Fenômeno raro: eclipse solar total será visível em Portugal após mais de um século em 12 de agosto
Um evento astronómico de grande raridade prepara-se para cruzar os céus de Portugal. Em 12 de agosto de 2026, um eclipse solar total será observável no território continental, um fenómeno que não acontece com esta magnitude desde 1912. A expectativa mobiliza astrónomos, entusiastas e o público em geral para uma oportunidade única de testemunhar o dia transformar-se brevemente em noite.
A faixa de totalidade, onde a Lua cobrirá completamente o disco solar, será extremamente restrita, concentrando-se numa pequena área do nordeste transmontano. O Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança, será o palco principal, oferecendo uma ocultação completa por aproximadamente 26 segundos. Este breve instante de escuridão total ocorrerá próximo ao horário do pôr do sol, adicionando um desafio e uma beleza particular ao evento.
Para o restante do país, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, o eclipse será parcial, mas com um grau de ocultação muito elevado. Em grande parte do território, mais de 90% do Sol será coberto pela Lua, provocando uma diminuição notável da luz ambiente e uma queda perceptível na temperatura, efeitos que serão sentidos por quase toda a população.

O que esperar do fenômeno em Portugal
Na exclusiva zona de totalidade, em localidades como Rio de Onor e Guadramil, os observadores terão uma experiência multissensorial. À medida que a Lua completa a sua cobertura, o céu escurecerá de forma abrupta, permitindo que estrelas e planetas mais brilhantes se tornem visíveis. O momento mais aguardado será a aparição da coroa solar, a atmosfera externa do Sol, que se revela como um anel de luz etéreo ao redor do disco lunar escuro. A curta duração, de apenas 26 segundos, exigirá que os espectadores estejam bem preparados para aproveitar cada instante, sendo que o fenómeno ocorrerá com o Sol baixo no horizonte oeste, o que requer uma visão desimpedida.
Fora da estreita faixa de Bragança, o espetáculo continuará a ser impressionante. No Porto, a ocultação atingirá 98,2%, enquanto em Lisboa chegará a 94,5%, transformando a paisagem diurna numa espécie de crepúsculo profundo e invulgar. Mais a sul, em Faro, a cobertura será de 92,7%. Mesmo nas ilhas, os valores serão significativos, com 77,5% no Funchal e 76,9% em Ponta Delgada. Em todas estas áreas, será possível notar as sombras a tornarem-se mais nítidas e a luz a adquirir uma tonalidade prateada, características típicas de eclipses com elevada magnitude.
A mecânica celeste por trás do eclipse
Um eclipse solar total ocorre devido a um alinhamento cósmico preciso entre o Sol, a Lua e a Terra. Durante este evento, a Lua passa diretamente em frente ao Sol, projetando a sua sombra sobre a superfície terrestre. A coincidência de que o diâmetro aparente da Lua, vista da Terra, é quase idêntico ao diâmetro aparente do Sol permite que o disco solar seja completamente bloqueado.
A sombra da Lua divide-se em duas partes: a umbra, uma região central mais escura, e a penumbra, uma zona de sombra mais clara que a rodeia. Apenas os locais na Terra que são atravessados pela umbra podem testemunhar o eclipse total. As áreas cobertas apenas pela penumbra observam um eclipse parcial, onde a Lua cobre apenas uma fração do Sol.
O momento da totalidade é o único em que a deslumbrante coroa solar se torna visível a olho nu. Esta camada mais externa da atmosfera solar é milhões de vezes menos brilhante que o próprio Sol, sendo por isso completamente ofuscada em condições normais. A sua observação fornece dados científicos valiosos sobre a física solar.
A trajetória global da sombra lunar
O percurso da umbra em 12 de agosto de 2026 começará numa área remota da Sibéria, na Rússia, logo após o nascer do sol. A sombra viajará rapidamente para norte, cruzando o Oceano Ártico e passando sobre o extremo norte da Gronelândia.
A partir daí, a trajetória continuará para sul, cobrindo a parte ocidental da Islândia. A capital, Reiquiavique, estará no caminho da totalidade, tornando o país um dos destinos mais procurados para a observação do fenómeno, com uma duração de pouco mais de um minuto.
Após atravessar o Oceano Atlântico, a sombra lunar entrará na Europa pelo norte de Espanha. Cidades como Oviedo, Burgos e Palma de Maiorca experimentarão a totalidade, com durações que podem ultrapassar os dois minutos em alguns pontos, oferecendo condições de observação mais favoráveis do que em Portugal.
A faixa de totalidade continuará o seu percurso pela Península Ibérica, tornando-se cada vez mais estreita e baixa no horizonte à medida que se aproxima de Portugal. O evento termina o seu trajeto terrestre no nosso país, antes de a sombra se dissipar sobre o Mar Mediterrâneo, perto das Ilhas Baleares.
Recomendações essenciais para uma observação segura
A observação de qualquer fase de um eclipse solar, exceto durante os breves segundos de totalidade, exige proteção ocular especializada para evitar danos permanentes e irreversíveis à retina, incluindo a cegueira. Olhar diretamente para o Sol, mesmo que parcialmente coberto, é extremamente perigoso. É fundamental utilizar métodos seguros, como óculos de eclipse certificados que cumpram a norma internacional ISO 12312-2, que bloqueiam a radiação ultravioleta, infravermelha e a luz visível intensa. Óculos de sol comuns, mesmo os mais escuros, não oferecem qualquer proteção e não devem ser utilizados. Outras alternativas seguras incluem o uso de vidro de soldador com tonalidade número 14 ou superior. Métodos de observação indireta, como a projeção da imagem do Sol através de um pequeno orifício num cartão para uma superfície plana, são igualmente eficazes e seguros para todos. Apenas na região de Bragança, durante os 26 segundos de totalidade, será seguro remover a proteção para observar a coroa solar. No entanto, é crucial voltar a colocar os filtros assim que o primeiro ponto de luz solar reaparecer.
Um evento de grande relevância histórica
A passagem deste eclipse total por Portugal continental representa um marco histórico, separando gerações inteiras. O último evento semelhante ocorreu em 17 de abril de 1912, numa época completamente diferente em termos tecnológicos e de conhecimento científico. O próximo eclipse solar total visível a partir do território português está previsto apenas para o ano de 2144, o que sublinha a natureza excecional e imperdível da oportunidade de 2026.
Preparativos e mobilização para o dia 12 de agosto
A raridade do evento já está a gerar uma mobilização significativa por parte da comunidade científica e turística. A região de Trás-os-Montes, especialmente a área do Parque Natural de Montesinho, prepara-se para receber um grande número de visitantes nacionais e internacionais, o que representa uma oportunidade económica, mas também um desafio logístico para uma zona de natureza mais remota e montanhosa.
Instituições como o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e a rede de centros Ciência Viva estão a planear diversas ações de divulgação científica. Estas iniciativas incluem a organização de sessões de observação pública em locais estratégicos, a distribuição de óculos de proteção certificados e a realização de palestras para educar o público sobre a importância do fenómeno e as práticas de observação segura.


