana, após mudanças na direção da instituição iniciadas no final do ano anterior.
As exonerações afetaram diretamente aliados de figuras como o deputado federal Max Lemos, o ex-presidente André Ceciliano e o presidente afastado Rodrigo Bacellar. Documentos internos serviram de base para a identificação dos vínculos políticos. A ação representa uma reformulação significativa na estrutura administrativa da Alerj.
Parte dos demitidos ocupava cargos estratégicos em diretorias e setores técnicos. A presidência em exercício justificou as dispensas como parte de uma revisão geral de nomeações anteriores.
Exonerações envolvem familiares e aliados próximos
Max Lemos teve 27 nomes associados ao seu grupo exonerados, incluindo o irmão Leonel Rodrigues Lemos. A esposa do deputado, Ana Paula Lemos, manteve o cargo concursado, mas perdeu a função comissionada que exercia há anos. Esses servidores atuavam em diversas áreas da Assembleia.
Outros exonerados possuíam longa trajetória na Casa, muitos herdados de períodos anteriores à gestão atual. A proximidade com o ex-presidente Jorge Picciani, falecido em 2021, influenciou parte das indicações mantidas ao longo do tempo.
Impacto nos redutos da Baixada Fluminense
André Ceciliano viu 62 funcionários ligados ao seu grupo serem demitidos. Comunicadores como Carlos Soton e Alex Soares, atuantes na Baixada Fluminense, estavam entre os nomes. Essa região constitui base eleitoral importante para o político do PT.
As exonerações atingiram setores administrativos onde esses servidores exerciam funções diárias. A medida alterou a composição de equipes formadas durante o período em que Ceciliano presidiu a Alerj.

Mudanças ligadas ao afastamento de Bacellar
Rodrigo Bacellar, afastado da presidência desde dezembro de 2025, teve aliados próximos exonerados. Aislan de Souza Coelho, ex-administrador financeiro de campanha, perdeu o cargo de subdiretor de Controle Interno. Rafael Diniz, antigo prefeito de Campos dos Goytacazes, deixou a subdiretoria-geral de Informática.
Antonio de Pádua, envolvido em obras particulares associadas a Bacellar, também foi demitido da Diretoria de Engenharia. Essas dispensas seguiram alterações na cúpula iniciadas após operação policial que resultou no afastamento do presidente.
A prisão temporária de Bacellar, revogada posteriormente, motivou trocas em cargos como diretor-geral e chefe de segurança. A revisão de nomeações estendeu-se a departamentos estratégicos da Casa.
Presença de indicados de ex-presidentes históricos
Ex-presidentes como Paulo Melo e Sérgio Cabral mantinham representantes na folha da Alerj até recentemente. Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador, foi exonerado em 2023 e novamente incluído na lista atual. Outros nomes ligados a gestões antigas completaram o grupo afetado.
A suspeita de irregularidades em algumas nomeações motivou parte das investigações internas. A presidência em exercício priorizou a verificação de frequência e desempenho em cargos comissionados.
Contexto das alterações administrativas recentes
As mudanças intensificaram-se duas semanas após o episódio envolvendo Bacellar. Novas nomeações ocuparam vagas em procuradoria, gabinete e segurança da Casa. Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, deixou o posto de responsável pela segurança parlamentar.
A edição extraordinária do Diário Oficial concentrou as exonerações em um único ato. Essa prática facilitou a implementação rápida das dispensas identificadas.
Principais grupos afetados pelas demissões
- Aliados de Max Lemos: 27 exonerações, incluindo familiares diretos e assessores históricos.
- Indicados por André Ceciliano: 62 nomes, majoritariamente da Baixada Fluminense.
- Vinculados a Rodrigo Bacellar: cargos em diretorias técnicas e administrativas de Campos dos Goytacazes.
- Remanescentes de Sérgio Cabral e Paulo Melo: inclusão de parentes e ex-colaboradores de gestões passadas.
Essa distribuição reflete a composição histórica de indicações políticas na Alerj. A revisão abrangeu períodos de diferentes presidências ao longo dos anos.
Respostas dos parlamentares envolvidos
Max Lemos destacou que sua esposa é servidora concursada há mais de 25 anos e ocupou direções antes do casamento. Ele mencionou ainda que o irmão possui estabilidade como servidor estadual há três décadas. O deputado afirmou desconhecer detalhes sobre a quantidade exata de aliados mantidos por critérios técnicos.
André Ceciliano explicou que as nomeações ocorreram durante sua presidência e os servidores exerciam funções regulares. Ele reforçou que decisões sobre exonerações competem ao presidente em exercício.
Outros citados não se pronunciaram até o momento da publicação das medidas.
Reformulação abrange setores estratégicos
A Diretoria de Engenharia perdeu profissionais com experiência em manutenção da sede. A área de Informática viu troca em subdireção anteriormente ocupada por ex-prefeito. O Controle Interno também passou por alteração em posto chave.
Essas vagas agora recebem novos indicados alinhados à gestão interina. A transição visa garantir continuidade nos serviços legislativos essenciais.
Histórico de revisões na estrutura da Alerj
A Assembleia já realizou ajustes semelhantes em períodos de troca de comando. Nomeações políticas sempre compuseram parte significativa da folha de comissionados. A atual revisão prioriza critérios de desempenho e presença efetiva.
A medida alinha-se a práticas de contenção administrativa adotadas em instituições públicas. O foco permanece na eficiência dos setores técnicos e de apoio parlamentar.







